 |
A Fama do Necronomicon
Por Alexandre Nix — Quarta, 7 de abril de 2004
|
|
Bem-vindo ao Sobrecarga, seu destino para as principais matérias sobre Filmes, Séries, Quadrinhos, Música e muito mais... se você puder agüentar!
Use a barra superior do site para navegar entre os assuntos e confira, no final de cada texto, outras matérias relacionadas ao assunto.
Na barra lateral do site você encontra sempre boas ofertas de produtos relacionados ao universo pop, ajude o site visitando nossos patrocinadores.
Volte sempre!
|
Não sei se é porque escrevo ou simplesmente porque ando em más companhias, mas conheço tanta gente tentando lançar um livro e querendo até, por que não, ter sua obra imortalizada no inconsciente coletivo, que me perco pensando nos caminhos que essa gente tem trilhado. Recentemente, me toquei de uma coisa: para um livro ficar famoso, não é preciso nem escrevê-lo!
Concordo que H.P. Lovecraft nunca foi tão famoso quanto Edgar Allan Poe, porém Lovecraft criou um livro que hoje em dia é mais pop do que toda a sua obra e a de Poe juntas. O irônico é que ele nunca o escreveu.
Já explico: O "Necronomicon", também conhecido como "O livro dos mortos", foi uma invenção de Howard Phillips Lovecraft, escritor norte-americano de horror, nascido em 1820. Um livro fictício que tratava de segredos terríveis e inomináveis sobre os antigos deuses e suas hediondas facetas. Ensinava como evocar, controlar e banir criaturas demoníacas, realizar feitiços e coisinhas do gênero.
O livro foi criado para dar tempero em suas histórias, como um personagem secundário e reincidente. Volta e meia, o Necronomicon aparecia em seus contos, citado com destaque ou no meio de uma sinistra lista de livros de ocultismo ficcionais e reais. Tudo pra dar aquele tal tempero de verossimilhança, gerando uma mistificação maior ainda para o leitor, que depois de um tempo pode começar a duvidar se o tal livro realmente é ficcional. No entanto, ele apenas fora citado. Nunca havia realmente existido um Necronomicon.
Para aumentar ainda mais essa aura de mistério e dúvida, o autor recheou seus contos com informações detalhadas e igualmente fantasiosas sobre a obra maldita. Copiei abaixo algumas para dar uma noção do detalhismo de H.P. Lovecraft.
Segundo ele, o Necronomicon foi escrito originalmente pelo árabe louco Abdul al-Hazrad, em 730 dC. Em 950 dC, o livro ganhou a primeira tradução conhecida, para o grego, por Theodoras Philetas. A tradução não continha os desenhos, mapas ou qualquer gráfico. Uma pequena tiragem impressa na Itália foi suprimida pela Igreja e a última cópia conhecida foi destruída em Salem, em 1692.
A tradução para o latim ocorreu em 1228, por Olaus Wormius.
Primeiramente, circulou em forma de manuscrito, porém no século XV foi impressa na Alemanha. Uma segunda edição idêntica foi publicada também na Espanha no começo do século XVII. Finalmente a tradução para o inglês foi feita por John Dee em 1586. Existe apenas em forma de manuscrito e só é conhecido o paradeiro de três cópias atualmente.
A fama desse livro, no entanto, é discreta e puramente referencial. O Necronomicon está presente no cinema, na trilogia Evil Dead, do (agora pop) diretor Sam Raimi; nas HQs Hellblazer, com John Constantine consultando sua versão encadernada e com anotações de rodapé; nos games, infernizando a vida do jogador de Alone in The Dark ou até mesmo na adaptação de Evil Dead para Playstation.
Isso sem contar com inúmeros outros filmes trash, RPGs e séries de TV baseadas ou com elementos da obra de H.P. Lovecraft. Hoje, a brincadeira começa a tomar proporções mais ridículas. Uma pequena pesquisa na Amazon pode revelar que você, meu caro, munido de um cartão de crédito, pode comprar o Necronomicon! Calma. Não se empolguem! Obviamente é outra fraude. Se os otários não existissem, o que seria dos malandros? Ed Simon, aproveitando a fama da obra ficcional, resolveu simplesmente escrever o seu Necronomicon e ganhar seu dinheirinho com os trouxas e os nerds que sabem que é uma farsa, mas compram mesmo assim. Depois de Ed, ainda vieram outros querendo um pedaço do bolo e vendendo suas versões “originais” da obra.
Se você é um desses nerds que mesmo assim querem comprar um Necronomicon, sugiro então que comprem a versão ilustrada pelo grande H.R. Giger e com introdução de Clive Barker.
Tá vendo? E você aí se esforçando para conseguir um contrato legal com uma editora e umas visitas do Programa do Jô! Tsc, tsc, tsc...
|
 |