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Filmanimação
Por Luiz Eduardo Ricon — Quinta, 1 de abril de 2004
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A coluna da semana passada me deixou morrendo de vontade de falar um pouco mais sobre a Filmation.
Quem tem menos de 30 anos provavelmente nunca ouviu falar de Lou Scheimer, Norm Prescott, Hal Sutherland ou do estúdio Filmation. Mas esses nomes com certeza fazem parte das boas lembranças televisivas de quem (como eu) já balzaqueou faz tempo.
Em mais de duas décadas de trabalho, os estúdios Filmation produziram uma galeria expressiva de séries animadas (e algumas live-action), que iam desde as cômicas (lembra de A Mansão dos Horrores?) e infantis (He-Man e She-Ra) até verdadeiros clássicos da ficção científica (Jornada nas Estrelas, Viagem Fantástica, Viagem ao Centro da Terra) ou heróis clássicos (Batman, Tarzan e Shazam!), aproveitando tanto personagens e personalidades conhecidos (Archie, Jerry Lewis, Jackson 5) quanto desenvolvendo produtos originais (Blackstar, Bravestar, Ark II ).
Concorrente direta dos estúdios Hanna-Barbera, a Filmation foi um fruto da migração dos desenhos animados do cinema para a TV. Afinal, quando os desenhos animados passaram a habitar a telinha, deixando a telona apenas para os longa-metragens, a própria maneira de se produzir animação mudou bastante.
O que antes era um trabalho elaborado, demorado e profundamente detalhista teve de se adequar a uma estrutura onde a rapidez, o orçamento reduzido e as soluções criativas e econômicas eram fundamentais para se produzir seriados com 20, 30 episódios por temporada.
Daí, enquanto a Hanna-Barbera enveredou por num estilo minimalista, onde os cenários se repetiam exaustivamente e muitas vezes somente os braços, olhos e boca dos personagens eram animados (veja os primeiros desenhos do Zé Colméia, por exemplo), a Filmation investiu pesado em outras soluções, que marcaram profundamente o seu estilo de fazer desenhos animados.
E é justamente por causa desse estilo peculiar de animação que a Filmation é lembrada com carinho ou criticada até hoje.
O estilo Filmation de animação passava pelo design de personagens e cenários realistas, por histórias bem desenvolvidas e pelo uso extensivo de efeitos de rotoscopia (técnica de animar sobre cenas filmadas com atores), padrões moiré, pontilhismos e retículas (que davam um look pop art aos desenhos) mas pecava por contar com um repertório reduzido de movimentos para os personagens (que acabavam se repetindo demais, inclusive em séries diferentes!). Essa limitação acabou sendo a origem das críticas mais ferozes ao estilo Filmation.
Olha, eu até reconheço que era mesmo um pouco estranho ver o Batman, o Tarzan e o He-Man andando da mesma forma, pulando do mesmo jeito e dando as mesmas piruetas. Mas pessoalmente isso sempre me encantou mais do que incomodou.
Sou fã da Filmation e pronto!
Infelizmente, em meados dos anos 80, a Filmation entrou em crise e foi vendida para a L'Oreal (sim, a dos cosméticos!) que declarou a falência e fechou a empresa (provavelmente para aliviar a carga de impostos de outras áreas do conglomerado), abandonando o acervo do estúdio ao Deus-dará. Depois de vender a Filmation, Lou Scheimer, o seu eterno presidente, fundou a Lou Scheimer Productions, mas jamais conseguiu recuperar o brilho de seu antigo estúdio.
Atualmente, os direitos dos produtos da Filmation (pelo menos das séries que envolviam personagens originais) estão com a Hallmark (sim, a dos cartões!) e não me parece que alguém pretenda, algum dia, ressuscitar os personagens e histórias que marcaram a infância de tanta gente, inclusive a minha.
Para mais detalhes sobre a Filmation, vale uma fuçada na internet, começando por aqui ou por aqui.
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