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A Grande Ilusão
Por Tiago Cordeiro — Terça, 4 de maio de 2004
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Sei que ultimamente ando abordando freqüentemente filmes de guerra (vai ver, ando lendo muito jornal), mas depois de tanto escrever sobre este gênero seria pecado mortal não falar de A Grande Ilusão do diretor Jean Renoir, filho do imortal pintor impressionista Auguste Renoir.
Na contramão da maior parte de filmes de guerra, A Grande Ilusão não mostra nenhuma grandiosa cena de batalha, se passando quase completamente em um campo de concentração na fronteira franco-alemã. Durante a Primeira Guerra mundial três soldados franceses caem em território inimigo e lá passam seus dias aguardando o fim da guerra dividindo-se entre os planos de fuga ou a interminável espera.
Com uma narrativa muito mais humana do que selvagem ou pretensiosamente épica, Renoir narra a cegueira incomum que os conflitos trazem. Não pense que se trata de uma obra maniqueísta onde os prisioneiros são os únicos que sofrem. Aqui até quem está do outro lado da corda vive a angústia de um mundo onde balas e explosões substituíram o diálogo entre homens.
Destaque para a atuação de Erich Von Stroheim, já citado aqui no Sobrecarga. Stroheim, vive o diretor da prisão, um homem quase aleijado por inúmeros ferimentos de guerra o Capitão Von Rauffenstein, um retrato triste de um soldado fiel à pátria e ao exército.
Saindo do campo de concentração, Jean Gabin, vive um prisioneiro foragido que junto com seu companheiro, interpretado por Julien Carette, encontra felicidade do lado errado de sua fronteira com uma viúva de guerra. O amor que nutre por ela sofre as conseqüências da ilusão que nomeia o filme. Afinal quando a guerra acabará? Entre tantas tramas de guerra, Renoir deu à sétima arte a história mais humana e comovente sobre guerra que já existiu. Descrevê-lo como perturbador só é coerente se percebermos que, assim como os foragidos, ainda andamos em busca da duvidosa proteção de nossas fronteiras na esperança que a guerra acabará. O instinto auto-destrutivo do homem continua falando mais alto até agora.
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