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...e a U.D.R. desembarca em Sampa
Por Rafael Mordente — Segunda, 1 de março de 2004
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Pois então. A coluna está indignantemente atrasada, mas sabem como é... Não é sempre que a gente pode se dar ao luxo de ter bloqueios. Dá a sensação de "escritor torturado", aquela coisa toda... "Oh, meu deus, eu não consigo expôr o que sinto em palavras!"
E foi justamente esses bloqueios que me levaram a escrever sobre minha experiência como "funkeiro/rapper interestadual". É verdade, minha querida banda, U.D.R., foi parar nas terras de Paulo Maluf e não houve nada que a prefeitura pudesse fazer para impedir nossa invasão. Nos acompanhando, também com o intuito de tocar em festivais, o pessoal do Hífen e do Kevorkian Killing Cult.
A invasão mineira na "cena rock" de São Paulo foi, digamos, satisfatória para mim. A primeira banda a se apresentar no fim de semana foi o Kevorkian Killing Cult, em Itaquera. Lugar pequeno, estrutura simples, mas um dos shows mais brutais que já presenciei na vida. As bandas do dia, além do Kevorkian, foram Intifada, Leroy, Massacre Em Alphaville e Grimorium.
Foi uma pena perder o show do Intifada, mas as outras bandas me deixaram de queixo caído, bem como a reação do público. O Leroy, que já se apresentou em Belo Horizonte, fez um ótimo show, com música nova e tudo! O Massacre Em Alphaville ganhou meu coração com seu grindcore reto e barulhento. O Grimorium, sem comentários. Incrivelmente pesado e coeso! A apresentação do Kevorkian não ficou para trás de maneira alguma. O público agitou como nunca sem mesmo ter ouvido falar do grupo e eu ainda cantei uma música, com direito à destruição parcial de um dos microfones.
Saindo de Itaquera, seguimos com destino ao Tribehouse, no bairro Pinheiros. O evento era a terceira edição do Kool Metal Fest. Foi a edição mais diversificada do festival, que contou com o rapcore-realidade do MR-8, o industrial dançante do Skulkpartitionroot, o metal torto e sem noção do Paranóia Oeste (a minha favorita e o melhor da noite), o aggro-rock do Hífen, o hardcore agressivo do Point Of No Return e o pancadão satânico da U.D.R., todos permeados pela discotecagem dance-metal-farofa do DJ Human Error.
O show começou com o MR-8 a todo vapor, mesclando peso e rap com letras críticas e honestas. A surpresa da noite foi a participação de ninguém menos que B Negão. O show foi totalmente responsável e a casa chapou durante toda a performance. Como MS Barney, meu companheiro de U.D.R., comentou comigo, "puta show responsa".
Infelizmente, devido ao corre-corre da preparação do meu show, perdi o show do Skulkpartitionroot. Mas se eles tiverem mandado tão bem quanto mandaram em Belo Horizonte, tenho certeza de que foi excelente. Até onde sei, todos dançaram muito, como não podia deixar de ser.
Em seguida, o Paranóia Oeste. O que dizer? Um guru/monge estava no topo do palco, fez um discurso antes do show, jogou bombinhas na platéia, sentou-se e meditou durante os 50 minutos do show. A banda, sem noção como sempre, promoveu um quebra-quebra no palco (bem light, diga-se de passagem) e saíram em grande estilo.
Logo depois, meus conterrâneos e amigos do Hífen. É natural que a platéia, diante de uma banda desconhecida, prefira ver o show a simplesmente agitar. Mas falemos da apresentação. Os rapazes estavam no topo da competência, totalmente coesos e soando mais brutais do que nunca. Eu mesmo arrisquei uns agitos, mas meu corpo clamava por socorro, por conta do quebra-pau em Itaquera. Nunca tinha visto o Hífen numa performance tão devastadora. Faltou o apoio "mosher" do público, mas tenho certeza de que todos estavam concentrados e adoraram. Do contrário, não haveria as palmas calorosas ao quarteto.
Devido ao atraso no começo do evento, já eram quase 5 da manhã quando o Point Of No Return subiu ao palco. Mesmo assim, o grupo não poupou ninguém. Entraram morrendo de vontade de tocar e atropelaram a platéia com um show absurdamente pesado e bem executado. Ao final da performance, ainda conclamaram a platéia para permanecerem na casa e prestigiarem a U.D.R., que seria a atração final.
Muito agradecidos pelo apoio do Point, nós da U.D.R. subimos ao palco às 6 da manhã. Tanto a banda quanto a platéia estavam mortos de cansaço, mas ansiavam pelo show. Problemas ocorreram no palco. Mau contato nos cabos e microfones baixos demais chegaram a fazer ameaças de desânimo em todos nós. Felizmente, botamos todo nosso gás e fizemos uma performance muito boa, com direito a crossdressing, scat e vômitos. No final das contas, todos saíram satisfeitos do show, embora eu, particularmente, estivesse implorando por um banho e uma boa manhã de sono.
Nosso retorno a Sampa está marcado para o dia 17 de abril, também no Tribe House.
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