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Um compacto com as músicas da minha vida
Por Eudes Honorato — Sexta, 5 de março de 2004
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Houve uma época, há “milhões” de anos atrás, antes da existência do nosso querido compact disc, o CD, em que só havia os discos de vinil, mas que já existia os discos compactos... de vinil. Talvez você nunca tenha visto um, ache que é apenas uma lenda. Mas sim, meu caro, existiram. Eram pequenos discos de vinil, para o lançamento do primeiro (ou primeiros) sucessos de um cantor ou banda. Eram os singles.
Talvez por serem baratos, não sei, minha casa, na minha infância e pré-adolescência, era abarrotada desses compactos. Escutei pérolas várias vezes, até mesmo ao ponto de gostar e de hoje em dia ter tais músicas em CD.
Para começar, vamos a um compacto com uma música que talvez seja o ícone da breguice, do trash musical, mas que depois que surgiram coisas como o funk carioca e outros acidentes que chamam de música, ela deixou de ser tão ruim, para mim, e passou a ser cult: Fuscão Preto, cantada por Almir Rogério. A capa do compacto, se me lembro bem, acho que era apenas um fusca... preto. Quantas vezes eu devo ter escutado aquilo? Não sei. Só sei que minha mãe gostava bastante.
“Me disseram que ela foi que vista com outro no fuscão preto, pela cidade a rodar...” Hã, err... desculpem. Mas para vocês verem o “impacto” de tão grandioso sucesso, a música até mesmo gerou um filme, com o mesmo título, estrelado por Xuxa e o cantor, em 1983, um ano após o polêmico filme dela, Amor Estranho Amor. Nunca vi, mas certamente eu cegaria das vistas se o visse, imagino.
Daí, sim, a coisa vai piorando. Havia um compacto do Julio Iglesias com uma das várias músicas com que ele nos “brindou” ao longo de sua vida. Mas o mais interessante é que havia também um compacto de uma tal de Julia Gabriela (ou Graziela?), que parecia ser uma espécie de Julio Iglesias feminina, que não deu tão certo. O seu maior sucesso, que estava no tal compacto, era Precisa-se de Moça. Era sobre um anúncio de jornal procurando uma secretária. Ela cantava com aquele sotaque à la Iglesias. Não sei de onde ela era.
Tínhamos também Carlos Alexandre e sua Feiticeira; Amado Batista e seu sucesso Amor Perfeito, que está por aí até hoje em coletâneas do cantor; Perla, a cantora paraguaia radicada no Brasil, e sua Chiquitita (versão em poruguês da música do Abba, e não foi a única). Havia o compacto do cantor Ritchie e a inesquecível Menina Veneno, que não sei como simplesmente não se criou uma vala no disco, de tanto que tocava. Mas nada se comparava ao forró que ribomba nos meus ouvidos até hoje: Genival Lacerda e seu Radinho de Pilha. Pra quem não lembra ou nunca ouviu, tem um refrão lindo que é assim, “Ela deu o rádio e nem me disse nada, ela deu sim foi pra fazer pirraça, mas ela deu de graça o rádio que eu comprei e lhe presenteei”.
Falando assim, parece até que eu não gosto. Mas confesso, eu gostava e até hoje gosto. Fizeram parte da minha vida. Quando esse pessoal não estava no compacto, estava em algum programa do Sílvio Santos, como o Qual é a Música?, por exemplo. Não havia como escapar. De Gretchen a Sidney Magal, de Fevers a Genghis Khan (lembram aquele grupo que cantava “Comer, comer é o melhor para poder crescer”, com um cara que parecia aquele gênio Shazam, do desenho da Hanna-Barbera?).
Claro que havia muitos long-plays (os LPs), mas em sua maioria eram de trilhas de alguma novela. Os compactos foram mais marcantes pra mim, porque geralmente tinham duas (às vezes quatro) músicas no máximo. Mas claro que assim que eu adquiri minha liberdade de escolha musical (isso foi lá pelos 13 anos), eu saí e fui comprar... um compacto (era para o que o dinheiro que tinha dava).
Cheguei em casa, levantei a tampa do toca-discos, tirei o disco da capinha e coloquei para tocar: Afrika Bambaataa & Soul Sonic Force – Planet Rock.
Uma revolução havia começado pra mim, e bem antes da chegada do CD.
Links:
Brega Puro - Almir Rogério
Ritchie
Genival Lacerda
Amado Batista - Site Oficial
Perla
Africa Bambaataa Webworld
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