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Batman Animado
Por Luiz Eduardo Ricon — Sexta, 26 de março de 2004
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Batman sempre foi um dos meus personagens preferidos.
O fato de ele ser um homem comum, sem super-poderes (a não ser a inesgotável fortuna das Empresas Wayne) e que, movido pela força de um propósito, se transforma em alguém capaz de rivalizar com o Super-Homem já diz muito sobre esse personagem, criado por Bob Kane em 1939, na revista Detective Comics.
Por essas e outras, sempre coloquei o homem-morcego na minha galeria pessoal de heróis prediletos, onde (além dele) figuram até hoje o Zorro, o Fantasma (o Espírito-que-anda) e Tarzan, todos eles heróis que guardam muitas semelhanças entre si. Mas abro uma exceção para o Homem Aranha, o Capitão América e o Hulk, que já são heróis mais para o lado super, mas que ainda assim me acompanham desde a infância.
Obviamente meu primeiro contato com o Batman (quando criança) não se deu nos quadrinhos, mas na TV, através da série campy estrelada por Adam West e Burt Ward. Além dos cenários coloridos, das onomatopéias que acompanhavam as lutas e da deliciosa galeria de “vilões especialmente convidados”, uma das coisas que mais gostava naquelas mesmas bat-horas e mesmos bat-canais era a abertura do seriado, feita em desenho animado.
A abertura mostrava Batman e Robin descendo a mão nos vilões, só que animados em movimentos bem toscos, que remetiam diretamente à linguagem dos quadrinhos. Eu também ficava esperando para ver se a Batgirl ia aparecer junto com a dupla dinâmica, o que indicava que lá estaria Ivonne Craig, com seus cabelos ruivos (na verdade uma peruca, pois a atriz era morena em sua identidade secreta de Bárbara Gordon) e sua deliciosa roupa púrpura colada no corpo. Era fetiche total, reconheço, assim como com a gatíssima Julie Newmar como ronronante Mulher-Gato.
Mas além de impulsos libidinosos bastante precoces, o seriado de Batman despertou em mim o genuíno desejo de ver mais desenhos animados de Batman e Robin, um desejo atendido prontamente pelo estúdio Filmation, que em 1968/69 lançou a série Batman-Superman Hour, juntando pela primeira vez esses dois super-amigos, alternando episódios, mas jamais promovendo um encontro entre eles (pelo menos que eu me lembre).
Em episódios um pouco mais fiéis aos quadrinhos do que o seriado com atores, os desenhos usavam a abusavam de clichês, como o fato de todo vilão ter seu veículo (para rivalizar com o Batmóvel). Assim, o Coringa tinha um carro com um enorme sorriso e a Mulher-Gato tinha um coupé equipado com orelhas e rabo de gato (!!!), sem contar o inevitável furgão frigorífico do Senhor Gelo e a van de padaria de Simão, o Doceiro (!!!), um dos vilões mais surrealistas que a dupla dinâmica já enfrentou, influência clara do seriado de TV, que abusava de vilões de gosto duvidoso.
Sendo um estúdio bastante prolífico (que criou desenhos clássicos para várias gerações, como Lassie, Star Trek, Viagem Fantástica e mais tarde He-Man e She-Ra), a Filmation lançou, ao longo das décadas seguintes mais duas séries de Batman: The New Adventures of Batman (1976/77) e a Batman-Tarzan Adventure Hour (1977/78), juntando o Batman (como já tinham feito com o Superman) com outro dos meus heróis favoritos, ainda que o Tarzan tivesse traços meio latinos ou indianos demais para um lorde inglês e andasse por aí dando cambalhotas na companhia de um mico chamado Nikimba. Mas nada se comparava ao desprazer de assisitir Batman e Robin às voltas com o insuportável Bat-Mirim, uma espécie de sr. Mxyzptlk ainda mais chato. Como curiosidade, vale registrar que as vozes de Batman e Robin eram feitas por Adam West e Burt Ward, o que, para nós que assistíamos na “versão brasileira AIC São Paulo” não fazia mesmo a menor diferença...
Antes desse período, a licença do Batman passou um tempo na Hanna-Barbera, que teve a brilhante idéia de colocar os dois heróis de Gotham como convidados especiais de uma série do Scooby-Doo. Sinceramente, acompanhar Salsicha e Scooby ou ajudar a Velma a desvendar o mistério do parque de diversões para no final ainda capturarem o Coringa com aquelas armadilhas ridículas é um dos pontos mais baixos que se pode chegar na carreira de super-herói, só rivalizado pelo fato dos convidados dos outros episódios do Scooby serem a Família Dó-Ré-Mi (alguém se lembra?) ou os Três Patetas...
Para se redimir (provavelmente) os estúdios HB decidiram presentear Batman e Robin com uma cadeira (duas, melhor dizendo...) na Sala de Justiça, onde, diante de um telão gigante e de um computador escandaloso, eles se uniram aos Super-Amigos em 1973, para enfrentar terríveis vilões espaciais ou ajudar adolescentes perdidos no meio do mato (dependendo da “criatividade” dos roteiristas). Os Super-Amigos tiveram várias séries e temporadas, algumas terríveis, outras interessantes para os fãs de quadrinhos, por mostrarem heróis e vilões queridos dos fãs da DC Comics, como Flash, Lanterna Verde, Homem-Águia (como era chamado o Gavião Negro), Lex Luthor, Bizarro e outros (especialmente as que contam com a “Legião do Mal”).
Como se vê, depois de décadas de pagação de mico na TV, os desenhos animados do Batman mereciam mesmo uma releitura, a exemplo do que Frank Miller e Mazzuchelli (entre outros) fizeram nos quadrinhos. É aí que entra o Tiny Toons.
Sim, foi graças ao sucesso de Tiny Toons que nomes como Paul Dini e Bruce Timm, respectivamente roteirista e diretor dos melhores episódios da série estrelada por Perninha, Lilica e companhia, entraram na jogada. Dini e Timm receberam um dia um memorando da direção do departamento de animação da Warner Bros., dizendo que a companhia, na cola do sucesso do filme de Tim Burton, estava aberta a propostas para uma nova série animada do Batman.
Rapidamente, os dois produziram um clip sombrio e bastante impressionante, onde um Batman fantasmagórico observava uma Gotham ainda mais gótica e retrô que a de Tim Burton. Impressionados, os executivos deram o sinal verde e, em 1992, nascia Batman: the Animated Series, até hoje a mais aclamada adaptação do herói para uma outra mídia.
O sucesso da série fez a Warner encomendar uma suavizada no design e nos temas, infantilizando a série nas temporadas seguintes, mas ainda assim dando origem a alguns dos momentos mais interessantes dos super-heróis nos desenhos animados, com episódios dramáticos (como a origem do Duas Caras), inventivos (como o episódio que mostra três visões diferentes do Batman, uma delas homenageando o Cavaleiro das Trevas de Frank Miller) e outros.
A série Batman Animated gerou alguns longas que infelizmente não chegaram ao cinema por aqui (mas saíram em DVD) e deram origem a outros bons desenhos, como Batman do Futuro, Superman, Liga da Justiça e a mais recente, Jovens Titãs, numa ótima série de seriados de super-heróis.
Tudo isso culmina numa série que vai ter seu próximo e promissor capítulo com The Batman, que eu, como bom e fiel fã de carteirinha do homem-morcego, já estou esperando ansiosamente.
Links sobre o Batman:
- Cronologia do personagem: http://thebatman.bravepages.com/comics/timeline.htm
- Algumas séries animadas do Batman: http://www.bcdb.com/bcdb/search.cgi
Veja tambem mais imagens do novo desenho do Batman aqui.
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