O segredo dos mangás - parte 2

Por Rafael Cardoso — Segunda, 22 de março de 2004

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O leitor mais atento deve ter estranhado o título, mas você não perdeu a primeira parte do texto. Na verdade, na minha última coluna eu já havia explicado alguns dos motivos pelos quais os animes e mangas estão conquistando tantas pessoas no mundo todo.

Já falamos do fato dos mangas terem começo, meio e fim, ou seja, você compra uma história sabendo que lerá o fim da mesma. Um outro motivo que apresentei foi o fato das técnicas especiais (os golpes com nomes) serem tão charmosos e em muitos quesitos superando os super poderes dos heróis americanos, mas creio que os principais motivos para este sucesso (que há tempos já não pode ser chamado de “onda” ou “febre”) são personagens carismáticos e diversão pura. Vamos falar deste primeiro quesito (ao contrário da promessa da última coluna...).

“Personagens Carismáticos?” - perguntariam os leitores. Sim – eu respondo. Os leitores, ainda indignados, me perguntariam de personagens como Homem-Aranha, Wolverine, Batman, etc. Mas a carisma dos personagens japoneses é um pouco diferente. Ela é muito apelativa, pois seus protagonistas costumam ser jovens (na idade dos leitores) e muitas vezes não tem capacidades especiais divinas. Eles estranhamente são chamados para pilotarem robôs gigantes ou treinam monstros (ou piões afiados) para torneios. Eles não sofreram acidentes nucleares ou vieram de outros planetas (bem, ao menos não a maioria). São apenas pessoas comuns. Pessoas comuns como os leitores.

Estes personagens principais muitas vezes ainda são problemáticos. Shinji de Evangelion (primeira foto) é um garoto apático, extremamente tímido, depressivo e carente. Ele tem um pai que não liga a mínima para ele. Ele gosta de Asuka e não consegue falar. Enfim, ele é um fracassado total. E ele ainda precisa aprender a pilotar o tal robô gigantesco e salvar Tókio de monstros gigantescos.

Miaka de Fushi Yugi é apenas uma estudante colegial que deseja entrar para uma das melhores faculdades do país. Enquanto estuda incessantemente para o “vestibular”, ela encontra um livro mágico que lhe leva para um mundo fantástico, no qual ela é uma das escolhidas para salvar o país em que caiu.

E mesmo personagens mais poderosos ou teoricamente distantes dos leitores também têm um atrativo especial. Musashi de Vagabond pode ser um dos maiores samurais de seu tempo, mas ele teve problemas sérios com seu pai, que acabaram influenciando diretamente no seu jeito de agir e até de ser. Ele também é apaixonado, mas nega o seu amor em prol de sua “profissão” (se aprimorar no caminho da espada).

Muitos heróis americanos como Homem-Aranha, Robin, Lanterna Verde (Kyle Rayner) e vários outros já fizeram muito sucesso justamente por estarem mais próximos dos leitores. É justamente por isso que é tão difícil escrever boas histórias de Super-Homem, Capitão América e tantos outros heróis que são super demais!

Acredito que justamente este lado humano dos personagens dos quadrinhos japoneses seja um dos principais atrativos de suas histórias, que não precisam ter ação ou super poderes (ou ainda golpes especiais) para chamarem a atenção. Muitas vezes toda a ação é apenas segundo plano se comparado aos conflitos dos personagens (principalmente os amorosos).

Por isso, bobos são aqueles que fazem cara feia, quando vêem a mangalização que muitos quadrinhos americanos vem sofrendo. E digo isso até em relação ao traço, pois ele é fundamental neste charme dos personagens. Os famosos olhos grandes não refletem nenhum tipo de trauma dos japoneses, mas têm a função de mostrar as emoções do personagem. Podem notar que em alguns animes (desenhos japoneses) alguns personagens tem olhos grandes e outros olhos pequenos. Geralmente, aqueles que tiverem olhos grandes são personagens mais carismáticos, provavelmente protagonistas da série.

Bem, na parte 3 eu prometo que finalmente falo sobre a questão da diversão. Juro que este texto me dominou e saiu sem minha permissão. Bem, te espero lá então.




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