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Lutando na guerra fria
Por Fabiano Silva — Segunda, 3 de maio de 2004
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Os 3D shooters, jogos onde os jogadores têm a visão em primeira pessoa e precisam “duelar” contra inimigos, é um dos gêneros mais recentes de jogos, mas um dos mais populares. Wolfenstein foi o primeiro jogo do gênero a fazer sucesso e Doom foi quem definiu o estilo desses jogos. Até hoje os conceitos usados em Doom e Wolfenstein são usados nos jogos modernos.
Fui um grande marketeiro dos primeiros 3D shooter, no lugar de simular batalhas, eles simulavam a emoção de lutar em uma batalha, você e sua arma em um ambiente hostil e perigoso. Com o tempo os jogos acabaram se dividindo em dois grupos, os mais “fantasia” onde as leis da física eram apenas um detalhe e quanto mais poderosas as armas, melhor; e os jogos reais, que sacrificavam a diversão em prol do realismo. Sempre gostei mais dos jogos realistas, mas eles nunca eram tão divertidos quanto os fantasiosos até Operation Flashpoint.
Já falei duas vezes do jogo, mas estava devendo uma matéria exclusiva sobre ele. Operation Flashpoint pegou o mercado de surpresa, ninguém esperava uma reviravolta nos 3d shooters e até novos conceitos de uma empresa pequena, ainda começando no ramo.
Ivan Louco
O jogo se passa no ano de 1987 em plena guerra fria, já um diferencial. Mesmo sendo um período importante e tenso, foram feitos poucos jogos sobre a guerra fria. O jogador faz parte de um grupo de soldados americanos que dividi uma pequena ilha com os russos. Tudo começa a mudar quando os russos tomam medidas agressivas contra rebeldes da ilha e contra os próprios soldados americanos. Tem início uma luta entre as duas forças e tudo fica pior ainda quando os russos conseguem uma arma nuclear.
Sir, yes sir!
O jogo segue um sistema linear, mas único, de missões. O jogador precisa completar uma missão e assim seguir para a próxima. A beleza do jogo esta em como completar a missão... Primeiro, durante o jogo o jogador assume o papel de vários soldados americanos. Ele começa como um cadete de infantaria que apenas segue as ordens dos oficiais; depois ele joga com um oficial das forças especiais, servindo em missões de espionagem (e com equipamentos próprios, como explosivos); o jogador também passa por piloto de tanque, avião A-10 e Helicóptero Apache; cada um com missões diferentes. Isso quase um ano antes do lançamento de Battlefield 1942. Foi Flashpoint que introduziu o conceito de Infantaria, Tanques, Aviões e todos os tipos de armas de guerra, em um jogo. Já nas missões finais o jogador já é um oficial controlando um pelotão de soldados. Os comandos são simples e fáceis e seus soldados ajudam durante as missões.
Mas o que torna Flashpoint tão particular é a estrutura das missões. Ela começa com um briefing do objetivo, onde ele está, onde você está e seu equipamento. E pronto. Como você faz para alcançar o seu objetivo depende simplesmente da sua imaginação. Um Exemplo: Em missão das forças especiais, o objetivo é invadir a casa do general russo e roubar documentos. A casa está em um perímetro de segurança, cercada por grades e protegida soldados e tanques. O jogador começa próximo à entrada do perímetro. Na primeira tentativa tentei me infiltrar pela estrada, mas fui localizado e atacado por inimigos. Depois de várias tentativas, resolvi dar a volta no perímetro e entrar pelo mar, onde o número de soldados era menor. Após nadar alguns metros, escalei uma encosta e continuei, agachado, escondido entre as arvores até ficar a 50 metros da casa. Infelizmente nesse momento uma patrulha inimiga saiu de trás da casa e o tiroteio começou... Outro jogador roubou um tanque e entrou destruindo tudo pela entrada do perímetro... Cada missão pode ser realizada de diferentes maneiras, cada uma mais divertida que a outra. O jogador pode andar por qualquer lugar no mapa, se quiser pode fazer um tour por toda ilha.
Realismo
Flashpoint não é um jogo para todos. Ele usa e abusa do realismo, sem deixar o jogo chato, mas alguns jogadores podem sentir falta da ação sem fim e sem sentido, de outros shooters. O personagem na pula já que carrega 30 quilos de equipamentos nas costas, o que não faz falta no jogo. Ele também só pode carregar uma arma, uma pistola e um número limitado de pentes (Nada de mochila magia onde se coloca 10 fuzils). Outros pequenos detalhes fazem dele um jogo bem diferente: depois de correr durante alguns metros o personagem fica cansado e começa a diminuir o ritmo; a mira balança enquanto você corre, atirar correndo é muito difícil (afinal ninguém tem um tripé no braço para atirar facilmente quando corre); o jogo também simula o desvio das balas quando atiradas a longa distancia, por armas não preparadas, nada de head shoot com uma pistola há dois kms. Para os mais aficionados por realismo, o modulo difícil torna o jogo mais realista, tirando a mira e outras ajudas do jogador.
Os gráficos do jogo são em 3D, bem definidos, mas não são top de linha. Por outro lado eles servem muito bem, já que os jogadores podem interagir com qualquer parte do mapa: Arvores servem de esconderijo, morros fazem o personagem se cansar mais rápido. Florestas dão proteção contra bombas...
Se você acha que pode sair correndo por um campo aberto... Você nem vai saber de onde esta sendo atacado. Os Binóculos são uma arma primordial. No meio do território inimigo é preciso andar sempre escondido, quando for preciso atravessar um campo aberto você precisa observar todo o perímetro para verificar se existem inimigos. Muito divertido...
Conclusão
A Boehmia esta trabalhando em uma nova versão de Flashpoint para XBOX, que sai ainda esse ano e em 2005 chega o tão esperado Operation 2. Flashpoint conseguia trazer novo animo e idéias para um gênero que parecia desgastado e principalmente trouxe muito entretenimento para os jogadores. O jogo foi lançado no Brasil e é imperdível para quem gosta de jogos de ação com realismo.
Mais Informações:
http://www.codemasters.com/flashpoint/front.htm
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