Aqui no estúdio, sempre que descobrimos uma nova imagem disponibilizada na internet ou que algum artista nos manda, principalmente uma página a lápis (ainda sem a arte-final), nós as compartilhamos com os demais colegas e logo as discussões começam. Os debates são geralmente sobre como o “sujeito” resolveu determinadas coisas. Um campo, um contra-campo, uma silhueta, tudo se torna motivo para comentários, o que leva, sem dúvida nenhuma, ao aprendizado.
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Quando lecionava produção de histórias em quadrinhos no SESC e no SENAC, sempre enfatizei a necessidade de o artista ver outro artista trabalhando. Isso é realmente muito legal. Olhar o cara fazendo um esboço vale mais do que uma aula de composição (tanto da figura como da página).

Apreciar e conhecer os desenhos de grandes mestres dos quadrinhos é valioso, pois eles trabalhavam a anatomia humana bem mais próxima da realidade do que é utilizada hoje em dia. Atualmente, os artistas tendem a estilizar mais a anatomia, mas para poderem fazer isso é necessário que dominem a anatomia verdadeira.
Um bom exemplo é o seguinte: um guitarrista pode ser ótimo, mas se tiver estudado violão clássico, ele será melhor ainda. O mesmo pode-se dizer de um dançarino moderno - se ele tiver estudado balé, será melhor ainda (é claro que existem exceções.) O que quero dizer com isso é que, se você quer desenhar estilizado, primeiro aprenda o “real”, e então a estilização que você fizer ganha em qualidade.
Álvaro de Moya me disse certa vez que o interesse maior que levou à realização da
1ª Exposição Internacional de Histórias em Quadrinhos, em 1951, no Centro Cultura e Progresso de São Paulo, foi o de observar a arte “não impressa” de artistas como
Alex Raymond (
Flash Gordon),
Harold Foster (
Príncipe Valente),
Milton Caniff (
Terry e os Piratas) e
Will Eisner (
Spirit), entre outros. Até mesmo saber qual o tipo de papel usado pelo artista ajuda na evolução. Há papéis que “chupam” mais a tinta, outros que borram com facilidade, e por aí vai.
Resumindo: o artista deve ser observador.
Arte de Roger Cruz. Observe que o artista teve a “manha” de transformar (pelo jeito com extrema facilidade) a Mulher-Gato em Batgirl. Clique nas imagens para ampliá-las
Alguns artistas brasileiros têm se destacado devido ao seu talento e principalmente pelo esforço e dedicação na busca de melhorar a sua arte. Hoje, eles são merecedores de que você passe a observá-los e aprenda com eles. Vou deixar aqui a dica de quatro sites onde os artistas compartilham seus trabalhos disponibilizando artes a lápis e artes finalizadas, inclusive pintadas. Vá até
http://www.rogercruz.com.br;
http://www.gregtocchini.com;
http://www.ivanreis.com e
http://www.renatoguedes.net e exercite o seu poder de observação.
Semana que vem eu estarei aqui de novo. Tchau!