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Jay Vaquer: música comercial de qualidade
Por Mônica Loureiro — Sexta, 7 de maio de 2004
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É muito difícil se livrar de comparações quando se carrega no sangue a herança de gente famosa. E conta-se nos dedos os que conseguem ter o talento de seus genitores – ou pelo menos apresentar um perfil que valha a pena.
Com Jay Vaquer também não foi diferente. O filho de Jane Duboc passou a adolescência mergulhado na insegurança. "Ficava com medo de cobranças e comparações, mas acabei descobrindo que era loucura da minha cabeça", diz Jay.
Mas parece que agora as dúvidas foram resolvidas. Ele está lançando o CD "Vendo a mim mesmo", um trabalho pop e praticamente autoral: nove das 13 faixas são composições suas. Jay fez Jornalismo, montou uma banda de covers e, para vencer a timidez,decidiu ter aulas de teatro. Depois, partiu para o circuito das casas noturnas de São Paulo.
"Durante quatro anos, fiz shows de quarta a sábado. Foi uma verdadeira escola", diz o cantor. Em 99, resolveu gravar `Nem tão são' sem preocupação alguma em tornar o disco comercialmente viável - as músicas eram longas e a instrumentação exagerada. Depois de dar com a cara na porta de todas as gravadoras, tentou relançá-lo pela Jam Music (gravadora independente de Jane Duboc), mas nada aconteceu.
Com mais experiência no showbiz, Jay soube conduzir bem melhor seu novo CD. "Não tentei forjar nenhuma situação para tocar nas rádios, mas fiz pensando no que seria mais viável. Não vou negar que quero facilitar a vida do vendedor, do investidor e, por que não?, do ouvinte", afirma. O cantor adverte que isso, entretanto, não significa que ele tenha aberto mão do cuidado e da qualidade do disco.
Quem vê por fora, fica um tanto enojado com a concepção visual do trabalho. Jay está só de cuecas e inúmeros fios vermelhos saem de seu corpo e terminam em fones nos ouvidos de... porcos. "Aqui, cada um interpreta como bem entender!", instiga.
Já nas canções, Jay não demonstra querer chocar ninguém e sim apresentar um trabalho cercado de cuidados tanto nas letras quanto na sonoridade. A produção e arranjos de "Vendo a mim mesmo" ficaram a cargo de Marcelo Sussekind, Edson Guidetti, Keko Brandão, Alexandre Moreira e Gui Boratto. No time dos músicos, Jay contou com a presença do baterista Chocolate, do baixista Dunga, do guitarrista Junior Tostoi entre outros.
O disco tem duas regravações - "Preciso dizer que te amo", de Cazuza, Dé e Bebel Gilberto, e "Condição", de Lulu Santos -, onde Jay dá asas à criatividade e mostra seu diferencial. A primeira virou um rock e a segunda seguiu o caminho inverso: virou uma baladinha com violão e teclados em destaque. Ainda há uma inédita de Vitor Ramil ("Foi no mês que vem") e outra de Edu Tedeschi ("Por nada e por ninguém"). Entre as nove composições próprias, estão "Me tira daquiii (vendo vendo vendo)", "Pode agradecer (relationshit)", "Sa-ma-ra/Samádhi (quiçá jabaless radio edit)" e "Abismo (under doses)". Sobre os "títulos explicativos" para as canções, Jay diz que tem que se controlar para não dar vários nomes às músicas. Curiosamente, é uma característica presente também no trabalho do grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado. "Esse disco era costurado por um poema de João Cabral de Melo Neto, que descobri depois que o Lirinha (vocalista do Cordel) declama nos shows",conta Jay.
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