|
Will Eisner finalizando The Plot
Por Marcelo Tavela — Quinta, 26 de fevereiro de 2004
|
|
Bem-vindo ao Sobrecarga, seu destino para as principais matérias sobre Filmes, Séries, Quadrinhos, Música e muito mais... se você puder agüentar!
Use a barra superior do site para navegar entre os assuntos e confira, no final de cada texto, outras matérias relacionadas ao assunto.
Na barra lateral do site você encontra sempre boas ofertas de produtos relacionados ao universo pop, ajude o site visitando nossos patrocinadores.
Volte sempre!
|
O quadrinista e (como definir?) pedra fundamental Will Eisner completa 70 anos de carreira fazendo o que faz melhor: HQs. O New York Times visitou o estúdio de Eisner na Flórida e conversou com ele sobre sua nova graphic novel, The Plot ("A Trama", em uma tradução livre).
A obra aborda os Os Protocolos dos Sábios de Sião, um documento forjado por autoridades russas com supostos planos judeus de dominação mundial. Eisner, filho de judeus emigrantes da Europa, diz que buscou no passado uma forma de enfocar o anti-semitismo, questão bem atual.
“Eu estava surfando na internet e descobri uma página promovendo os Protocolos para leitores do Oriente Médio. Fiquei chocado em descobrir que muita gente acha que eles são reais, e fiquei perturbado quando vi a quantidade de sites que promovem essas mentiras para os muçulmanos. Algo tinha que ser feito”, decidiu o autor.
O desenhista logo percebeu que a história dos Protocolos era muito confusa e escrita de forma tendenciosa. Pesquisando junto com um professor da Universidade do Massachusetts e com um colaborador francês, Eisner descobriu que a primeira aparição dos Protocolos foi em 1903, quando a polícia secreta russa tentava abafar os movimentos sociais – que, quinze anos depois, culminariam na Revolução Russa – cujos principais líderes eram judeus.
A farsa foi descoberta em 1921, quando o jornal londrino The Times mostrou que o texto dos Protocolos foi extraído de uma sátira política francesa escrita por Maurice Joly em 1864. O texto descrevia uma fictícia discussão de Maquiavel e Montesquieu para um plano de conquista por Napoleão III.
“Em muitos trechos, eles simplesmente trocaram o nome de Napoleão III por ‘os judeus’”, conta Eisner.
Em The Plot, que terá 100 páginas, Eisner mostra a construção da mentira por três técnicas diferentes. A introdução breve conta como ele descobriu os Protocolos e como investigou a história por trás deles. O miolo aborda a criação e a exposição dos Protocolos através de textos e painéis desenhados. Eisner conclui comparando o texto russo com o que Joly escreveu.
Em sua primeira graphic novel - e primeira graphic novel da história, vale sempre lembrar - Um Contrato com Deus (publicada no Brasil pela Ed. Brasiliense), Eisner já abordava questões relativas os judeus. Sua última obra, Fagin the Jew (ainda sem edição brasileira), lançada ano passado nos EUA, é uma visão judia de Oliver Twist, livro de Charles Dickens.
O editor de Eisner, Dennis Kitchen, conta que The Plot é uma das mais subjetivas e intelectuais obras dele. “É algo próximo de um documentário”, diz.
“A grande ironia é que os Protocolos continuam tendo influência, mesmo comprovadamente falsos. Para acabar com isso, estou fazendo uma obra acessível ao maior público possível”, comenta Eisner.
|