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11 vezes melhor que os outros
Por Rafael Cardoso — Segunda, 1 de março de 2004
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São 2h30 da manhã e hoje trabalho cedo. Será certamente uma jornada difícil. Quase tão difícil quanto a que meu computador passou nas duas últimas semanas e impediu o lançamento de minhas últimas colunas. Quase tão difícil quanto levar um anel por toda a terra negra de Mordor. Agora, certamente o mais difícil foi realizado por Peter Jackson e Companhia Ltda.: vencer TODAS as ONZE indicações para o Oscar 2004.
Como bem disse o diretor hobbit, estamos todos aliviados pela Academia ter reconhecido a fantasia neste ano. Ou seja, por mais estranhos que elfos, anões, hobbits e a magia fossem para muitos veteranos do cinema, O Senhor dos Anéis foi o grande vencedor da noite do Oscar vencendo em Onze Categorias e empatando com Titanic e Ben-Hur como o mais premiado filme da história do cinema.
Foi uma longa jornada até aqui. Foram dois anos de Oscars técnicos e “sem muita importância”. Vimos o maravilhoso Sir Ian Mckellen perdendo como melhor ator coadjuvante em 2002 com o ótimo Gandalf, o Cinzento. Vimos As Duas Torres ser indicado em poucas categorias e sequer ser citado em “Melhor Roteiro Adaptado”. Vimos Peter Jackson e os dois primeiros filmes falhando miseravelmente nas categorias de “Melhor Diretor” e “Melhor Filme” respectivamente.
Notem que em nenhum momento falo sobre O Retorno do Rei como “O grande filme”, mas sim do Senhor dos Anéis, que ganhou 11 Oscars. Digo isso, porque não acredito que o terceiro filme da trilogia seja o melhor. Acredito particularmente que o primeiro filme seja o melhor. Digo isso como filme, ou seja, em edição, fotografia, direção de arte, canção original, etc. Certamente o terceiro filme é o mais emocionante, mas nunca merecia as 11 estatuetas que recebeu.
Na verdade, os 11 prêmios foram dados pelo projeto em si. Pelo projeto ter sido realizado num país tão distante e ignorado pelo mundo, pela ambição de Jackson de filmar os três longas simultaneamente, pela dificuldade de produzir e adaptar um filme de tamanhas proporções, pelo empenho do elenco e da produção e muitos outros fatores que poderiam ter tornado o projeto um fracasso. Foi feito algo inimaginável. Eles conseguiram adaptar romances que poucos conseguiam sequer imaginar perfeitamente. Eles pegaram a fantasia, um tema geralmente ignorado pela Academia, e transformaram-na numa moda a ponto de todos hoje saberem o que é um elfo e quem é Aragorn ou Frodo.
Houve injustiças neste Oscar 2004, como é o caso do maravilhoso Cidade de Deus, que certamente merecia o prêmio de “Melhor Montagem”, assim como vários outros filmes foram injustiçados. Mas a obra de Jackson como um todo foi simplesmente magnífica, linda, maravilhosa, espetacular, além de quaisquer expectativas e por isso foi premiada desta maneira. Como Rubens Ewald Filho disse sabiamente, é um filme que faz muitos ainda torcerem o nariz, mas todos hão de submeter à maestria da trilogia e certamente não irão se arrepender.
Outra grande prova de que o projeto esteve acima de qualquer pessoa, mesmo ele sendo tão ligado a seu diretor, foi o fato de nenhum ator de peso ter sido chamado para o projeto. Não foi nenhum galã ou nenhuma estrela que segurou o filme. Na verdade, foi o projeto que criou seus astros, que agora podem escolher quais propostas engordarão suas contas milionárias. Aqueles que já eram conhecidos, agora são admirados. Aquelas que eram belas, agora se tornaram deusas.
É muito importante que todos nossos leitores tenham em mente que estamos vivendo um momento histórico. Esta trilogia certamente será lembrada daqui a muitos anos. Contarão-se histórias e lendas sobre ela e talvez ela seja relançada inúmeras vezes com as centenas de cenas extras que foram retiradas. Talvez até algum louco resolva melhorar o som e os efeitos especiais com a ultra-avançada tecnologia, que ainda não foi inventada, mas certamente todos dirão como gostariam de ter estado no cinema na época de seu lançamento original. Assim, como fazemos em relação a Star Wars por exemplo.
Precisamos entender, por mais que isto possa doer, que “A” trilogia sagrada mudou. Não falemos mais sobre sabres de luz, naves gigantescas ou a Força, mas sim sobre espadas mágicas, elefantes monstruosos e o Um Anel de Poder.
Resta então a nós, pobres mortais que puderam testemunhar tão bela obra, aguardar que os americanos tenham algo na cabeça e contratem logo Peter Jackson e Companhia Ltda. para fazer o filme “O Hobbit”. E também para fazer vários filmes sobre as histórias de J.R.R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis, que é apenas uma pequena parte de sua grandiosa obra. Ele foi homenageado por muitos profissionais, enquanto eles recebiam seus 11 Oscars e deve estar satisfeito pelo que ele fez e pelo que fizeram com (e por) sua obra.
Sim, você já deve saber que foram 11 indicações, 11 subidas ao palco, 11 agradecimentos (até um pouco mais pelos inúmeros envolvidos em cada categoria), 11 músicas para se terminar os discursos, 11 aplausos de todos profissionais da área... Só devemos guardar isso, pois este é daqueles filmes que assistiremos com os netos e contaremos como foi a ida ao cinema. 11 aplausos então para O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei e não nos esqueçamos que são 17 Oscars para a trilogia.
E para finalizar, devo lembrar que Fran Walsh, durante seu agradecimento pelo Oscar de “Melhor Filme” não se esqueceu de nós, os fãs. Eu prefiro acreditar que as bilheterias recordes tem sim uma profunda importância nestes 11 (ONZE) prêmios. Eles mereceram e nós também.
Saiba mais sobre o grande campeão da noite do Oscar numa edição muito especial aqui no SoBReCarGa.
Links Relacionados:
www.oscar.com (Site oficial do Oscar)
www.conselhobranco.com.br (Site brasileiro com muitas informações de Tolkien e sua obra)
www.lordoftherings.net (Site oficial do filme)
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