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O Efeito Borboleta...
Por Celso Antonio Almeida — Terça, 4 de maio de 2004
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De Borboletas e Viagens no Tempo
Pode o bater de asas de uma borboleta no Brasil desencadear um tornado no Texas?
Foi essa a pergunta que o meteorologista do MIT (Massachussets Institute of Technology) Edward Lorenz se fez em seu clássico artigo de 1979 intitulado Predictability: does the flap of a butterfly’s wings in Brazil set off a tornado in Texas? O artigo, que trata da Teoria do Caos, postula que fatores iniciais insignificantes, distantes, podem eventualmente produzir resultados catastróficos imprevisíveis. O efeito descrito por Lorenz ficou conhecido como "Efeito Borboleta".
Curiosamente, as borboletas estão novamente na moda. Dois filmes sobre viagem no tempo que estrearão este ano têm como "protagonistas" as belas criaturinhas aladas. O primeiro é The Butterfly Effect (Efeito Borboleta), com Ashton Kutcher (a mais noiva "aquisição" da enxutíssima quarentona Demi Moore) e Amy Smart. Kutcher interpreta um rapaz que tem a habilidade de voltar ao seu próprio passado e alterá-lo. Evan (seu personagem) teve uma infância difícil, marcada por abusos sexuais, e decide "cortar o mal pela raiz", ou seja, alterar o passado para modificar o presente; ele vai descobrir que isso pode não ser uma idéia tão boa assim.
O segundo filme é A Sound of Thunder (Um Som de Trovão), ficção científica com Ben Kingsley (de Sexy Beast) baseada em conto homônimo do papa da sci-fi Ray Bradbury. No conto, caçadores viajantes temporais partem para um safári no período jurássico. A presa: nada menos que um T-Rex. Só que os aventureiros não podem apenas chegar e ir atirando no bichão; o guia escolhe um dinossauro que esteja prestes a morrer de uma causa natural (no conto, o tiranossauro é atingido por uma enorme árvore). Toda essa precaução visa justamente manter o fluxo do tempo inalterado. Só que um dos caçadores acaba pisando em uma... borboleta. As conseqüências, claro, são catastróficas. Um Som de Trovão, o filme, começa onde acaba o conto de Bradbury, ou seja, explora ao máximo o Efeito Borboleta.
A Teoria do Caos é algo recente e ainda está sendo refinada. Novas aplicações estão sendo descobertas ou inventadas, artigos continuam a ser publicados, dúvidas e demonstrações alternam-se rapidamente. Apesar disso, a Teoria lançou alguma luz sobre o até então obscuro e praticamente hermético comportamento de sistemas complexos como o mercado financeiro e o clima. Se um pouco dos seus complicados conceitos puder chegar até nós através da linguagem mais palatável do cinema, tanto melhor.
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