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Sex and Gotham City
Por Leonel Dorkboy — Segunda, 2 de fevereiro de 2004
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Não faz muito tempo, chegou nas bancas aqui perto da minha casa um novo mangá . O nome? Love Junkies . O tema? Sexo .
Pois é, ali estava, um mangá erótico (na verdade, parte de um gênero chamado ero comedy , “comédia erótica”). Não era um dos famosos hentai, o equivalente mangá à pornografia, estava mais para uma versão um pouco mais ousada (e gráfica) de filmes como American Pie ou Porky’s , só que bem mais inteligente. Depois de ler os três primeiros números (vamos admitir, é engraçadíssimo), eu comecei a pensar “por que não vemos mais desse tipo de quadrinhos nas bancas?” Obviamente, ninguém quer ver as HQs publicadas no Brasil virando um monte de sacanagem, mas, considerando-se que sexo vende, não seria uma jogada esperta trazer para cá mais títulos pensantes e engraçados com conteúdo erótico? Talvez pudesse dar o “empurrão” que a indústria de quadrinhos precisa para trazer mais títulos para o país.
Logo depois desse raciocínio (podem me agradecer mais tarde por salvar os quadrinhos no Brasil, rapazes), eu me dei conta de que a única fonte desse tipo de material fora do Japão é a indústria alternativa ou a Europa. O que nós conhecemos como quadrinho mainstream NUNCA publica NADA com este tipo de conteúdo. Novamente, me veio a pergunta: por quê?
A resposta mais fácil (e à qual os mais tradicionalistas vão se agarrar) é que quadrinho mainstream (ou seja, Marvel, DC, etc.) é coisa para criança. Portanto, nada de indecências. Mas, pera lá, se nós estamos tão preocupados assim com os nossos infantes e suas HQs (como se eles lessem HQs, ha ha ha), então o que são as capas do Greg Horn em títulos como Elektra e Emma Frost ?
Está na cara que a grande indústria super-heróica de HQs usa elementos eróticos para vender. Então, por que não admitir? Qual é a vergonha nisso? A impressão que se tem é que as grandes editoras (e aqui vamos destacar – de longe – a Marvel , pois não em lembro de nenhum exemplo tão forte por parte da DC ) fazem uma verdadeira propaganda enganosa, colocando uma capa com mulheres seminuas para atrair os pré-adolescentes espinhentos e cheios de hormônios, enquanto na verdade o conteúdo da revista não traz nada disso. O pior, isso não tende a atrair mais pré-adolescentes espinhentos e cheios de hormônios, só tende a afastá-los, já que eles podem conseguir o que querem na internet, de graça. E não vamos falar só nas capas nem só no Greg Horn. Quase todas as super-heroínas até o início deste século usavam roupinhas cavadas e provocantes e coladas, claramente para ressaltar seus “dotes” e atrair a molecada (e os quarentões solitários). Por que então não admitir isso? Vamos lá, Marvel, repita comigo: “EU USO SEXO PARA VENDER GIBIS!”.
Agora vamos a um exemplo positivo da parte da Casa das Idéias: algumas sacadas do gênio Grant Morrison à frente dos Novos X-Men . Morrison fez da Rainha Branca (a já citada Emma Frost) uma personagem extremamente erótica. Em um determinado momento, ela usa seus poderes telepáticos para dar um orgasmo a toda uma multidão que protestava na frente da Mansão X. Em outro momento, ela afirma “eu sou uma das mais poderosas e mais lascivas telepatas do mundo”. Ok, Grant admitiu que Emma Frost é levadinha. Alguém morreu? Alguma criança virou um maníaco sexual? Acabou a indústria de HQs?
Então, por que essa hipocrisia? Seria muito melhor se a indústria de HQs se decidisse, voltando-se unicamente para uma abordagem all-ages (que pode render histórias excelentes - Harry Potter e os desenhos da Liga da Justiça estão aí para não me deixar mentir) ou encarando a bronca e usando o erotismo de maneira aberta (quando for apropriado) em seus títulos. Não venderia mais? Não deixaria os clientes mais satisfeitos?
Então, por que tanto medo? Essa indústria precisa logo perder a virgindade ...
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