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O melhor diretor do ano
Por Tiago Cordeiro — Terça, 3 de fevereiro de 2004
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Peter Jackson não merece o Oscar de melhor diretor. Não, eu não enlouqueci estimado leitor e nem quero incitar milhares de tolkienmaníacos à minha porta. Embora tenha amado O Retorno do Rei, não considero seu diretor o mais indicado a receber a estatueta dourada.
Bem, vocês devem estar imaginando que eu devo ter um nome em mente para afirmar isso, não? Estão certos. Para mim, o Oscar deve ir para um certo Clint Eastwood por seu trabalho em Sobre Meninos e Lobos.
O filme é a história de três amigos. Durante a infância, são abordados por dois pedófilos que se dizem policiais. Um deles, Danny (Tim Robbins), acaba entrando em seu carro e sofre em suas mãos por quatro dias até que consegue fugir. Os três amigos só se reencontram décadas depois, já com quarenta anos, quando a filha de um deles, Jimmy (Sean Penn, em excelente atuação), é assassinada e o policial e membro do trio, Sean (Kevin Bacon), está designado para resolver o caso.
Vejo o filme de Peter Jackson como o melhor de seu gênero, mas vejo alguns defeitos que não comprometem nem de perto a história, mas não o tornam o melhor candidato para o Oscar de melhor diretor. Um exemplo altamente comentado é da relação entre Sam e Frodo. Para muitas pessoas que não leram o livro, ficou difícil entender a amizade dos dois hobbits. O que deveria ser um exemplo de companheirismo acabou ficando caricaturalmente exagerado com um Sam chorão e um Frodo muitas vezes afeminado. Além disso, há também, a inexplicável loucura de Denethor, que resolve queimar a si e ao seu filho (o que não é exatamente um exemplo de suicídio indolor). E, para completar, o fato de todos os filmes juntos terem mais de doze horas, o que o torna cansativo para muitos, especialmente àqueles que não são fãs do gênero.
Enquanto isso, quase não vejo defeitos na direção de Clint Eastwood. O trabalho impecável de Penn e Robbins é aproveitado ao máximo e, surpreendentemente, Kevin Bacon consegue não apenas uma boa atuação, mas a melhor de sua carreira. Em que se valorize o esforço do ator, é preciso lembrar que Bacon jamais foi um intérprete brilhante.
Como se não bastasse o acerto na direção dos atores, Eastwood também acerta ao adaptar um livro sem cair na armadilha dos diálogos excessivos, sempre um perigo ao se tentar levar uma obra previamente escrita para as telas. Logo, enquanto O Retorno do Rei é um exemplo de trabalho bem feito de toda uma equipe, Sobre Meninos e Lobos é um filme com a cara de seu diretor.
Por fim, Sobre Meninos e Lobos consegue ser tão emotivo quanto O Retorno do Rei, mas com personagens muito mais bem caracterizados e com uma simplicidade genial.
Se a adaptação do desfecho da trilogia O Senhor dos Anéis é um épico sobre amizade, o filme de Eastwood é um filme sobre as relações entre os homens. E, ao invés de dizer “que filme”, é preciso dizer “que diretor”!
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