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Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas: nós vimos III
Por Alfredo Stadtherr — Quarta, 18 de fevereiro de 2004
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Tim Burton e suas Histórias Maravilhosas
Macacos que falam, um cavaleiro sem cabeça, fantasmas, um homem com mãos de tesoura, marcianos que invadem o nosso planeta e um herói que se veste de morcego. Assim como Edward Bloom, protagonista de Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas, Tim Burton é um grande contador de casos extraordinários. Também como o personagem de seu novo filme, ele apresenta suas histórias de uma maneira única, deixando sua marca em cada milímetro da película.
Entre críticos e espectadores, a maioria torceu o nariz para a versão atualizada de O Planeta dos Macacos, orquestrada por Tim. Onde estava a visão ousada, sensível e cativante do diretor? O gosto pelo bizarro continuava lá, mas toda a magia mostrada em Edward, Mãos de Tesoura e A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça parecia ter se perdido no decorrer dos anos. Entretanto, com Peixe Grande, ele retorna em grande estilo, proporcionando ao espectador uma maravilhosa viagem ao fantástico.
O filme poderia ser mais uma trama de conflito entre um pai sonhador e seu filho cético, mas vai muito além disso. Com o desenrolar da história, ambos vão fazendo grandes descobertas sobre si mesmos e sobre o outro. Mas, como todos sabem, não é do estilo do mestre Tim explorar temas comuns.
Peixe Grande é uma bela história de amor. Sim, o amor de um pai pelo filho, o amor infinito que Edward Bloom dedicava à sua esposa e a redescoberta do amor do filho pelo pai. Algumas cenas são emocionantes, e nada disso seria possível sem as ótimas atuações de Ewan McGregor e Albert Finney, intérpretes de Edward jovem e velho, respectivamente.
Ewan está à vontade no universo fantástico criado por Tim Burton, emocionando e fazendo rir com sua atuação. As descobertas de seu personagem são mostradas de uma maneira tão convincente que dá vontade de pegar o primeiro avião rumo ao Alabama, para conhecer a aconchegante cidade Espectro, ou viajar lado a lado com um gigante de quatro metros e meio de altura.
Albert Finney não fica atrás. O velho Edward Bloom é o tipo de pessoa que gostaríamos de ter por perto, sempre com uma intrigante história pra contar. Billy Crudup, no papel do filho de Edward, Will Bloom, não empolga muito. No final, entretanto, ele consegue ter um maior destaque, mas ainda não é o suficiente para ser considerada uma grande atuação.
Os atores coadjuvantes estão todos ótimos. Alison Lohman e Jessica Lange ficaram tão semelhantes, tanto fisicamente quanto na maneira de atuar, que realmente parecem a mesma pessoa. Danny DeVito e Steve Buscemi aparecem pouco, mas estão igualmente interessantes.
Quem surpreende mesmo é o compositor Danny Elfman. Parceiro de longa data de Tim Burton, ele finalmente conseguiu fazer uma trilha sonora que não se parece em nada com seus últimos trabalhos. Apesar de não ser memorável, ela se encaixa bem na história e não incomoda.
Mesmo com toda a beleza da produção, Peixe Grande peca em alguns momentos. Na metade do filme, quando todos já entraram de cabeça nas tais "histórias maravilhosas", o ritmo diminui, o que acaba se tornando um pouco frustrante. Entretanto, o final recupera toda a magia da primeira parte e fecha a trama de uma maneira brilhante.
É difícil falar sobre Peixe Grande, pois ele deveria ser visto sem que o espectador soubesse absolutamente nada sobre a história e fosse descobrindo as cenas da mesma maneira que as pessoas que ouvem os contos de Edward. Aqueles que não gostam do estilo de Tim Burton provavelmente verão mil defeitos no filme. Para os fãs do diretor, é um prato cheio, que deve ser degustado aos poucos. A verdade pode ser mostrada de diversas formas, mas quando ela é recheada de acontecimentos emocionantes, com certeza torna-se mais interessante.
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