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Um pai, dois filhos
Por Sissi Freire — Quinta, 1 de abril de 2004
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Como a genética pode criar duas criaturas tão diferentes vindas de um mesmo pai? Obviamente vocês vão me dizer que o fator “mãe” influi nessa diferença, principalmente quando cada filho é de uma mãe diferente.
Caso você ainda não tenha percebido, o tema de hoje é o novo drama da FOX: One Tree Hill, aonde Lucas (Chad Michael Murray) e Nathan (James Lafferty) Scott são filhos do famigerado Dan Scott (Paul Johansson), um homem sem tato e nem escrúpulos quando o assunto é ganhar. Seja em um jogo de basquete ou no dia a dia de sua vidinha medíocre. A rixa entre os dois meio-irmãos, que vem desde a adolescência, ganha força e toma forma quando ambos começam a disputar abertamente o título de melhor jogador do time de basquete da escola e uma vaga no coração de Peyton (Hilarie Burton).
Até ai não disse nada demais, uma vez que todo mundo sabe que uma série dramática de sucesso sempre envolve rivalidades e triângulos amorosos. Só que eu não vim aqui para falar da briguinha besta entre Lucas e Nathan e sim do vínculo que, mesmo que ambos não gostem, os une: a raiva que sentem do papai Dan.
Nathan, criado pelo pai e teoricamente amado, sofre uma pressão psicológica muito grande. Tem que ser o melhor do time, tem que jogar golfe melhor que o pai, tem que bater o record do pai – que não coincidentemente foi jogador do mesmo time de basquete em sua época de colégio – e acima de tudo, tem que achar que todas essas cobranças são uma prova do amor que Dan sente por seu filho.
Lucas por sua vez, tímido e introspectivo, foi criado pela mãe que foi vergonhosamente abandonada por Dan na adolescência. Amparada pelo irmão do fujão, Keith Scott (Craig Sheffer), Karen (Moira Kelly) deu a Lucas toda sua base moral e encheu o menino de amor. Lucas foi criado em um ambiente totalmente diferente de Nathan, mas nem todo amor do mundo pode apagar da sua vida o fato de ter sido rejeitado pelo pai.
As coisas se complicam – ou começam a entrar nos eixos - quando os dois irmãos começam a se entender. Pode ser temporário, pode ser superficial, mas a verdade é que uma base de respeito se firmou entre os dois, algo que as vezes beira a admiração muda e mútua que um Scott sente pelo outro. E o fato de ambos se sentirem ameaçados pela figura paterna nada perfeita de Dan parece que vai tornar esse laço ainda mais forte.
Quem sai perdendo? O tal “paizão” que com suas cobranças leva Nathan a recorrer ao uso de drogas durante um jogo visando mostrar na quadra que ele é muito melhor do que o fantasma do pai.
Quem sai ganhando? Todo o resto da cidade que no fundo no fundo, não vai com a cara de Dan. Afinal o cara é um hipócrita, metido a perfeito que só destrói tudo que toca. É provável que além de perder o filho ele perca a mulher e o restinho de moral que ainda lhe cabe no bolso.
Vale a pena mesmo colocar toda sua frustração em cima de seus filhos tentando torná-los algo que você gostaria de ter sido? Será que vale pagar o preço de esticar a corda ao máximo e vê-la arrebentar do lado mais fraco?
Assista One Tree Hill na FOX toda quinta feira (se não tiver futebol!!!!) às 21:00 com reprise sexta feira 1:00 e sábado às 18:00.
Para os curiosos seguem as seguintes informações sobre o elenco:
Chad Michael Murray tem um rosto bem conhecido. Seu currículo inclui Uma Sexta Feira Muito Louca (Freaky Friday), Gilmore Girls eDawson’s Creek.
Craig Sheffer tem um daqueles rostos que a gente conhece mas não sabe bem de onde. Ele já participou de vários filmes, clique aqui e confira. De repente você se lembra de algum. Além disso você deve lembrar de tê-lo visto em participações especiais em Family Law e no piloto de Fastlane.
Já James Lafferty fez três participações especiais na terceira temporada de Once And Again e um episódio da primeira temporada de Boston Public.
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