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Oscar: balanço positivo
Por Tiago Cordeiro — Terça, 2 de março de 2004
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Após tantos anos e tantas expectativas frustradas, a Academia soube reconhecer o valor do gênero fantasia para o cinema com a incontestável vitória de O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei, que subiu ao palco do Oscar 11 vezes. O fato inédito ganha ainda mais relevância se lembrarmos que nos últimos dois anos, os dois primeiros filmes que compõem a trilogia foram praticamente ignorados na premiação.
Não vou me estender por cada categoria, mas gostaria de enfatizar alguns pontos. Primeiramente, apesar de ter defendido Clint Eastwood para o Oscar de melhor diretor, não posso considerar a vitória de Peter Jackson uma injustiça. Simplesmente creio que ao invés de premiar o melhor diretor de 2003, o Oscar premiou alguém que dirigiu uma trilogia fantástica por dezoito meses na Nova Zelândia (que eu conheci graças a um personagem do extinto programa TV Colosso). Peter Jackson coordenou uma equipe gigantesca para conseguir três épicos que juntos alcançam um patamar diferenciado. Nesse contexto, o diretor ganhou com méritos não apenas por O Retorno do Rei, mas por toda a trilogia O Senhor dos Anéis.
Como melhor filme do ano, não há muito o que discutir também. Muitos podem apresentar concorrentes para a adaptação cinematográfica do livro de Tolkien, mas a verdade é que nenhum filme no ano passado apresentou tantas características indispensáveis para um bom filme. Por maiores polêmicas que possam começar, nenhum filme esteve à altura da saga do Um Anel, que foi comovente, épica e arrebatadora em cada parte da trama.
Claro que nem tudo foi um mar de rosas. Infelizmente, Ian McKellen não foi premiado por sua impressionante atuação nos três filmes. Entretanto, foi justíssima a premiação de Tim Robbins por sua interpretação em Sobre Meninos e Lobos, junto com Sean Penn (que recebeu o Oscar de melhor ator). Um dos melhores momentos da noite foi a consagração de Renée Zellweger, como melhor atriz coadjuvante. Zellweger já havia sido frustrada em anos anteriores e sua performance em Cold Mountain é a única coisa que pode fazer o filme valer a pena.
Quanto ao Brasil, mais uma vez ficamos na torcida. Cidade de Deus foi, de certa forma, prejudicado pela presença do grande campeão da noite, que conseguiu cada prêmio que disputou. Contudo, a verdade é que o filme tinha chance apenas nas categorias de fotografia e montagem, nesta última perdendo injustamente. Mas, para mim, a grande decepção foi o fato de Gone Nutty não ter conseguido o melhor Oscar de curta de animação. Considerava o trabalho de Carlos Saldanha barbada na premiação.
De resto, o que podemos fazer é esperar até o ano que vem. Apesar da sua ausência na premiação, provavelmente em 2005 o Brasil estará atento à cerimônia. A cerimônia de 2004 deixa um balanço mais positivo do que outras, mas em terras tupiniquins, o careca dourado ainda faz falta.
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