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Vencedores e perdedores
Por Nicole Mezzasalma — Quinta, 4 de março de 2004
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Por causa da diferença de fuso horário aqui em Londres, a transmissão da festa do Oscar deste ano começou já de madrugada por essas bandas, mas a colunista guerreira que vos escreve ficou acordada até as cinco da matina acompanhando a cerimônia como de hábito.
Não vou falar sobre a performance arrasa-quarteirão de O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei porque o fato da produção ter levado todos os onze prêmios a que concorria conta a história melhor do que eu poderia. Vou falar dos filmes enjeitados pela Academia por conta da “necessidade” de premiar a trilogia de Peter Jackson.
2003 foi um ano rico em grandes produções, nem sempre da melhor qualidade. Mas foi um ano diferente dos últimos: não houve, como de costume, uma ansiedade por parte dos estúdios com relação aos prêmios, nem um investimento massivo em promoção dos títulos. Parece que todo mundo já sabia que vinha pela frente um rolo compressor importado da Nova Zelândia!
Mesmo assim, filmes como Cold Mountain e Mestre dos Mares, bons trabalhos de diretores renomados e com estrelas do mais alto calibre no elenco, poderiam muito bem ter levado mais estatuetas caso não estivessem concorrendo diretamente com o último capítulo cinematográfico da trilogia de Tolkien. Outros ainda, como O Último Samurai, ficaram só na vontade – e nas indicações – já que não adicionaram ao seu currículo um premiozinho sequer. A boa surpresa ficou por conta de Sobre Meninos e Lobos, dirigido pelo eterno caubói Clint Eastwood, que arrematou os carequinhas de melhor ator e ator coadjuvante (para desespero de Bill Murray, considerado por muitos uma barbada).
O comentado Monster, em que a bela Charlize Theron interpreta uma das poucas assassinas seriais do sexo feminino de que se tem notícia, ainda não estreou por aqui, logo não posso dizer se a atriz mereceu mais do que suas concorrentes o prêmio que levou pra África do Sul. Mas bem que a equipe de maquiagem do filme merecia um Oscar por ter deixado ela, que é lindíssima, feia como a noite e praticamente irreconhecível.
A nova queridinha da América, Sofia Coppola, ficou com a estatueta de melhor roteiro original merecidamente por criar o delicioso Encontros e Desencontros. A de melhor diretor(a), claro, ela não iria levar mesmo, concorrendo com nosso hobbit favorito.
Mudando um pouquinho de assunto, menção honrosa para Billy Crystal, de volta depois de alguns anos de ausência como apresentador oficial da cerimônia. A montagem inicial (uma sátira de O Retorno do Rei) estava ótima, e os intermitentes comentários dele a respeito da terra natal de Peter Jackson valeram algumas boas risadas.
Último comentário: Jack Black e Will Ferrell deram um show à parte ao apresentarem juntos um dos prêmios da noite, provando por que são considerados dois dos mais talentosos comediantes do novo milênio.
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