ou "Como apresentar seu projeto - parte 2 de 2"
O
papo que tivemos até o momento foi sobre o que não fazer. Através das histórias que contei, você viu situações (às vezes ridículas, outras cômicas – se não fossem trágicas) que um artista iniciante pode estrelar. Então o que fazer? Como diria nosso velho amigo Jack, vamos por partes; a primeira é
como montar um portfólio.
Nunca monte sua pasta de apresentação com todas as suas artes misturadas.
Organize-as. Escolha, faça opções. Se você se acha melhor em arte-final, coloque a maioria das amostras com artes que você finalizou. Depois, pode colocar alguma coisa do seu lápis e da sua cor. Se você se acha bom em cor, invista nisso. No lápis? Então monte com lápis. Faça opções. O editor gosta de objetividade. Você pode apresentar seu trabalho dizendo o seguinte: "Eu estou investindo na arte-final, mas também desenho e posso fazer cor".
Isso é bem diferente de alguém que faz tudo e se atropela. Você se mostra organizado e consciente do seu potencial. Com isso, num mercado limitado como o nosso, se o editor estiver atrás de um colorista, de repente, pode pintar uma chance mesmo você se apresentando como arte-finalista.
Procure ter uma
pasta limpa, sem pó de borracha acumulado pelos cantos, e sem páginas soltas que possam cair, evitando assim uma situação embaraçosa.
Nunca apresente artes inacabadas. É importante também que as artes sejam recentes: atualize sempre que possível seu
portfólio. Assine sempre os seus desenhos. Use sempre referência, mas
não copie poses comuns, clássicas, como a do Super-Homem voando ou a do Wolverine saltando com as garras preparadas para rasgar.
Na sua pasta, você deve ter
cópias que possa deixar caso sejam solicitadas. Sempre anote seu nome, telefone e e-mail para contato no verso das cópias. Hoje em dia, é legal ter um
disquete ou um
CD com seu trabalho digitalizado. Há editores que preferem em arquivo digital.
Ande sempre com a sua pasta. Não perca nenhuma oportunidade para mostrar o seu trabalho, mas não force a barra. Nesse caso, é legal ter também um
cartão de visitas - pode fazê-lo em impressora caseira mesmo. Não há por que se envergonhar disso, pelo contrário, você estará mostrando que sabe usar os recursos que tem em mãos.
Fique antenado com
eventos onde artistas e professores costumam fazer avaliações de
portfólio. Ouça. Não interrompa quando um artista já consagrado estiver dando dicas (para você ou para alguém) de como desenhar ou como montar uma página de HQ. Não justifique por que fez isso "assim" ou "assado", você não precisa justificar nada, você é o "aprendiz". Seja humilde.
Ouça e aprenda.
Procure conhecer a linha de publicação da editora que você deseja visitar e se eles publicam quadrinhos nacionais. É claro que é mais fácil conseguir algum trabalho em uma editora que já está publicando quadrinhos produzidos aqui no Brasil.
O projeto deve ser apresentado dividido em três partes:
sinopse,
amostra da arte e
roteiro completo.
A sinopse deve ser
sucinta, umas vinte linhas no máximo. Apenas 3 ou 4 páginas de amostra, não mais que isso. Caso o editor se interesse, ele tem o roteiro todo para ler e saberá que tipo de arte você está “sugerindo”.
Nunca apresente algo completamente pronto: há raras exceções de casos que vieram a ser publicados. Lembre-se de que estamos falando de um “produto”; é arte, sim, mas para entrar no mercado precisa, antes de mais nada, ser um “produto”. E é o editor que irá “embalar” isso. Esteja aberto para as seguintes situações:
"Gostei do seu roteiro, mas tenho outro artista em mente." ou
"Gostei da sua arte... Gostaria que você fizesse um teste com um roteiro que acabei de ler".
E aí? Você está disposto a encarar?
Semana que vem a gente conversa de novo. Até lá!
Ilustração de Mauricio Melo