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Crossover: quando os heróis colidem
Por Eudes Honorato — Quarta, 11 de fevereiro de 2004
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Editoras como a DC e a Marvel sempre promoveram encontros entre seus próprios personagens. Batman e Super-Homem se encontravam com frequência, assim como o Homem-Aranha estava sempre recebendo algum convidado em suas revistas, como o Demolidor, Hulk e etc.
Bom, o fato é que também acontecia de que poderia haver encontros nada amigáveis, sendo que o Super-Homem enfrentou o Capitão Marvel (ou Shazam) e até mesmo a Mulher-Maravilha.
Mas o termo crossover é mais aplicado quando personagens de editoras e/ou universos diferentes se enfrentam e isso aconteceu pela primeira vez, em 1976, quando finalmente a Marvel e a DC colocaram frente a frente seus maiores ícones: Super-Homem e Homem-Aranha.
Daí em diante os crossovers tornaram-se frequentes, sendo que até com pessoas do mundo real, como Muhammad Ali, o Super-Homem se confrontou. No caso aqui, Ali não pertencia a nenhuma editora, mas era de um outro “universo”, no caso a nossa realidade.
O crossover acontece, geralmente, depois que duas editoras chegam a um acordo para que seus heróis se encontrem e assim , possam gerar maiores lucros com as vendas daquela revista ou minissérie específica. Se teremos uma boa história, isso já são outros quinhentos.
Mesmo depois dos encontros dos mais famosos heróis das duas editoras, elas ainda assim apostaram várias vezes em mega-emcontros de seus próprios heróis, criando sagas como Guerras Secretas, da Marvel e Crise nas Infinitas Terras, da DC, que reformulou todo o universo dos personagens da editora.
Mas o charme do crossover, por assim dizer, é poder ver super-heróis de editoras rivais se encontrando para um combate. As vezes tem se gerar artifícios de roteiro para que o Homem-Aranha, que não tem nem metade da força do Super-Homem, possa enfrentá-lo de igual para igual. Claro que depois de alguns socos e pontapés trocados, devido a algum mal-entendido, controle mental, ou simplesmente por não ter ido com a cara do sujeito, os dois se unem para enfrentar um inimigo em comum, que vai de ameaças intergalácticas a supervilões que invadiram o território do outro.
Outras vezes os heróis encontram-se uma primeira vez e se enfrentam, como Batman e Demolidor e depois, quando há “necessidade” de um segundo encontro, não há como entrarem em combate, então já começam a história unidos por um objetivo, mesmo que ainda haja certa animosidade.
Nem todos os crossovers, porém, tem de ter um confronto entre os super-heróis. John Byrne escreveu e desenhou um encontro de Batman e Capitão América que lutam lado a lado, durante a II Guerra Mundial, no que é conhecido como linha elsewold (uma linha de revistas da DC que acontece em várias realidades alternativas).
Outros encontros como dos Novos Titãs com os X-Men geraram boas histórias.Mas com o aumento da produção deste tipo de história, fracassos homéricos foram produzidos, como DC X Marvel. Uma minissérie pra lá de esquecível, que acabou gerando uma nova experiência entre as duas editoras, que foi a Amalgam Comics, onde dois super-heróis (ou super-grupos) eram unidos formando um terceiro e totalmente novo personagem (ou grupo): por exemplo Batman e Nick Fury fez surgir Bruce Wayne – Agente da S.H.I.E.L.D. Alguns foram publicados no Brasil outros não.
Com o surgimento da editora Image no mercado, novos crossovers pipocaram. Batman enfrentou Spawn duas vezes, sendo que a primeira até mesmo foi escrita pelo genial mas-que-fez-cavaleiro-das-trevas-2, Frank Miller.
Os X-Men se encontraram com os Wild.C.A.T.S. O Homem-Aranha e o depois dele o Quarteto Fantástico se encontraram com o Gen 13. Super-Homem com Savage Dragon e por aí vai. Uma verdadeira torrente que parecia prezar mais a quantidade do que a qualidade.
Também houve vários encontros de Batman com o Juiz Dredd, da Fleetway Comics e do mesmo Juiz Dredd com Lobo, o maioral, personagem também da DC Comics.
Mas nem só de super-heróis vive o crossover. Com a editora Dark Horse publicando os personagens do cinema, como Predador, Alien e Exterminador do Futuro, aconteceram vários encontros dos heróis da DC, como Batman contra Aliens; Batman contra Predador e até mesmo Batman contra o Exterminador do Futuro. Super-Homem e a Liga da Justiça também tiveram sua cota de crossovers com alguns destes personagens.
Mas a Marvel também promoveu seu encontro com personagens que não eram de quadrinhos inicialmente. Numa história acima da média, os mutantes encontram-se com o Capitão Kirk e a tripulação da nave Enterprise.
Tivemos encontros verdadeiramente non sense do Super-Homem com personagens de desenhos animados como He-Man e até mesmo Pernalonga e sua turma, não publicados aqui no Brasil, e sabe-se lá que outros grandes encontros eu não estou a par.
Até mesmo, numa homenagem aos crossovers, os Simpsons e os personagens de Futurama, que possuem revistas em quadrinhos se encontraram numa minissérie chamada Futurama/Simpsons Infinitely Secret Crossover Crisis. Também não publicado no Brasil, pelo menos até agora.
Atualmente, nas bancas, está sendo publicada pela editora Panini a minissérie em quatro edições Liga da Justiça X Vingadores, escrita por Kurt Busiek e desenhada por George Pérez. Este mês sai o segundo número.
Em meio a tantos encontros mal-sucedidos este chega para trazer um pouco do que os crossovers deveriam sempre significar... alguns minutos de diversão de boa qualidade.
Que este e outros crossovers sejam para arrancar fortes emoções do leitor e não apenas a sua grana!
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