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Nem tudo nos quadrinhos precisa ser porradaria
Por Leonel Dorkboy — Terça, 7 de outubro de 2003
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Há poucos dias, eu parei para observar alguns dos meus amigos enquanto conversavam , pra lá de entusiasmados, sobre uma HQ que todos estavam lendo. Todos os três são fãs de filmes de ação, destruição em massa, artes marciais, etc., e vibram a cada hadouken no videogame, a cada míssil no anime, a cada orc morto no Senhor dos Anéis. A história pela qual os três vibravam era a engraçada saga de um universitário para conquistar a garota que ama. A HQ, o mangá Love Hina.
Independente se você gosta ou não de mangás ou de Lova Hina especificamente, vamos analisar a situação: estas três pessoas não gostam de historinhas românticas. Não passam a menos de três quadras de um filme do Hugh Grant. Gostam de tiros, explosões, sangueira. No entanto, estavam tão entusiasmados por uma comédia romântica. Por que? Bem, na minha opinião, porque o formato das HQs deixa o tema mais interessante.
Realmente, por mais divertido que sejam todas as super-brigas e tiroteios homéricos que nós vemos nas histórias em quadrinhos, há sempre algumas pérolas que nos contam histórias completamente diferentes (e que não leríamos normalmente), mas que as tornam interessantes pela linguagem dinâmica das HQs. Uma das minhas preferidas é Transmetropolitan, de Warren Ellis (um dia ainda tenho que fazer uma coluna sobre como esse cara é genial), uma história em quadrinhos cujo herói é um escritor, e que fala principalmente sobre política. É uma das leituras mais emocionantes dos títulos que estou comprando hoje em dia.
Spider Jerusalém, o herói de Transmetropolitan, é um jornalista que vivem em uma sociedade “cyberpunk” do futuro. No atual arco de histórias, ele está cobrindo a eleição para presidente dos EUA. O medo de Jerusalém quando ouve o discurso de um dos candidatos é tão ou mais palpável que o de qualquer super-herói frente ao novo raio-da-morte do vilão da semana. Mais do que isso, o gibi é uma leitura muito divertida, capaz de entreter com a luta ideológica de Spider com a mesma adrenalina que a luta física do Wolverine (comparando com a fase atual do baixinho, Spider na verdade entretém beeeeeeeeeeem mais...). O tema “política” pode parecer árido ou penoso, mas justamente por estar no formato “amigável” de um gibi, é acessível mesmo para quem não entende bulhufas do assunto. Aliás, pode até ser educativo.
Portanto, aí fica a sugestão/recomendação/súplica aos editores. Os mangás já fazem isso há décadas; por que não explorar mais temas nos quadrinhos ocidentais? Tudo pode ficar divertido e emocionante em um formato dinâmico. Quem aqui não gostaria de ver HQs sobre esportes, relacionamentos, corridas de carros, histórias familiares, VARIEDADE? Que tal um pouco de diversão sem garras retráteis?
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