Quem cai de pára-quedas na sala de cinema para assistir Na Companhia do Medo (Gothika) não sabe especificar se o filme é um thriller psicológico ou se pertence ao gênero do terror com direito a intervenções fantasmagóricas. Na verdade, o filme mistura um pouco de cada para agradar uma parcela maior de fãs.
Aliás, esse novo gênero é encontrado facilmente ao zapear a tevê a cabo. Séries que misturam mediunidade, mistério e investigação sempre tiveram audiência.
Arquivo X (Fox),
Missing (USA) e
Tru Calling (Fox) são exemplos concretos disso.
No entanto, o filme foge da fórmula num aspecto fundamental: o protagonista em crise de identidade. Nele, a Dra. Miranda Grey (
Halle Berry), uma psiquiatra acostumada a lidar diariamente com laudos lógicos e racionais, se vê do outro lado da mesa, quando descobre que virou paciente da mesma instituição em que trabalhava. Para piorar a situação, ela é acusada pelo assassinato brutal do próprio marido.
A trama do filme vai se desenvolvendo conforme Miranda vai tentando recuperar sua memória e se inocentar do crime. A protagonista vai beirando o limite entre razão e insanidade. Inclusive, essa é a dúvida que acompanha o espectador até os momentos finais do filme.
Halle Berry assimilou bem o clima perturbador em volta das crises de loucura vividas por seu personagem. A imersão nessa tensão foi tanta que a atriz quebrou o braço em uma das cenas do sanatório, quando era dominada pelo personagem de
Robert Downey Jr., durante um surto nervoso. Depois do episódio, Halle teve de usar uma
atadura, percebida em alguns momentos do filme.
O suspense só peca pelo excesso de mecanismos de susto beirando o clichê. Felizmente, há uma série de compensações, como os efeitos visuais, um elenco estelar (Penélope Cruz, Robert Downey Jr, Charles S. Dutton) e uma produção conduzida por nomes respeitáveis, como
Joel Silver (da trilogia
Matrix e
A Senha) e
Robert Zemeckis (
Contato, Forrest Gump).
Na Companhia do Medo é dirigido competentemente por
Mathieu Kassovitz. Embora tenha emplacado filmes reconhecidos na Europa, o diretor francês ficou mais conhecido no circuito nacional por suas participações como ator em
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e
A Isca Perfeita, ao lado de Nicole Kidman.
Bem, esses são motivos suficientes para os fãs não perderem o filme e a boa atuação de Halle Berry. Ela já foi uma
bond girl, uma mutante, modelo das campanhas da Revlon e a primeira negra a receber a estatueta do
Oscar de Melhor Atriz. O peso dessa responsabilidade faz com que ela receba atualmente o cachê de
14 milhões de dólares por filme. Vamos rezar para que a atriz não perca sua sanidade depois de dar cambalhotas como a
Mulher-Gato, em seu próximo filme.