 |
Nós vimos: Scooby-Doo 2
Por Marco Tomazzoni — Quarta, 31 de março de 2004
|
|
Bem-vindo ao Sobrecarga, seu destino para as principais matérias sobre Filmes, Séries, Quadrinhos, Música e muito mais... se você puder agüentar!
Use a barra superior do site para navegar entre os assuntos e confira, no final de cada texto, outras matérias relacionadas ao assunto.
Na barra lateral do site você encontra sempre boas ofertas de produtos relacionados ao universo pop, ajude o site visitando nossos patrocinadores.
Volte sempre!
|
Quem viu o primeiro filme sabe como foi decepcionante ver a nostálgica turma de investigadores da Hanna Barbera ser tão maltratada na tela grande, numa historinha fraca, com elenco sofrível e um Scooby digital pra lá de capenga. Dito isso, é um pouco surpreendente encontrar uma nova aventura desembarcando nos cinemas apenas dois anos depois.
Bem, nem tanto se observarmos o quanto Scooby-Doo arrecadou nas bilheterias – só nos EUA, a bagatela de 153 milhões de dólares, número mais do que encorajador para que a Warner acelerasse a produção de um novo filme. Isso também justifica a volta do diretor Raja Gosnell (Vovó... Zona, Fui Beijada e Esqueceram de Mim 3) e do roteirista James Gunn ao comando. Alguém esperava, portanto, alguma mudança radical para Scooby Doo 2 – Monstros à Solta?
É claro que não. Está certo que, no final das contas, a nova empreitada revela-se melhor do que a primeira, mas convenhamos que, com esse nível de comparação, isso não era lá muito difícil. Vamos rapidamente à história: os cinco integrantes da Mistério S.A. – a saber, Fred (Freddie Prinze Jr.), Daphne (Sarah Michelle Gellar), Velma (Linda Cardellini), Shaggy “Salsicha” Jones (Matthew Lillard) e o cachorro Scooby Doo (mais uma vez gerado digitalmente) – comparecem aclamados pelo público ao lançamento de uma nova exposição no Museu de Criminologia de sua cidade, Vila Legal (Coolsville, no original).
Trata-se de uma mostra ilustrando os principais casos resolvidos pela turma, em que as fantasias dos vilões são a atração principal. Só que uma delas, um pterodátilo, inexplicavelmente ganha vida, faz um estrago daqueles e foge. A aparição de um vilão mascarado e o desaparecimento de outras das roupas acaba abalando seriamente a credibilidade do grupo perante a população, que exige uma solução para o mistério.
Como não podia deixar de ser, é justamente isso que a Mistério S.A. vai fazer, mas com uma diferença: Scooby e Salsicha, sentindo-se inferiorizados, planejam encabeçar as investigações e mostrar seu valor como detetives. A-hã...
Ao longo da história, outros monstros da exposição começam a aparecer. O curioso é que as criaturas foram realmente retiradas de antigos episódios do desenho animado, mas só fãs de longa data vão perceber o detalhe. Ainda há espaço na trama para os personagens de Seth Green (Austin Powers), curador da exposição do museu e par romântico de Velma (!); da lindinha Alicia Silverstone, uma repórter de tevê muito interessada em infernizar a vida dos investigadores; e de Peter Boyle (do seriado Everybody Loves Raymond), um antigo bandido preso pela trupe e que pode estar por trás dos estranhos eventos em Vila Legal.
E o filme? Bem, o caminho que Gosnell e Gunn novamente escolheram para caracterizar a jornada investigativa da turma não dá em lugar nenhum e, acredito, não agrada ninguém. O filme todo é inspirado numa estética clássica dos cartoons, adotando cores berrantes nos figurinos e cenários, efeitos sonoros engraçadinhos (“tóinnnn”), além dos clichês e soluções típicas do gênero. Aliado a isso, Scooby Doo 2 carrega ainda uma roupagem teen, com todas as chatices que isso acarreta, ou seja, trilha sonora carregada de hard rock / rap (com direito a algumas cenas-videoclipe) e as indefectíveis piadas sobre flatulência (no caso, canina). O saldo não podia ser mais irregular.
O lado cartunesco até anima um pouco e garante alguns momentos engraçados, mas pessoas com mais de doze anos vão acabar cansando da ingenuidade de certas piadas e situações. O público-alvo, então, são as crianças, você pode imaginar. Isso é fato, não fossem algumas poucas referências adultas e outras sutis – repito: sutis! – ao uso de drogas (envolvendo o riponga Salsicha, é claro), que talvez deixem os pequeninos um pouco encucados. Adolescentes até curtem esse tipo de coisa, mas, justamente por uma parcela da história ser notadamente infantil, a gurizada deve encher a paciência logo, logo.
O ponto positivo são os efeitos, muito bem realizados e com ótimo acabamento. Scooby continua não lembrando em nada tanto o personagem original do desenho quanto um cachorro de verdade, mas o design do herói pelo menos não atrapalha a condução da história e tem boa desenvoltura nas cenas com atores reais. Além da questão visual, por incrível que pareça a tradicional estrutura das histórias de Scooby-Doo – principalmente o final vilão-tira-a-máscara-e-reclama-desses-moleques-atrevidos-e-desse-cachorro-maldito – ainda tem seu charme, e deve agradar os mais saudosistas.
O toque final é esse: se você não tem absolutamente nada para fazer, está com muita vontade de gastar uma hora e meia no cinema e já viu tudo que está em cartaz, bem, aí então vale a pena dar uma conferida em Scooby Doo 2 – Montros à Solta com a criançada. Caso contrário, não se dê ao trabalho.
Última nota: o público norte-americano acabou engolindo a fita. Talvez pela falta de melhores lançamentos, Scooby Doo 2 arrecadou 30,7 milhões de dólares em seu final de semana de estréia, semana passada. Será que os brasileiros vão cair nessa também?
|
 |