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Avi Arad fala sobre novos e velhos filmes da Marvel
Por Marcelo Tavela — Quinta, 12 de fevereiro de 2004
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Avi Arad, presidente e principal produtor dos Marvel Studios, deu uma longa entrevista ao site FilmForce. Entre relatos sobre toda a estratégia de lançar os personagens da Marvel no cinema – que, segundo ele, começou com o desenho dos X-Men na década de 90 – e de como eles tiveram que esperar a evolução da tecnologia para conseguir resultados satisfatórios, Arad confirmou Bryan Singer com o diretor de X-Men 3, esperado para 2006.
Nas palavras do produtor, “Bryan nunca tinha lido X-Men antes de fazer os filmes. Nunca tinha lido nada de quadrinhos. Ele é um grande cara de ficção científica, mas HQs não eram a dele. Uma vez que fizemos ele entender os que são os X-Men, ele viu a mensagem com a qual tinha que trabalhar, e ele vai fazer X-Men 3”.
Arad mostrou grandes expectativas para O Justiceiro, próximo filme da Marvel. “Mostramos a edição final do filme para John Travolta [que interpreta um dos antagonistas] há alguns dias, e ele acha que é um dos seus melhores papéis. E Thomas Jane [Frank Clastle, o Justiceiro] é incrível. O filme tem muita coisa da saga Bem-vindo de volta, Frank [a primeira com Garth Ennis e Steve Dillon, após a bisonha fase do Justiceiro Anjo]. E você vê Joan quando olha para a Rebecca Romjin-Stamos. Temos um ótimo filme nas mãos, uma mistura de Pulp Fiction com Amor À Queima-roupa.”
Ele também foi perguntado sobre o primeiro filme do Justiceiro e disse: “Esse é o problema com filmes ruins: ninguém esquece deles.”
Arad deu também alguns detalhes sobre Quarteto Fantástico, dizendo que “será um grande filme de ação. Estou sentado aqui olhando para o roteiro final, e ele tem todos os pontos significativos que o Quarteto tem que ter. Esses caras saíram de um tragédia e têm seus poderes expostos para o público. Eles ficam vulneráveis de uma forma que seus poderes não podem proteger. E eles acabam usando esses poderes de uma forma emocional e individual”.
Questionado sobre a unidade e o “clima família” que deram a tônica nos quadrinhos, Arad foi bem direto: “Difícil manter a unidade quando todos estão na m... No filme, a presença do Quarteto Fantástico na mídia será forte. É como um atleta, que pode ser ovacionado em um jogo e execrado no seguinte. O Quarteto lidará com isso: pressões exteriores e medos internos. O filme se equilibrará aí.”
E o vilão? "Victor Von Doom".
Sobre Sean Astin, Arad fez um chove-não-molha e não o confirma na direção do Quarteto. “Vamos ver. Eu adoro ele. Mas vamos deixar tudo em aberto por enquanto.”
Arad confirmou o filme para o verão de 2005, com o início das filmagens para bem breve. Sobre Homem de Ferro, ele diz que a produção também começa este ano. O filme conta com roteiro de Alfred Gough e Miles Millar, os mesmos de Smallville e Homem-Aranha 2. E ainda declarou sobre o filme: “Tentamos Joss Whedon, mas ele estava muito enrolado. Vamos tentar outros projetos com ele no futuro.”
Com uma sinceridade rara para executivos de Hollywood, ele comentou Demolidor e Hulk: “Eu adoro Demolidor. Tivemos alguns problemas com críticos, mas as pessoas têm diferentes opiniões. Lançamos o filme numa data arriscada, em fevereiro [inverno no hemisfério norte], durante uma das maiores nevascas dos últimos tempos, e o filme fez U$ 42 milhões no fim de semana de estréia. Eu tenho duas pastas no meu e-mail sobre Demolidor, uma com o nome 'Eu amei' e a outra com 'Você merece a morte'. A primeira ficou mais cheia... Agora, Hulk é uma situação diferente. Quando você faz um filme com Ang Lee, você tem profundidade. Só que algumas pessoas não queriam tanta profundidade. Queriam Rick Jones e uma moto. Talvez não devêssemos ter sido tão profundos... Mas alguns países adoraram. Na França, onde nossos filmes são massacrados, eles adoraram.”
Ele enfatizou algumas ligações explícitas desse filme com as HQs, concluindo que “aquela seqüência dos 'hulkães' saiu direto do gibi, exatamente como o Hulk destruindo tanques no deserto. Mas reconheço que não é filme 'fácil'. Não é só comprar pipoca e sentar na poltrona do cinema. Tiveram alguns momentos em que nós ficamos muito assustados. Mas, para a Marvel, foi bem lucrativo. O filme foi muito bem em merchandising - as crianças adoram o Hulk. Só queria que tivesse gerado mais grana para a Universal...
Aproveitando a deixa, Arad falou sobre a dificuldade de atrair novos leitores para as HQs de heróis, principalmente os mais novos. "Estamos trabalhando nisso", ele afirmou. "Teremos grandes mudanças, com gente nova na Marvel. Gente como o Brian Bendis, que tem feito um ótimo trabalho. Não são histórias para quem tem seis, sete anos, mas pode acreditar que elas virão. Acho triste nenhuma grande editora publicar histórias para crianças, temendo que os mais velhos se afastem. Não atrair novos leitores é um sentença de morte.”
Voltando a falar dos filmes, ele deixa algumas coisas no ar, como estar quase fechando algo para o Namor e quer alguma coisa com o Capitão América. Sobre a parceria com a Pixar, Arad foi sarcástico: “Sem comentários. Eu não sei de nada. Sou só um cara tentando levar a vida...”
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