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A Literatura de Ficção Científica no Cinema
Por Priscila Queiroz — Sexta, 16 de abril de 2004
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Poucos autores influenciaram tanto o mundo da ficção científica quanto Isaac Asimov. O russo, criador de obras como Eu, Robô e a Série da Fundação, definiu muitos conceitos aproveitados em outras obras do gênero, como as Leis da Robótica. Porém, Asimov ainda não recebeu uma adaptação de acordo com a importância de sua obra.
A televisão inglesa foi a primeira a adaptar contos e livros de Asimov, nas séries de filmes Out of the Unknown e Story Parade, na década de 60. Curiosidade: Peter Cushing, o Grand Moff Tarkin de Star Wars - Episódio IV: Uma Nova Esperança, foi o protagonista da primeira adaptação de Asimov para a telinha: The Caves of Steel. A adaptação vem do livro de mesmo nome, a primeira parte da trilogia que conta a história do detetive Elijah Bailey e seu parceiro-robô R. Daneel Olivaw. Entre os outros trabalhos a irem para a TV inglesa está a segunda parte da trilogia, o livro The Naked Sun. Por muito tempo os trabalhos de Asimov só foram adaptados para a TV.
Só em 1987 Asimov chegou aos cinemas pelas mãos de seus compatriotas russos, no filme Konets vechnosti (O Fim da Eternidade). Ele foi baseado no livro The End of Eternity, uma história sobre um grupo de humanos que são parte de uma organização chamada Eternity. Estes humanos, os Eternals, existem fora do tempo, e podem entrar na nossa linha temporal no momento em que desejarem. Eles se encarregam de guardar a humanidade, minimizando seu sofrimento, o que acaba negando aos terráqueos a exploração das estrelas. Assim, o protagonista da história sabota a criação inicial dos Eternals, o que traz problemas para o fluxo do tempo.
Enquanto este filme estava sendo feito do outro lado do mundo, nos EUA, Asimov se dedicava à adaptação de um livro do francês Jean-Pierre Andrevon, Metal Men Against Gandahar, para o cinema. Light Years foi o primeiro roteiro do escritor, uma animação dirigida por Harvey Weinstein (todo-poderoso chefão da Miramax) que contou com as vozes de Glenn Close, Christopher Plummer, Bridget Fonda, Jennifer Grey e John Shea, entre outros. O filme é a história de um planeta pacífico, Gandahar, cujos habitantes passaram por anos de mutações e experimentações genéticas até chegar ao seu estado atual. Mas a paz do planeta é ameaçada por uma força invasora que está transformando todos em pedra. A animação passou despercebida pelos cinemas e não despertou o interesse nem do público nem da crítica. Porém, alguns fãs de Asimov ainda correm atrás deste trabalho.
Em 1988, Asimov criou uma série de TV, Probe, sobre um detetive expert em ciências e sua secretária que resolvem os mais variados mistérios. A série só durou um ano. Na mesma época, outro trabalho de Asimov chega aos cinemas em um longa metragem. Desta vez é o conto Nightfall, sobre o planeta Lagash, situado em um sistema estelar com seis estrelas. A noite no planeta acontece uma vez a cada 2050 anos. Com a iminência de um anoitecer, a civilização de Lagash entra em pânico, temendo seu fim. Dirigido por Paul Mayersberg, Nightfall é um filme de baixo orçamento e recebeu críticas destruidoras na época de seu lançamento que, aliás, foi bem modesto. O filme passou em alguns poucos cinemas e foi para o vídeo. Asimov não foi consultado em momento algum sobre esta adaptação, nem chegou a ler o roteiro. Em 2000, outra adaptação da mesma história foi efetivamente lançada direto para o mercado de vídeo, com os mesmos resultados: críticas ruins e recepção nada entusiasmada do público. Este Nightfall foi dirigido por Gwyneth Gibby e contava com David Carradine no elenco.
No mesmo ano de 1988, Asimov iniciou uma parceria com o diretor Richard Kletter que resultou no curta Feeling 109, em 1988, e no seu remake Teach 109 (também um curta) em 1990. Teach 109 é um andróide que quer experimentar a vida como humano e acaba se envolvendo com uma médica, Karen Garret, que foi contratada para apagar sua memória. No elenco, Jason Patric, como Teach 109, Elizabeth Perkins, como a Dra. Garret e James Earl Jones como Dr. Winston. A parceria acabou em 1995, com o lançamento, também para TV, de The Android Affair, um remake de Teach 109, com melhor produção, mas, como parece ser a sina dos filmes em que Asimov está envolvido até então, um fracasso.
Então, em 1999, sai a primeira adaptação de um trabalho de Isaac Asimov que tem repercussão, produção de primeira e um bom elenco. O Homem Bicentenário, com Robin Williams, no papel título, e Sam Neill, foi baseado no livro The Positronic Man e no conto O Homem Bicentenário. É a história de Andrew, um robô que começa a apresentar características e emoções de um ser humano e, por isso, busca ser reconhecido como um verdadeiro humano. Dirigido por Chris Columbus, o filme dividiu os fãs de Asimov, assim como o público em geral. Muitos consideraram o filme um tanto meloso, outros enxergaram o trabalho do escritor por trás do trabalho do diretor.
A próxima adaptação de Isaac Asimov a chegar às telas será a clássica coletânea de contos Eu, Robô, dirigido por Alex Proyas (de O Corvo e Cidade das Sombras) e adaptado por Akiva Goldsman (vencedor do Oscar por Uma Mente Brilhante e culpado por Batman & Robin). Will Smith faz o papel do policial avesso à tecnologia que precisa investigar um crime, aparentemente cometido por um robô, que pode ter sérias conseqüências para a humanidade.
É realmente impressionante que, com tanto material de alta qualidade na bibliografia de Isaac Asimov, o escritor tenha tantos fracassos associados ao seu nome no cinema. Mesmo com o relativo sucesso de O Homem Bicentenário, este filme não conseguiu ainda despertar as paixões de crítica e público. As fichas agora estão em Eu, Robô, que conta com a torcida dos amantes da ficção científica.
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