 |
Ligado em Você: nós vimos I
Por Ana Camila — Quarta, 3 de março de 2004
|
|
Bem-vindo ao Sobrecarga, seu destino para as principais matérias sobre Filmes, Séries, Quadrinhos, Música e muito mais... se você puder agüentar!
Use a barra superior do site para navegar entre os assuntos e confira, no final de cada texto, outras matérias relacionadas ao assunto.
Na barra lateral do site você encontra sempre boas ofertas de produtos relacionados ao universo pop, ajude o site visitando nossos patrocinadores.
Volte sempre!
|
As referências são bem conhecidas e, para os fãs do gênero, bem recomendadas: Ligado em Você é o mais novo filme dos irmãos Farrelly, diretores dos sucessos Quem vai ficar com Mary, O Amor É Cego, Debi e Lóide, etc. Por incrível que pareça, o novo filme está acima de quase todos os outros por uma série de motivos interessantes. O que quer dizer de antemão que, se já se tornaram sucesso de público todas as outras comédias desses irmãos cineastas, é bem provável que Ligado em Você comprove que, dentro de suas propostas, estamos diante de bons comediantes modernos.
O filme em questão conta a história de dois irmãos siameses, Walt e Bob. Eles já passaram dos trinta e sempre souberam lidar bem com a estranha situação com a qual são obrigados a conviver. O filme relata a tentativa de Walt de ser ator em Hollywood com a ajuda do irmão que, obviamente, não vai poder ficar de fora dessa. A partir disso, os dois gêmeos partem para uma empreitada aventurosa em Hollywood, onde conhecem pessoas excêntricas e vivem as situações mais inusitadas.
Para começar, existe um ponto muito positivo em Ligado em Você: o filme não se rende às constantes apelações de que as comédias americanas atuais se utilizam incansavelmente. É quase inacreditável, mas não existem pessoas caindo o tempo inteiro sem nenhuma explicação de lógica física, não existem personagens fazendo caretas e forçando risos da platéia, não existem situações que beiram o ridículo nem caricaturas mal feitas e bizarras – tudo isso que, vale ressaltar, tem de monte nos outros filmes dos irmãos Farrelly. É claro que, vez ou outra, algo esdrúxulo simplesmente acontece, mas parece que, dessa vez, a escolha dos atores foi o grande diferencial. Não há dúvidas – e isso se percebe logo no início do filme – que escolher Matt Damon em vez de Jim Carrey foi uma boa saída.
Afora isso, o roteiro do filme é redondo, sem muitos problemas e sem muitas maravilhas também. Simplesmente funciona, e é isso que o torna um bom filme. É mostrado ali, ao longo da projeção, que podem haver, ainda, tendências das boas comédias da história do cinema em filmes contemporâneos, principalmente no que diz respeito aos diálogos. É claro que o próprio gênero da comédia implica a utilização do ridículo e do absurdo como mecanismo de produzir o riso, mas os bons comediantes sabem fazer isso sem que o espectador conteste a veracidade dos fatos – o que seria igualmente absurdo e atestaria a incompetência do diretor. E parece que, dessa vez, os irmãos Farrelly acertaram em cheio.
Participações especiais como a de Cher, Meryl Streep (como elas mesmas) e da brasileira Fernanda Lima (numa ponta constrangedora de tão pequena) dão um toque especial ao ritmo do filme, causam uma simpatia imediata, uma boa caracterização de gênero. A trilha sonora, nesse sentido, também é detonadora – simples e gostosa, com destaque para a surpresa de ouvir Wild Horses, dos Rolling Stones, numa cena romântica.
E, por falar em romantismo, ele até que é bem articulado em Ligado em Você. Bob se relaciona com May, uma garota que ele conheceu pela internet e da qual teme a reação ao descobrir a sua "peculiaridade". A relação entre os dois é dada na trama, como todos os outros relacionamentos que acontecem no filme, mas tudo desemboca no romantismo entre os próprios irmãos, a ligação afetiva, a amizade, a necessidade de estar realmente colado para sempre. Poderia (e tem tudo pra ser) piegas, mas o desenvolvimento do filme e toda a sua estrutura previnem o público de reduzir a sua abordagem a sentimentalismos.
Mas é claro que nem tudo são flores e que, muitas vezes, os irmãos Farrelly se utilizam de recursos que já são mais do que passados e, exatamente por isso, facilmente substituíveis. A utilização do flashback, por exemplo: em muitas vezes, eles não eram necessários no contexto da cena, em outras eles até eram, mas não de forma tão longa e enfadonha. É um erro grave. Não gravíssimo (já que não atrapalhou o bom andamento qualitativo do filme), mas grave.
E não só isso, infelizmente. Algumas piadas ou "tiradas" são bem pretensiosas, quando já se havia percebido que o filme não estava seguindo essa linha. Não há nada pior do que piadas que se levam a sério. Piadas "inteligentes", melhor dizendo. O filme comete esse erro e isso é problema de roteiro. De um roteiro que tem quase tudo o que precisa, mas com esse tipo de excesso que, certamente, coloca o filme pra baixo.
De qualquer forma, é um filme que, dentro do seu gênero e da sua linha de proposta, tem tudo para ser considerado pelo público e pela crítica o melhor dos filmes dos irmãos Farrelly. Sem apelos, com bons diálogos e com ótimas atuações, Ligado em Você de certo vai render mais alguns milhões de dólares aos seus competentes criadores. Merecidos, dessa vez.
|
 |