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The Doors - A mentira de Oliver Stone
Por Tiago Cordeiro — Quarta, 24 de março de 2004
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Jim Morrison, vocalista da banda The Doors, foi um dos maiores cantores e letristas que o rock'n'roll conheceu, tendo se tornado um ícone para os Estados Unidos, ao surgir em um momento em que bandas inglesas dominavam o cenário e apenas Elvis Presley existia como representante do estilo. Um filme contando a sua história deveria ser encarado não apenas como uma honra, mas também como uma imensa responsabilidade. Oliver Stone o viu como prato cheio para despejar sua visão de cinema movida pela morbidez (como também nos filmes JFK e Assassinos por Natureza).
Para começar, Stone foi o diretor que transformou um dos mais importantes letristas do rock'n'roll em um bêbado e viciado em drogas e sexo. No filme homônimo da banda, a atuação visceral de Val Kilmer e sua inacreditável semelhança com o cantor mascaram o engodo de Stone em transformar um jovem poeta dos anos 60 que teve problemas com álcool e drogas em um homem resumido pelas palavras depressivo e auto-destrutivo. Ninguém pode negar que Morrison morreu em virtude dos excessos que cometeu, mas o filme vai além dessa conclusão. Transforma suas fraquezas em características principais de um artista com virtudes como sua criatividade, voz e carisma no palco.
Na ocasião, Ray Manzarek, tecladista e membro fundador da banda, detestou o que viu. “Stone fez Morrison parecer um tarado. Jim era muito mais inteligente, sensível e artístico do que a estranha e superficial idéia que Stone exibiu. É um mau retrato do meu amigo”. Manzarek ainda sintetizou que “nós nos divertimos muito e tivemos ótimos momentos juntos” agora assista a The Doors, o filme e perceba como Stone coloca a relação da banda em queda descendente, com a ridícula exceção de uma “reunião final” onde os músicos dizem que adoraram tocar com o "Rei Lagarto" e ele se despede.
Não é a primeira e nem a última vez que o diretor faz o que quer com a realidade. Pergunte a um especialista em história norte-americana os furos de JFK. Pena que, aqui, o diretor pecou não por mudar completamente, mas alterar detalhes que tornam o Morrison vivido por Kilmer muito diferente daquele que morreu em Paris. Resta saber qual foi a intenção de Stone, já que descrever Morrison, o poeta e cantor, não foi.
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