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Surpresa no Mar vs. Extraordinário Fracasso
Por Rafael Cardoso — Quarta, 1 de outubro de 2003
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Dois grandes filmes recentemente movimentaram as expectativas dos cinéfilos de plantão e principalmente dos fãs de quadrinhos: "Piratas do Caribe" (acredite ou não, baseado num brinquedo do "Disneyland") e "A Liga Extraordinária" (baseado numa graphic novel do sempre genial Alan Moore).
Surpresa
A verdade é que eu, ao contrário da maioria das pessoas, não esperava muita coisa de Piratas do Caribe. Era um filme com um tema pouco popular e até batido; com um elenco, que não me parecia adequado para o filme e aparentemente mais preocupado com os efeitos especiais que com a história em si: ledo engano...
Quem diria que Johnny Deep se sairia tão bem? Um pirata divertido, ousado, engraçado, com trejeitos até femininos que também podem ser confundidos com de um homem sempre bêbado. A verdade é que o rapaz aí rouba a cena o filme todo e o que deveria ser apenas um anti-herói divertido, acaba se tornando o verdadeiro herói do filme: o mocinho, que acumula toda a torcida do cinema.
Mas certamente Deep não segura o filme sozinho, pois ele tem uma qualidade que considero inestimável para este tipo de narrativa: ela não tem pretensão de ser melhor, maior ou mesmo mais importante que realmente é. O filme reconhece sua função de unicamente divertir e entreter o telespectador por duas horas. E a verdade é que ele consegue. Mesmo atuações discretas como a de Orlando Bloom (o Legolas do "Senhor dos Anéis") e Keira Knightley não estragam o filme em nada, apenas aumentando seus atrativos.
Com um humor acertado, muitas e boas cenas de ação, uma bela fotografia e efeitos especiais de alta qualidade (sem dúvida os melhores mortos-vivos das telonas), Piratas do Caribe corresponde a todas expectativas e certamente vale a pena para quem ainda não viu.
Fracasso
Agora, da Liga, eu já esperava bem mais, até por ser um filme baseado em quadrinhos, o que só aumenta as expectativas. Mas o verdadeiro nome do filme deveria ser "Extraordinário Azar", pois é o típico caso em que tudo que deveria dar certo, acabou dando errado. Por exemplo, diversos sets das gravações, avaliados em 7 milhões de dólares, foram destruídos por enchentes ocorridas na República Tcheca no verão de 2002 durante as filmagens; o ator Sean Connery teve várias discussões (para não dizer brigas) com o diretor Stephen Norrington (que inclusive afirmou em entrevista que o projeto todo foi tão estressante, que ele pretende ficar uns tempos sem trabalhar em Hollywood); o próprio Connery teve uma atuação abaixo da média; a inclusão do agente secreto americano, Tom Sawyer, que tinha como objetivo cativar o público americano, acabou decepcionando fãs da revista e não agradou ao grande público; o nome e a história original do "Homem Invisível" não pode ser usado por conta de direitos autorais; os efeitos especiais saíram abaixo do esperado; o título chegou a ser "The League" (A Liga), mas acabou retornando ao original e recentemente o filme foi processado por se parecer com um projeto já existente do produtor Martin Poll (de ''O Leão no Inverno'') e o roteirista Larry Cohen (de ''Por um Fio'').
Se já não bastasse tudo isso, o roteiro do filme é bem fraco (muito inferior ao da revista original), como quando Allan Quatermain (Connery) está preste a morrer e passa o novo século para o seu discípulo e agente americano Sawyer. Notaram como é a Inglaterra deixando o século XX para os Estados Unidos? Sim, realmente é ruim a este nível…
E este é típico caso de pretensão de se criar um clássico, de ser um grande filme, que acaba sendo muito inferior ao pretendido. As atuações também estão abaixo da média, assim como a fotografia do filme.
"Quer dizer que é tudo ruim?" - pergunta o leitor e digo que não. Dá para ver o filme sim e até se divertir, o roteiro tem uma ou outra sacada mais legal e Sean Connery como Quatermain te dá aquele gostinho de Indiana Jones! A idéia é realmente ir ao cinema com a mentalidade de ser um filme de médio para fraco, mas se você gostou, não espere continuações, pois depois de grandes sucessos da Fox na área dos quadrinhos (como Blade, X-men e Homem Aranha), veio um fracasso para frear o processo. Infelizmente...
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