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O fantástico mundo de Crichton
Por Eudes Honorato — Quinta, 29 de abril de 2004
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Muito antes do T-800 aterrorizar Sarah Connor em O Exterminador do Futuro, eu já havia visto um filme onde um andróide louco por sangue perseguia uma pessoa por quase todo o filme: Westworld – Onde Ninguém Tem Alma (Westworld, 1973). O filme contava a história de um lugar, uma espécie de Disneylândia para adultos. Cada pessoa decidia em que época gostaria de ficar, ou seja, em que parte do parque que representava uma época como, por exemplo, a Idade Média.
Os personagens do parque são bem mais realistas que na Disneylândia; são andróides. E na parte que representa o velho oeste, um mal-funcionamento faz com que um dos andróides leve para o lado pessoal o seu papel de “vilão” no parque, para com um dos visitantes. O andróide era gelidamente interpretado por Yul Brynner.
Lembro deste filme, mas nunca lembraria o nome de seu diretor se não fosse por ele ter escrito um livro de sucesso que virou filme, nas mãos de Steven Spielberg. Sim estou falando do “cara que escreveu Jurassic Park”: Michael Crichton.
Crichton nasceu em Chicago em 1942. Formou-se em Medicina e ainda jovem tornou-se escritor. Aos 29 anos teve seu livro O Enigma de Andrômeda (The Andromeda Strain, 1971) adaptado para o cinema. Em 1972 já experimentava trabalhar como diretor ao fazer um filme para TV chamado Pursuit. Em 1973 dirigiria Westworld.
Em 1978 escreveu e dirigiu o filme Coma, baseado no livro de mesmo nome, de seu colega de livrarias, o escritor Robin Cook, especialista em escrever livros de suspense envolvendo a área da medicina.
Sua carreira de diretor ainda inclui os filmes O Grande Roubo de Trem (The Great Train Robbery, 1970), com Sean Connery; Looker (1981); Fora de Controle (Runaway, 1984), com Tom Selleck e Physical Evidence (1989), com Burt Reynolds. Além de escrever roteiros para outros diretores, ainda continuava escrevendo e tendo alguns de seus livros levados às telas, mesmo que não fosse por ele mesmo, como no caso, por exemplo, de O Homem Terminal (The Terminal Man, 1974).
Praticamente encerrando sua carreira de diretor, Crichton entrou na década de 90 com o pé direito. Com o assunto da clonagem na moda, ele logo escreveu um livro baseado em uma das muitas promessas da clonagem: trazer animais extintos de volta à vida. Não preciso dizer que o livro era Jurassic Park.
Para que o nome de Crichton ficasse marcado e eu soubesse que foi ele quem dirigiu um dos melhores filmes que assisti na infância, Steven Spielberg decide filmar o livro de Crichton e pede ao escritor que faça o roteiro. Um acerto que faria com que a história tivesse bastante semelhança com o livro.
Tornando-se um marco nos efeitos visuais, o filme trouxe o nome de Crichton mais uma vez para as luzes. Jurassic Park era agora o livro mais conhecido de Crichton e, eu acabei por comprar e por conhecer este escritor, que diverte levando a ciência para o mundo da ficção-científica e aventura, com uma certa dose de suspense. Com explicações mirabolantes e nada aceitáveis na comunidade científica, ele traz os dinossauros de volta a vida.
Talvez aproveitando o sucesso, Crichton decide retornar ao mundo da TV e cria, em 1994, a série Plantão Médico (E.R.), sucesso absoluto, que dura até hoje, e que lançou George Clooney ao estrelato. Mas nem tudo são flores.
Tudo que Michael Crichton escrevia era filmado. Acho que devem ter tentado filmar até alguma lista de compras sua. Eu não li todos os seus livros e não sei dizer se eram tão ruins quanto os filmes que invadiram os cinemas nos anos seguintes a Jurassic Park. No mesmo ano dos dinosssauros, já tínhamos Sol Nascente (Rising Sun, 1993), um filme burocrático, chato, com Sean Connery e Wesley Snipes.
Com o sucesso de Instinto Selvagem, filme de Paul Verhoeven, o filme baseado no livro de Crichton chamado Disclosure, ganhou o título oportunista, aqui no Brasil, de Assédio Sexual. E em ambos os filmes Michael Douglas atuava, além de uma Demi Moore com um dos piores penteados da história do cinema. O filme era tão ruim, que eu só fui saber bem mais tarde que tinha algo a ver com o escritor.
E não queria parar. Era fracasso em cima de fracasso, mesmo quando ele era o roteirista. Tivemos Congo, de 1995 (onde ele era o produtor executivo), que foi uma lástima só. Ele também roteirizou um filme para Jan “Velocidade Máxima” De Bont, que todos lembram apenas por causa de uma vaca dentro de um ciclone: Twister (1996).
E tivemos o decepcionante Esfera (Sphere, 1998), com elenco estelar e final simplesmente embaraçoso; O 13o. Guerreiro (The 13th Warrior, 1999), com Antônio Bandeiras e dirigido pelo mestre dos filmes de ação, John McTiernan, que diz que o controle da edição do filme foi-lhe tomado, transformando o filme festival de equívocos. Linha do Tempo (Timeline, 2003), que mesmo dirigido por Richard Donner, parece que não foi nada bem.
Nem mesmo a continuação de Jurassic Park, Mundo Perdido (The Lost World: Jurassic Park, 1997) foi um filme marcante, mesmo dirigi pelo mesmo Spielberg. Talvez um dos motivos seja que não seguia o livro publicado pelo autor, Mundo Perdido, que tinha muito mais suspense e não colocava tiranossauros fazendo gracinhas na cidade. E o terceiro filme da série? Bom, esse tem a vantagem de Crichton não ter nada a ver com ele, a não ser o fato de ter escrito o primeiro.
Atualmente estou lendo o mais recente livro de Michael Crichton lançado por aqui: Presa. Trata do assunto da nanotecnolgia. Uma nuvem de microrobôs (nanopartículas invisíveis a olho nu) que escapa de um laboratório e... bom, não vou contar esperem até semana que vem e, quem sabe, já não estará em sua locadora preferida.
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