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Nós Vimos: Mar de Fogo
Por Alfredo Stadtherr — Segunda, 12 de abril de 2004
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Nada de novo na terra de Marlboro
Com o fim da saga O Senhor dos Anéis, chegou a hora do elenco principal começar a dar as caras em filmes de grande apelo ao público. Orlando Bloom, o esperto elfo Legolas, saiu na frente com Piratas do Caribe e já compete pelo posto de atual "queridinho da América". Agora, é a vez de Viggo Mortensen bancar novamente o mocinho em Mar de Fogo, superprodução dirigida por Joe Johnston ambientada no século XIX.
É triste notar que Hollywood está regredindo. Sim, estão de volta os filmes onde o mocinho branco e americano chega em um lugar de pessoas "estranhas" e toma conta da situação, tornando-se um herói e sendo admirado por gregos e troianos. Esse tipo de história, por si só, já é ruim, pois aumenta a idéia de que o homem branco é superior onde quer que esteja, principalmente se ele for norte-americano. Mas o que dizer então de uma trama passada no Oriente Médio?
O momento para se fazer um filme desses não poderia ser pior. Frank T. Hopkins, personagem de Viggo Mortensen, é um caubói que resolve participar da maior corrida de cavalos do mundo, uma espécie de Paris-Dakkar do século retrasado, e vai ter que enfrentar uma turba de árabes broncos e enfurecidos.
É uma história real, que poderia ter sido muito bem explorada em outro momento e com uma outra visão. O problema é que ela segue todos os padrões estabelecidos pela cultura ocidental há séculos: o homem branco é destemido e disposto a qualquer coisa, e as pessoas de cultura diferente são estranhas e de hábitos peculiares. No final, o mocinho realiza seu feito e ainda ganha o respeito daquele povo esquisitão e sem modos. Ah sim, existe até donzela em perigo que precisa ser salva. Mais clichê, impossível, não?
Viggo Mortensen, um ator extremamente politizado e sempre com opiniões polêmicas e contrárias ao governo Bush, resolve protagonizar um filme carregado de preconceitos e estereótipos nocivos, principalmente com relação à cultura árabe. Não dá para entender como ele topou a empreitada.
Deixando essa parte de lado, nem assim a película se salva. A fotografia é exagerada, usando e abusando das paisagens para tentar comover a platéia. Na trilha sonora, não há nada que se destaque nem empolgue, e as cenas de ação lembram muito os antigos filmes de capa e espada.
Se não fosse o terrível problema de ser uma produção que mais parece uma propaganda pró-cultura ocidental, Mar de Fogo seria uma ótima diversão para um domingo à tarde. Mas não passa disso, e nem é preciso assistir no cinema. Dá pra esperar chegar em DVD tranqüilamente. Ou então, melhor ainda, deixe para ver na Sessão da Tarde, pois o filme parece ter sido feito para ser exibido no programa.
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