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A dança das cadeiras de personagens famosos
Por Luiz Eduardo Ricon — Quinta, 5 de fevereiro de 2004
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A escolha do elenco de um filme é uma ciência inexata. Não existem regras nem certezas. Às vezes, o ator ou atriz que todo mundo julgava a escolha perfeita para um determinado papel simplesmente não funciona. Outras vezes é o contrário, um miscasting óbvio acaba funcionando que é uma beleza.
Muitos de vocês devem saber que, antes de Harrison Ford assumir o chapéu e o chicote de Indiana Jones, George Lucas e Steven Spielberg pensaram seriamente em contratar Tom Selleck (o Magnum da TV) para interpretar o maior aventureiro do cinema. O teste de Tom Selleck está lá nos extras da caixa de DVDs do Indy, para quem duvidar de mim.
Em meados dos anos 80, o primeiro filme do Batman começou a ser gestado. Dizem que Richard Donner foi chamado para a direção.
Donner tinha dirigido a melhor adaptação de um super-herói para o cinema até então, o filme Superman I, e pensou no então jovem e atlético Mel Gibson para vestir a capa do morcegão. Mas o projeto caiu nas mãos de dois executivos em ascensão, Jon Peters e Peter Guber, que resolveram entregar o filme para o esquisito Tim Burton, que escolheu o ainda mais esquisito Michael Keaton para o papel título. Richard Donner e Mel Gibson enfiaram a viola no saco e foram criar outra máquina (mortífera) de fazer dinheiro.
O próprio Batman já deu (e continua dando) muito pano para a manga no quesito boatos de elenco. Seja no próprio papel do morcegão, para o qual já foram cotados Daniel Day-Lewis, Kurt Russel, Clint Eastwood (para O Cavaleiro das Trevas), Keanu Reeves (para um Batman do Futuro) e muitos outros, ou na pele dos vilões, como o Coringa - que quase foi interpretado pelo Willem Daffoe - ou do Duas Caras, já que o promotor Harvey Dent era interpretado por Billy Dee Williams (o Lando Calrissian de Star Wars) no primeiro filme e surpreendemente virou o Tommy Lee Jones no Batman Eternamente.
Depois do acidente com Christopher Reeve, escolher um outro Super-Homem também tem feito muita gente suar os ternos em Hollywood. De Brendan Fraser e Jude Law a Josh Harnett, a cada novo bonitão que desponta em Hollywood, um novo possível Homem de Aço aparece nas manchetes. Mas, sinceramente, depois do improvável Dean Cain ter dado tão certo no seriado Lois & Clark, acho que a escolha mais adequada seria promoverem o Superboy Tom Welling (de Smallville) para as telonas daqui a uns anos. De lambuja, ganharíamos um Lex Luthor ainda melhor do que o John Shea (de Lois & Clark) e certamente muito mais adequado do que o Gene Hackman (o Luthor dos filmes do cinema).
Ainda no terreno dos super-heróis, quando começou a se falar num possível filme dos X-Men, o papel mais discutido era, obviamente, o do Wolverine. Enquanto muitos atores eram cotados para o papel (incluindo os inconcebíveis Robert de Niro e Harvey Keitel!), a coisa foi se definindo, e Dougray Scott (o príncipe Henry de Para sempre Cinderela) era cada vez mais dado como certo para o papel. Mas alguma coisa aconteceu no meio do caminho (dizem que foi um atraso de três meses nas filmagens Missão Impossível 2) e Dougray Scott perdeu o papel para Hugh Jackman. Hoje, dificilmente alguém consegue pensar em outro ator para interpretar o mutante mais enfezado dos quadrinhos e (agora também) do cinema. Tanto que um filme solo do Wolverine é cada vez mais provável.
Nesse mesmo estilo, Stuart Townsend (o Dorian Gray de A Liga Extraordinária) conseguiu perder um papel verdadeiramente imperdível, para o qual já tinha assinado contrato e tudo.
Isso aconteceu uma semana antes de se iniciar a produção de O Senhor dos Anéis, na Nova Zelândia. Misteriosamente, Stuart foi demitido e Viggo Mortensen recebeu o convite para voar imediatamente para o outro lado do mundo e passar meses e meses num país distante para filmar três filmes de uma só vez. Graças aos deuses do cinema, Mortensen disse sim e nós ganhamos um Aragorn acima de qualquer suspeita.
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