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Quanto custa um filme?
Por Tiago Cordeiro — Quarta, 25 de fevereiro de 2004
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Recentemente, li uma entrevista do diretor Anthony Minghela responsável pelo filme Cold Mountain. Na matéria, comentava-se que Minghela estava feliz por Cold Mountain ser o seu maior sucesso comercial. Entretanto, o diretor se “esquecia” de que até então o filme, que custara U$S 83 milhões de dólares, havia lucrado apenas U$S 82 milhões.
Muita gente vai acreditar que a partir daí o filme está próximo de, pagar todas as suas contas. Ledo engano, atualmente além do custo em marketing que não está inserido no orçamento da produção, é comum que porcentagens da bilheteria sejam comprometidas (se não me engano, Jack Nicholson foi o primeiro ator a lucrar com isso em Batman), embora isto esteja vinculado à necessidade do filme pagar sua produção. Felizmente, os prêmios e as sete indicações que o filme tem conseguido ajudaram a diminuir o prejuízo. Hulk que foi aos cinemas em 2003, teve o mesmo problema e a produtora responsável já não parece muito empolgada em realizar uma continuação, embora tenha sido lucrativo para os estúdios Marvel, que ganharam cedendo direitos do personagem e com a comercialização de produtos do mesmo.
Seguindo o mesmo caminho, Titanic quase levou os envolvidos à falência, e só não o fez porque conseguiu ter um sucesso proporcional ao seu investimento. Nessas horas, é bom lembrar que A Bruxa de Blair, no mesmo ano, custou cerca de 30 mil dólares (fora o custo de marketing) e rendeu mais de 100 milhões de dólares na bilheteria entrando para a história como um dos mais rentáveis e originais filmes de terror. Desde então, a aposta em orçamentos grandiosos não tem a mesma empolgação e apenas um filme nesse estilo conseguiu esbarrar na película de James Cameron: Pearl Harbor.
O quarto filme do personagem Harry Potter, Harry Potter e o Cálice de Fogo (que contará com o diretor Mike Newell), será o maior orçamento da história do cinema, chegando a U$S 307 milhões. Esse dado não contradiz minhas afirmativas anteriores, já que o mago de J.K. Rowling é uma das marcas mais rentáveis dos últimos tempos, sendo garantia certa de alta bilheteria e é, portanto, uma aposta certa para os estúdios da Warner Bros. É a exceção que confirma a regra.
Com todos esses números e prejuízos, fica difícil definir quanto custa um filme, já que entre produção, marketing bilheteria, contrato e outros fatores imprevisíveis e previsíveis (como por exemplo, o fato de os cinemas terem direito a um terço do valor das bilheterias), a indústria esbarra em suas próprias limitações de prever quais investimentos valem ou não a pena. Talvez a solução fosse apostar em filmes baratos, mas com roteiros competentes (o que acabaria com o Star System e aqueles filmes completamente apoiados na fama de seus atores). Em tempo: Cold Mountain foi, recentemente, relegado a segundo plano pela Miramax, que passa a apostar todas as suas fichas em Cidade de Deus, o qual convenhamos, é muito melhor do que a película estrelada por Nicole Kidman e Jude Law. E bem mais barato.
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