Liberdade é fundamental, mas você sabe disso?

Por Alexandre Maron — Segunda, 22 de março de 2004

Bem-vindo ao Sobrecarga, seu destino para as principais matérias sobre Filmes, Séries, Quadrinhos, Música e muito mais... se você puder agüentar!

Use a barra superior do site para navegar entre os assuntos e confira, no final de cada texto, outras matérias relacionadas ao assunto.

Na barra lateral do site você encontra sempre boas ofertas de produtos relacionados ao universo pop, ajude o site visitando nossos patrocinadores.

Volte sempre!

Nosso querido SoBReCarGa fala todos os dias sobre histórias em quadrinhos, filmes, RPGs, videogames e tudo o mais. Em nossos textos, falamos mal, elogiamos e analisamos a produção da cultura pop. Mas imagine o que aconteceria se todos os autores de cada uma das muitas obras detonadas por nossos críticos resolvesse reclamar de nossas opiniões. Imagine se eles resolvessem ir atrás de O Globo, da Zero Hora, da Folha, dos telejornais e das rádios.

Isso não acontece porque há uma coisa chamada liberdade de expressão. Esse princípio norteia o nosso direito de comentar os assuntos do momento. Esse princípio é uma das conquistas mais importantes de nossa sociedade e não deve ser desprezado.

Nos últimos meses, diversas corporações atacaram blogueiros, ameaçando-os com processos milionários que poderiam destruir suas vidas se eles não retirassem textos que faziam comentários negativos sobre determinadas empresas. Assustados, alguns desses blogueiros recuaram e mudaram seus textos. Outros botaram a boca no mundo e compraram a briga contra esses valentões digitais. No meio dessa história, uma questão importante surgiu...

Há pessoas que se sentem incomodadas quando são citadas negativamente em um texto. Pior do que pessoas são corporações com interesses comerciais envolvidos. E ver seus nomes escritos em textos com críticas negativas que aparecem no Google, quando um cliente em potencial faz uma busca, os incomoda tremendamente.

Pense bem: quando você está decidindo se vai ou não gastar R$ 12,00 para ver um filme no cinema, é comum ir até o Google ou ao Yahoo, digitar o nome do filme e ver o que as pessoas estão dizendo sobre ele. Um desses sites certamente será o SoBReCarGa. E o que estiver escrito ali pode influenciar sua decisão a respeito do emprego do seu rico dinheirinho.

Da mesma forma, se um cliente quer comprar um eletrodoméstico e, ao fazer uma busca na rede, descobre que diversas pessoas tiveram algum problema com aquele produto, há uma grande chance de que isso seja o suficiente para você ir procurar outra marca.

Ao falar de um livro, um filme, uma obra qualquer de entretenimento ou de arte, qualquer pessoa tem o direito de dizer o que pensa sobre aquilo. Quando estamos falando de pessoas ou corporações, tudo muda de figura e um campo de tons de cinza começa a surgir. É por isso que a crítica fala da obra por si ou, sob a luz da história, da pessoa de seu autor. Não se coloca em questão a Warner Bros. quando um crítico fala mal ou bem da série Matrix. Da mesma forma, não estamos falando que a Sony-Columbia é a salvadora do planeta Terra só porque eles trouxeram Homem-Aranha (e, este ano, Homem Aranha 2) para os cinemas do mundo.

Quando você usa um serviço, pode também botar a boca no mundo? Claro. Se você vai a um cinema como o Kinoplex, no Itaim em São Paulo, e descobre que ali não há uma bilheteria para quem comprou pela internet, tem mais é que contar para os seus amigos e fazer pressão para que a direção do cinema se mexa e trate seus clientes com respeito. Essas empresas que se acostumem com os novos poderes adquiridos pelos consumidores e botem suas barbas de molho.

E pense que esse direito de botar a boca no mundo é recente. Aqui no Brasil, cerca de 20 anos atrás, a censura era algo normal ainda. Um filme podia ser cortado antes de chegar aos cinemas. Uma revista poderia ser alterada, um livro também... Você pode conceber isso?

Você pode imaginar um mundo em que os weblogs, os websites, as revistas e os programas de rádio e TV não podem comentar nada? Se esses meios são um reflexo da sociedade, eles naturalmente estarão falando do que está na cabeça das pessoas. Qual seria o destino de sites como o Epinions ou o Ivox em uma sociedade na qual as pessoas são proibidas pelas corporações de falar abertamente sobre o que pensam? Mas não se esqueça de que essa liberdade carrega um dever supremo do comentário ético. Isso não é algo regulado somente por leis, mas por regras sociais cheias de sutilezas. A maior delas é que se deve falar do que se conhece para não se falar besteira.

As pessoas têm que ser livres para dizer o que pensam. É um direito inalienável e que os poderosos tentam caçar de tempos em tempos. Quem controla os cinemas iria adorar se tudo que se veicula sobre os filmes dos quais eles vendem ingressos fosse material controlado, cheio de elogios, garantindo alguns milhões a mais de faturamento. Mas felizmente não é assim, e você pode conferir tudo isso aqui mesmo.

É por isso que eu uso o exemplo dos pobres blogueiros enfrentando as tentativas de censura por parte de empresas irritadas, grosseiras e mal educadas. Porque o direito de dizer o que você acha de algo e alguém é a base de uma sociedade democrática, seja na hora de falar mal de uma empresa em um weblog ou na boa e velha resenha que você encontra no site de cultura pop.

Links importantes:

Para botar a boca no mundo:
Epinions - www.epinions.com
IVox - www.ivox.com.br

Blogs que sofreram tentativa de censura:
CrisDias (colaborador do SoBReCarGa) - www.crisdias.com
Edney - www.interney.net

A referência em liberdade de expressão na Internet:
Eletronic Frontier Foundation - www.eff.org





COMPRAS
1

 

VEJA TAMBÉM...
15/05 > REM em prol da liberdade online
13/05 > Veja o filme, leia o livro, acesse o blog
22/04 > De Internauta e de louco...
11/03 > George Michael exclusivo da internet

 

 

XML
© 2003 SOBRECARGA LTDA. Todos os direitos reservados Powered by Drupal. doismidela subretuza. Tecnologia