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Livros para Jogar
Por Rafael dei Svaldi — Segunda, 15 de março de 2004
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Literatura alternativa para quem procura inspiração
Bem, depois de um longo afastamento, estou de volta! E o primeiro assunto da minha volta é literatura de RPG. Não estou falando de livros de regras, mas sim de alguns livros legais que andei lendo e que servem de ótima fonte de idéias para personagens e aventuras em vários cenários de RPG.
As coisas mais bacanas que eu li nos últimos meses, para fantasia medieval (tirando os clássicos, como O Senhor dos Anéis), foram Linha do Tempo e Devoradores de Mortos, ambos de Michael Crichton. Linha do Tempo narra a história de um grupo de pesquisadores dos dias atuais que viajam para o passado, para resgatar seu professor que ficou preso em meio a uma grande batalha da Guerra dos Cem Anos. A história é muito boa, e, ao longo do texto, são apresentados vários detalhes do cotidiano e das estratégias militares dos ingleses e franceses da época. O livro deu origem a um filme (que estreou por aqui há algumas semanas), mas eu recomendo, primeiramente, o livro.
Já Devoradores de Mortos, apesar do título meio trash, é o livro que deu origem ao filme O 13° Guerreiro. Eu adorei o filme, mas o livro é muito mais rico em detalhes sobre os costumes dos vikings e árabes. O livro narra a história, baseada em manuscritos reais, do árabe Ibn Fadlan. Exilado de Bagdá, Ibn Fadlan seguiu até o norte como embaixador do califa e viveu uma emocionante aventura em meio a um grupo de guerreiros nórdicos, enfrentando o misterioso wendol. Ótima leitura para o jogador de D&D que está planejando seu próximo bárbaro com ares nórdicos.
Outro livro bacana, mas mais antigo, é A História Sem Fim, de Michael Ende. A maioria das pessoas conhece o título por causa do filme, que só conta metade da história. Apesar de ser voltada para um público mais jovem, a história de Sebastian e suas aventuras em Fantasia são leitura quase obrigatória para quem joga RPG.
Saindo da fantasia medieval, um outro livro que eu recomendo (na verdade, é um dos livros que mais me inspira para jogar RPG) é Viagem ao Centro da Terra, de Julio Verne. Eu sei que esse é pra lá de antigo, mas a história dos exploradores que viajam por uma longa caverna dentro da terra, enfrentado perigos naturais, monstros e encontrando tesouros e mistério é a síntese de uma boa aventura de RPG. Leia!
Um outro tema de que eu gosto é literatura arturiana. Aqui, dou duas dicas bem diferentes. Em primeiro lugar, a minha preferida é a trilogia A Caverna de Cristal, de Mary Stewart, que conta a história do Rei Artur sob a visão de um Merlin com poucos poderes mágicos, mas com uma conhecimento científico muito à frente do seu tempo. A segunda dica é As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley. Eu sei que parece difícil engolir o texto ultra-extremista-feminista da Bradley, mas As Brumas apresenta uma visão muito interessante dos conflitos religiosos que serviram como pano de fundo para a lenda de Artur. E, de quebra, as personagens femininas são muito bem exploradas (para compensar o fato de todos os homens parecerem uns patetas), o que é raro em se tratando de literatura arturiana.
Pulando para o mundo do terror, minhas primeiras sugestões são Drácula, de Bram Stocker, e Frankenstein, de Mary Shelley. Eu sei que esses são meio batidos, mas em tempos de Anne Rice, os clássicos parecem ter sido esquecidos. Depois eu sugiro Stephen King, mas com uma ressalva: são poucos os livros dele que têm um final decente (e aqui cabe um destaque honroso para Cemitério Maldito, um dos melhores na minha opinião). De qualquer forma, qualquer uma dessas obras serve como ótima inspiração para criar o clima de tensão e suspense necessário em jogos como Ravenloft, Trevas, Wichcraft e Vampiro.
Fechando as sugestões de terror, eu não podia deixar de mencionar dois dos meus preferidos. O primeiro é O Fortim, que narra a luta entre um antigo vampiro e um caçador dentro de uma fortaleza nazista, durante a ocupação da Polônia em meio à II Guerra Mundial. Suspense, tensão e ação em um ótimo romance (que até virou filme, mas eu não vi). O segundo é Fantasmas (que também virou filme, com o Ben Affleck), uma história de terror moderno, na qual uma cidadezinha é atacada por um terror indescritível. O filme é bacana, mas não consegue transmitir todo o clima de suspense do livro.
E, por último mas não menos importante, recomendo a todos que leiam As Mil e Uma Noites. Talvez a mais fantástica coletânea de contos de fantasia, humor, suspense e aventura, As Mil e Uma Noites é uma fonte gigantesca de idéias para personagens, aventuras, monstros e muito mais.
Bem, fico por aqui, sabendo que fiquei devendo algumas dicas de ficção científica e outros gêneros. Até a próxima!
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