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Quando o imaginário pode ser real?
Por Eloyr Pacheco — Quarta, 12 de maio de 2004
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Quanto o cinema pode apresentar-nos o imaginário como se fosse realidade? Tanto hoje, quando assisti Tróia, como quando assisti pela primeira vez O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel, indaguei-me o que pode (ou não) ser real no cinema. Com a tecnologia que hoje tem em mãos, um filme pode tornar real criaturas que só conhecemos através de ilustrações e na nossa imaginação, tão reais que até poderíamos aceitá-las como se existissem, ou tivessem existido.
Uma cena com efeitos digitais de Tróia: um homem vale por dois (ou mais)
No caso da obra de J.R.R. Tolkien, a fantasia foi transposta para as telonas com espantoso realismo, o próprio Peter Jackson, assegura que para a realização de um filme como esse era necessário esperar a tecnologia para fazê-lo. No caso de poemas épicos como A Ilíada, de Homero, no qual o filme Tróia foi inspirado, que podem narrar fatos históricos ou não, o cinema age com a mesma eficácia.
Hoje o cinema nos faz procurar pela perfeição quando estamos, geralmente, somente atrás de alguns momentos de diversão, mas nos metemos a cobrar de todos os que produziram o filme, e não só do diretor, imagens que, sejam de orcs, trolls, dragões... ou seja lá do que for, sejam as mais reais (e perfeitas, se é que esse termo pode ser aplicado aqui) possíveis. (Ah, já se vai longe o tempo em que eu me divertia com Nacional Kid!) Queremos tudo perfeito, queremos tudo o mais real possível. Nosso padrão de qualidade não pode ser nivelado por baixo. Não há mais espaço para concessões. Queremos ser enganados, mas enganados com qualidade. Queremos tudo com bastante realismo. Já se vai longe o tempo em que aceitávamos qualquer coisa. (Oh, o quanto eram bons os filmes trash!) Afinal, temos a tecnologia disponível. Eu creio que conforme a tecnologia evoluiu, nós fomos nos acostumando com ela e nosso padrão de qualidade foi sendo aguçado junto com ela. Queremos o “real” no “imaginário”. (?) Que o imaginário naquele momento em que estamos ali na sala de projeção seja real. Afinal não é assim que nos envolvemos quando lemos um gibi? Também é assim hoje, quando vamos a um cinema.
Hoje há tecnologia para a produção de filmes como Matrix, O Senhor dos Anéis, Tróia e muitos outros. Homem-Aranha foi um colírio para os fãs, Hulk agradou, mas nem tanto, embora lá estivesse o Gigante Verde saltando pelo deserto e destruindo canhões, itens exigidos pelos fãs mais ardorosos. Só que estaremos de plantão cobrando muito mais qualidade em Homem-Aranha 2. E caso surja um Hulk 2, também.
O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei será lançado mundialmente pela Warner em DVD no dia 25 deste mês. O filme, ganhador de 11 Oscar – a trilogia levou 17 – mereceu um DVD cheio de extras, entre eles o especial produzido pela National Geographic que faz comparações históricas com o filme. Tróia - que tem no elenco, entre outros, Brad Pitt, dos excelentes Onze Homens e um Segredo, Os Doze Macacos e Clube da Luta, Eric Bana, de Hulk, e Orlando Bloom, da trilogia O Senhor dos Anéis - estréia na próxima sexta-feira, dia 15. Embora os puristas venham a achar que o filme faz uma salada dos poemas épicos de A Ilíada e A Odisséia, de Homero (acrescente-se aí também Eneida, de Virgílio) e o que transcorre em mais de dez anos de guerra ocorre somente em poucos dias no filme, vale a pena conferir. Mais uma vez nós somos enganados. E muito bem enganados. Como diz um velho jargão: me engana, que eu gosto!
Uma cena com efeitos digitais de O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei: homens versus "dragões" alados
Dicas de leitura: os clássicos mencionados; a revista Superinteressante, da Editora Abril, que acaba de chegar às bancas com uma matéria discutindo quanto da história de Tróia é realidade e quanto é ficção; e em quadrinhos posso recomendar duas excelentes obras. A primeira é muito conhecida dos leitores brasileiros, trata-se de Os 300 de Esparta, de Frank Miller, publicado pela Abril em 1999; a segunda é Age of Bronze – A Thousand Ships, de Eric Shanower, publicado pela Image Comics. Este último, embora pouco conhecido do público brasileiro é excelente.
Até semana que vem. Tchau!
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