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Desenhos Brasileiros
Por Raphael Di Cunto — Quarta, 12 de maio de 2004
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Na coluna de hoje falaremos sobre um assunto que ainda não tratamos aqui no SoBReCarGa: os Desenhos Brasileiros. Temos poucos se compararmos aos cartoons dos Estados Unidos ou os animes do Japão, e muitos dos nossos nem chegam perto dos de lá, mas pelo menos temos alguns que valem a pena. Então vamos falar dos mais populares, e daqueles que merecem um maior destaque.
Podemos começar falando sobre uma das animações que, além de ser ótima, ainda teve uma ajuda diferente. Estou falando do desenho O Curupira, da série Juro que Vi. O desenho foi elaborado por alunos de favelas do Rio, em um projeto da MULTIRIO que merece destaque por ser inovador e ao mesmo tempo uma grande idéia.
A série busca apresentar personagens do folclore brasileiro do ponto de vista das crianças, o que se mostrou uma idéia excelente. O desenho tem alternativas bem interessantes e criativas, onde se pode perceber que a escolha foi feita para agradar mais as crianças. Não é por falta de méritos que o desenho conquistou as principais categorias de animação do Festival de Cinema de Recife (um dos mais importantes do Brasil). Ele ganhou os prêmios de Melhor Direção (Humberto Avellar) e de Melhor Filme. Veja a notícia aqui.
O Curupira tem 11 minutos, e foi produzido tanto para a TV como para o cinema. Os próximos desenhos da série serão a Iara e o Boto, mas que, infelizmente, não tem data de estréia ( O Curupira estreou dia 12 de outubro do ano passado, como uma homenagem ao Dia da Criança).
Um desenho menos glorioso, mas que também merece mérito pela interessante idéia e por conseguir ter um programa semanal de 30 minutos na MTV é a Mega-Liga de VJs Paladinos da MTV. A produção é de “Pavão”, e não é de primeira categoria, mas também não pode ser considerada ruim. Ela está em um bom termo, sem chamar a atenção, mas que também não estraga a diversão. O que realmente falta é um bom roteiro. O primeiro episódio, que foi ao ar no meio de abril, era extremamente fraco, com piadas sem graça e uma história ruim.
O desenho apresentava uma boa idéia no princípio: mostrar como seriam os VJs da MTV como super-heróis, e relaciona-los com outros já existentes (como por exemplo o Cazé, que se assemelha ao Professor, dos X-Men. Ele passava em pequenas animações, cada uma apresentando um dos VJs, no programa Gordo a Go Go (o programa de entrevistas do João Gordo), assim como é feito hoje com Happy Tree Friends, mas este novo é produzido no exterior. De qualquer forma, bom ou ruim, ele tem espaço em uma emissora importante, e devemos torcer para que os roteiros melhorem. Você pode conferi-los às segundas, às 23h00, com reprises em vários horários, geralmente de madrugada (como por exemplo à 0h30 da manhã do domingo), na MTV.
A Mega Liga de VJs Paladinos também pode ter seus primeiros episódios assistidos no site da MTV, mas apenas aqueles primeiros episódios, que eram mais curtos, com menos de 5 minutos, e que contavam a história dos super-poderes de cada um. Além disso também existe um boato, confirmado, de um filme para o cinema. Ele deve sair no final de 2004, e a empresa parece esperançosa com o desenho.
Outro desenho brasileiro que merece ser comentado é a série da Turma da Mônica. A animação é boa, e foi feita de modo a parecer que se está lendo um gibi. O ponto negativo é que as histórias são cópias de alguns gibis, só que animadas. Existem 4 desenhos, que são reunidos em um DVD com alguns extras, e que pode ser encontrado facilmente em uma locadora.
O último desenho de que iremos tratar é um que ainda nem mesmo existe: Holy Avenger (não se sabe se o nome vai permanecer esse). Baseado em uma das histórias em quadrinhos mais bem sucedidas do Brasil, Holy Avenger, ganhadora de muitos prêmios, e com o mérito de ser a mais longa da história brasileira (40 revistas, mais 6 especiais, um Cd de áudio, volumes encadernados, um livro adaptando-a para o RPG, intitulado Holy Avenger d20, e uma reformulação da série, chamada de Holy Avenger VR).
O desenho ainda está em produção, sem data prevista para estrear, mas pode ser considerado um possível destaque. O criador da revista (Marcelo Cassaro, um conhecido dos fãs de RPG e quadrinhos nacionais) está ajudando na produção, e parece que ela será excelente. Da parte da animação, só podemos ter suspeitas, mas pelo menos o roteiro deve ser bom (provavelmente será o mesmo da série de revistas). É aguardar para conferir.
Para fechar com uma ótima notícia, podemos destacar a iniciativa do deputado federal Vicente Paulo da Silva (PT- SP). Ele está propondo um projeto de lei que obriga as emissoras do país a exibirem desenho de produção brasileira. O projeto está em votação na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara. O deputado defende o projeto afirmando que 100%¨da programação infantil é estrangeira: “Nossos pequenos crescem sem compreensão de toda a diversidade que constitui o povo brasileiro”, diz Vicentino.
Nós podemos produzir desenhos de qualidade, como O Curupira, que não devem nada aos estrangeiros, e que podem nos proporcionar tanta diversão, senão mais.
Nota sobre a coluna das Guerras Clônicas: recebemos milhões de mensagens perguntando sobre como comprar os bonecos vistos na matéria (certo, foi só uma, mas assim parece que tem bastante gente lendo). Respondendo a estas milhões de mensagens: os bonecos ainda não estão a venda no Brasil, mas podem ser encomendados no site oficial de Star Wars, ou em importadoras (não encontrei nenhum site que já esteja vendendo os novos bonecos, apenas os antigos).
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