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Homem de dois mundos
Por Eloyr Pacheco — Quarta, 18 de fevereiro de 2004
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Quando soube da morte de Julius Schwartz, me vi repentinamente refletindo sobre o trabalho de editor. Mesmo sabedor da importância desse grande gênio das HQs, não me lembrava exatamente o que ele havia feito. Por quê?
Porque um grande editor não aparece. É como geralmente acontece com um time de futebol. Quando ganha, o mérito é dos jogadores; quando perde, a culpa é do técnico. Como tudo que Schwartz fazia funcionava, e muito bem por sinal, quem aparecia eram os artistas. Além disso, pelo jeito ele não gostava de se promover, não fazia o famoso "marketing pessoal", usado às vezes de maneira exagerada hoje em dia.
Como há mais informações sobre a carreira de Julius que podem ser encontradas aqui no SoBReCarGa, não falarei a respeito disso. Quero divagar um pouco sobre o ofício do editor, usando o exemplo deixado por Julius Schwartz.
Foi Julius quem reuniu a dupla Denny O'Neil e Neal Adams para produzir Lanterna Verde/Arqueiro Verde, para pouco depois virem a trabalhar em Batman, tanto na revista Batman quanto na Detective Comics. Sempre me lembrei da dupla O’Neil/Adams nesses títulos, mas nunca parei para observar quem os editava. O maior mérito do editor seria o de enxergar o potencial artístico dos dois e reuni-los. Um editor como Julius, além de ter essa visão, saberia o que esperar daquela união, fazendo apenas pequenos ajustes editoriais aqui e ali, porque a base já estaria certa desde o início, já que a escolha havia sido acertada. Não haveria necessidade de discutir à exaustão o roteiro e a arte. Traçar diretrizes era o bastante, não que não houvesse o que aprimorar ou aperfeiçoar. Embora não pareça, havia muito trabalho. Aí está o mérito de Schwartz como editor: colocar o artista certo no lugar certo.
Da esquerda para a direita: Ray Bradbury, Sergio Aragonés (sentado, ao fundo), Harlan Ellison (autor de O Demônio da Mão de Vidro) e Julius Schwartz na San Diego Comic-Con de 1981. Repare no canto inferior direito, a caricatura que Aragonés fez de Schwartz
Foi com um dos produtos lançados por Julius Schwartz que se iniciou a Era de Prata dos quadrinhos. Portanto, podemos dizer que ele “criou” a Era de Prata das HQs, ao lançar, em 1956, a edição número 4 da revista Showcase com a “volta” de Flash.
Julius recebeu muitas homenagens durante sua vida, que é o que vale mesmo! Uma delas foi a edição de Amazing World of DC Comics #3, de novembro de 1974, com capa de Joe Kubert, outro monstro sagrado das HQs, lançada durante uma convenção de quadrinhos no Missouri. Um dos maiores reconhecimentos do seu trabalho foi o lançamento de uma edição de Superman, mais precisamente a de número 411, de setembro de 1985, com uma história comemorando seus setenta anos de vida. Algo sem precedentes na história dos quadrinhos e, depois disso, pelo que sei, ninguém recebeu tal “presente”. Superman #411 está totalmente disponibilizado na Internet e pode ser lido na íntegra clicando aqui. Divirta-se!
Semana que vem a gente conversa de novo! Tchau!
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