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Coraline, de Neil Gaiman, no Brasil
Por Marcelo Tavela — Segunda, 2 de fevereiro de 2004
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Muita gente subestima a literatura infantil, achando-a limitada à histórias simples ou até vazias. Lewis Carrol é um bom argumento para refutar – ressaltando que ele nunca disse que Alice no país das maravilhas ou Alice através do espelho são histórias para crianças. Outro ótimo argumento é Neil Gaiman, que acaba de ter Coraline, uma de suas obras voltadas para os pequenos, lançada por aqui pela Rocco Jovens Leitores.
Coraline é uma menina que acaba de se mudar para um prédio antigo, e não está se sentindo muito confortável com isso. Seus vizinhos são velhinhos excêntricos que teimam em chamá-la de Caroline, mas incentivam a curiosidade da menina. Um belo dia - ou melhor, numa tarde chuvosa -, ela consegue abrir uma porta que estivera sempre trancada na sala de visitas e vai parar no apartamento vazio do quarto andar. Coraline descobre que o lugar não está exatamente desabitado: duas criaturas que vivem em um mundo fantástico afirmam ser seus verdadeiros pais. Ela também encontra brinquedos incríveis e novos vizinhos esquisitos que nunca erram seu nome. Porém, logo descobre-se que, além de encantador, esse mundo também é bastante perigoso.
Com uma trama que homenageia Carrol, Gaiman mostra um conto de fadas tenebroso, com muitas voltas na narrativa, que subverte aspectos simples do cotidiano. O britânico consegue ser, ao mesmo tempo, sutil e cruel, escrevendo um conto de terror inteligente e mágico, condizente com a inteligência do leitor.
Depois de Coraline - que deve virar filme distribuído pela Disney - Gaiman continuou escrevendo para crianças, produzindo O dia em que troquei meu pai por dois peixinhos dourados e The wolves into the wall. Ele sabe como é importante fisgar a molecada para leitura desde cedo. E que eles, e nós, leiamos.
Coraline tem 160 páginas e custa R$ 25. As ilustrações, como de praxe, são de Dave McKean.
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