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O pirata Johnny Depp
Por Ana Camila — Sexta, 26 de março de 2004
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Johnny Depp sempre foi um ator que me chamou atenção. Prestes a completar 40 anos (no dia 19 de junho) e estrelando filmes desde 1984 (estreou em A Hora do Pesadelo), Depp é daqueles atores que passou dos personagens inexpressivos em filmes pop dos anos 80 para grandes papéis em grandes filmes hollywoddianos. E mais interessante que isso é observar que ele sempre escolheu fazer papéis bem diferentes um do outro, evitando o terror que é ser caricaturado (como Jim Carrey ou Wesley Snipes são, por exemplo).
Alguns dos últimos papéis do Johnny Depp me chamaram bastante atenção. No filme Era uma Vez no México, ele interpreta o agente da CIA Sands e é responsável pelos poucos bons momentos do filme (que é uma porcaria), com excelentes diálogos incorporados por uma atuação impecável. A ironia, o sarcasmo, o sorriso cínico, tudo requintado com uma beleza surpreendente que é sempre explorada pelos diretores nos filmes nos quais atua.
Mas recentemente, assisti a Piratas do Caribe e fiquei extasiada. Já vi quase toda a filmografia do Depp, mas não me lembro de tê-lo visto tão bem em algum outro papel. É fato que o ator já fez papéis bem excêntricos, principalmente em alguns filmes do diretor Tim Burton – como o famosíssimo Edward Mãos de Tesoura e o A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça –, mas é incrível como o personagem do pirata Jack Sparrow nasceu para ser entregue ao talento do Johnny Depp.
Piratas do Caribe tem algo que eu simplesmente amo no cinema: graça. O filme tem muita graça, tem a capacidade de fazer rir do início ao fim e isso devido a personagens muito bem construídos e a um trabalho de roteiro quase impecável, com diálogos maravilhosos. Não me lembro de ter dado tanta risada com um filme nos últimos tempos. Mas é absoluta ingenuidade dizer que essa graça toda é fruto da atuação inusitadíssima de Johnny Depp. Mais bonito do que nunca, o ator incorpora um pirata com um jeito meio afeminado e que está sempre preocupado apenas com o seu navio, passando por cima de todo mundo com a típica esperteza dos grandes anti-heróis do cinema.
A caracterização de pirata Jack Sparrow é caricatural e, por isso mesmo, divertidíssima. Ele é único no filme, o protagonista que atrai a atenção de todos, com um modo de andar e falar muito engraçados, com falas irônicas e às vezes com um tom de "menino pequeno". A ambigüidade que Jack representa dentro da história só o faz mais autêntico, e torna o filme muito mais interessante.
Eu gosto muito de alguns atores que surgiram assim nos anos 80. Brad Pitt, por exemplo, um cara que, além de lindo, é ótimo ator e ainda teve a capacidade de ter em 90% da sua filmografia apenas bons filmes. Mas Johnny Depp... Ele tem alguma coisa que atrai muito mais. Talvez a disposição, coragem e competência de estar sempre fazendo não só personagens muito diferentes uns dos outros, mas de fazê-los de forma tão única, tão dele. E isso sempre foi raro na história do cinema, principalmente nesse cinema contemporâneo.
O próximo filme de Johnny Depp, Janela Secreta, ainda está para estrear no Brasil, e o ator interpreta um escritor em crise. Existe ainda um outro projeto onde Depp está envolvido, chamado The Libertine. Certamente algumas boas surpresas e a certeza de uma grande atuação, mesmo que em filmes ruins.
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