A Hollywood que fala de Hollywood

Por Ana Camila — Terça, 6 de abril de 2004

Bem-vindo ao Sobrecarga, seu destino para as principais matérias sobre Filmes, Séries, Quadrinhos, Música e muito mais... se você puder agüentar!

Use a barra superior do site para navegar entre os assuntos e confira, no final de cada texto, outras matérias relacionadas ao assunto.

Na barra lateral do site você encontra sempre boas ofertas de produtos relacionados ao universo pop, ajude o site visitando nossos patrocinadores.

Volte sempre!


Não é difícil entender por quê Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder (EUA, 1950) é considerado por muitos críticos como uma obra-prima da história do cinema. Por mais que esse conceito traga uma série de equívocos, o filme do diretor polonês consegue se manter religiosamente intenso e atual mesmo depois de mais de 50 anos.

O retrato de Hollywood proposto pelo filme parece ser cada vez mais necessário nos dias de hoje, principalmente por haver grande insatisfação por parte do público que procura por filmes de qualidade melhor – o que não quer dizer, óbvio, que os filmes hollywoodianos contemporâneos sejam todos ruins. Mas, para além disso, existe a qualidade de Crepúsculo dos Deuses relacionada à direção, que é excelente, e à presença de constantes metáforas que chamam atenção pelo fato de serem inseridas na história com tanta inteligência – algo difícil de acontecer hoje em dia, quando muitos dos novos diretores não herdaram tamanha habilidade.

Crepúsculo dos Deuses se propõe a fazer uma crítica irônica, sarcástica e um tanto ácida à frieza e ao mecanicismo da indústria cinematográfica hollywoodiana. Suas personagens representam os mitos criados pelos grandes estúdios, o fascínio pela fama e pelo sucesso e a obsessão daqueles que fazem de tudo para “subir na vida”, para conseguir o seu lugar em Hollywood. A maior parte das personagens do filme dá vida a esse quadro. Através da figura de Norma Desmond, Billy Wilder explora até que ponto o desejo pelo sucesso pode atingir psicologicamente o ser humano e como Hollywood, da mesma forma que oferece esse sucesso da noite pro dia, pode arrancá-lo sem dó nem piedade, condenando as antigas estrelas que ela mesma fabricou à decadência.

Há uma metáfora no filme nesse sentido: a casa de Norma é luxuosíssima por dentro, é a própria expressão do caráter de Norma; já por fora, a casa está destruída, abandonada, decadente, exatamente da forma que Norma foi deixada por Hollywood e que ela se nega a enxergar e aceitar. Já a personagem Joe Gillis representa o roteirista fracassado que faz qualquer coisa para se dar bem, inclusive se aproveitar da loucura e paranóia de Norma e da ingenuidade de Betty Schaefer, a inocente moça que sonha em escrever histórias para os grandes estúdios. Não só as personagens representam as “caricaturas hollywoodianas” as quais Billy Wilder quis espetar, mas a narração in off do próprio Joe – que é, nesse sentido, excepcional.

Servindo como guia ao espectador de suas memórias póstumas, a narração não perde, em nenhum momento, a chance de fazer ironias e citações sarcásticas ao universo de Hollywood. É essa narração que ataca a imprensa hollywoodiana (“que sempre aumenta os fatos”), que ressalta o quão importante, e até mesmo essencial, é ter bons contatos dentro dos estúdios, que debocha da decadência de um mito criado por essa indústria, que evidencia a boçalidade dos produtores, que mostra como esses empresários e publicitários faziam com que o público sequer se importasse com quem escrevia os filmes.

Além de tudo isso, Billy Wilder atribui à personagem Norma Desmond o sentimento de saudosismo em relação ao cinema mudo. Em um diálogo, ela diz: “Hollywood e seus empresários enforcaram o cinema com palavras”. E não só ele, mas o próprio Joe faz citações ao cinema mudo por todo o filme. Nesse particular, a atuação de Eric Von Stroheim é de extrema peculiaridade. Isso remete aos protestos dos diretores do cinema mudo à época do advento do som no cinema. Em outro momento do filme, há uma cena inusitada na qual um grupo de amigos (“escritores desempregados, compositores sem gravadora, atrizes com a ilusão de que serão contratadas”) comemora o Ano-Novo e canta com animação: “Hollywood não nos deu uma piscina, só roupas, botões e reverências...”.

Algumas outras pequenas coisas no filme são fascinantes, como as constantes referências ao mundo hollywoodiano, espécies de “piadas internas” as quais se tem oportunidade de ter conhecimento na versão em DVD do filme. Dentro desse contexto, existe a atuação do diretor Eric Von Stroheim, como Max, mordomo de Norma Desmond, que se colocou nessa posição para não deixar de servir à musa que ajudou a fabricar – ele fora seu diretor nos cultuados filmes mudos citados.

Foi interessantíssimo descobrir (na versão do DVD também) que o próprio diretor Von Stroheim dirigiu a atriz que interpreta Norma Desmond (Gloria Swanson) em seus filmes mudos e que um desses filmes foi exibido em Crepúsculo dos Deuses, na seqüência em que Norma assiste a um grande sucesso seu em sua casa ao lado de Joe Gillies. Nessa seqüência, ela lamenta o fim do seu estrelato e sucesso nas telas, o que se torna absolutamente irônico, já que o filme que ela está assistindo foi o último grande filme da atriz Gloria Swanson dirigido por Eric Von Stroheim.

Agrada-me esse tipo de cuidado com o filme, onde o diretor, de acordo com a sua proposta, consegue inserir elementos de detalhe que dão ao filme uma grandiosidade digna de obras-primas. E Crepúsculo dos Deuses esbanja essa competência, esse brilho, essa qualidade. Até mesmo a tradução do filme para o português foi bem feliz, o que raramente acontece. As armas desse que é um dos grandes filmes de Billy Wilder para atacar Hollywood são, sem dúvida, a ironia e o sarcasmo que permeiam todo o filme. E consegue – da forma mais fantástica de que até hoje se teve notícia.




VEJA TAMBÉM...
07/12 > 100 anos... 100 frases de filmes

 

COMPRAS
Game > Jogo PC Clássico - Tony Hawk´s Underground 2
Informática > Modem Portátil 56kbps para Palm Zire 71, Tungsten T/W e outros
Livro > Arco-Íris: Alfabetização - 4 (Escala Educacional(Ed.))
CD > Em Foco (Daniel)
DVD > O Poderoso Chefão de Xangai (Roc Tien, Tyan Heh)
Eletronico > MP3 Automotivo c/ Entradas USB Frontal e Auxiliar DEH-3UB Pioneer (Pioneer)
Informática > Ipaq Pocket PC RX4240
DVD > Fullmetal Alchemist - Vol.3

 

 


Superman - O Retorno
DVD duplo
Smallville
5ª Temporada - 6 DVDs

Carros l Os Sem-Floresta
DVD

Os Melhores Quadrinhos

Mythology: The DC Comics Art Of Alex Ross

Cirque Du Soleil:
Saltimbanco l La Nouba
DVD

Desperate Housewives
2ª temporada - 7 DVDs
Monk
1ª temporada - 4 DVDs

House l Grey's Anatomy
1ª temporada

Os Cavaleiros do Zodíaco:
Hades - Vol. 3 e 4

DVD duplo

Battlestar Galactica
1ª Temporada - 5 DVDs

Gravadores de DVDs
A partir de R$ 599,00
XML
© 2003 SOBRECARGA LTDA. Todos os direitos reservados Powered by Drupal. Uniela Unium. Tecnologia