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E começa a corrida para o Oscar
Por Nicole Mezzasalma — Quarta, 21 de janeiro de 2004
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Na última semana, desde que retornei a Londres, assisti a dois dos filmes já indicados ao Globo de Ouro, com estrelas de peso e que fatalmente estarão na disputa pelas estatuetas carecas: O Último Samurai e Cold Mountain.
Tom Cruise protagoniza e estrela o primeiro, ambientado no Japão do século XIX. Ele interpreta um capitão americano convidado pelo imperador japonês para dar cabo de um grupo de guerreiros rebeldes, os samurais do título, mas acaba sendo capturado e “assimilado” (para usar um termo nerd) por seus até então inimigos. Vocês podem ler nossa sinopse do filme aqui.
Descontadas todas as diferenças de ambientação, história e dos personagens, é impossível não deixar de notar uma forte semelhança entre O Último Samurai e o premiado Coração Valente, estrelado e dirigido por Mel Gibson. O princípio é o mesmo: um homem inspirando seu povo a lutar pelo que é certo, mesmo que isso lhes custe suas vidas.
O detalhe é que o herói da história japonesa não é Tom Cruise, mas sim o samurai Katsumoto, vivido brilhantemente por Ken Watanabe. A presença do ator japonês é tão forte que ele engole Cruise toda vez que os dois contracenam, e ele consegue transmitir nobreza com um simples movimento de cabeça ou olhar. A profundidade de seu personagem é tocante: leal ao seu daimyo, o Imperador, ele luta contra o exército de seu país porque sabe que está defendendo as tradições e a honra do povo japonês.
Já Cold Mountain tem mais cara de superprodução hollywoodiana, e de fato é um filme mais grandioso, o que também se reflete nas indicações ao Globo de Ouro (oito no total). O elenco tem mais nomes de peso: além da ex-Sra. Cruise, Nicole Kidman, temos Jude Law como seu par romântico (o circunspecto Inman) e Renée Zellwegger como a comigo-ninguém-pode Ruby. Donald Sutherland ainda faz uma ponta como o pai de Ada, personagem de Kidman, e até Jack White, membro da banda White Stripes e responsável por algumas canções da ótima trilha sonora, faz uma ponta.
A história, ambientada na Guerra Civil Americana, tem ainda outro grande trunfo: o já oscarizado diretor Anthony Minghella, de O Paciente Inglês e O Talentoso Ripley. Já Cruise e seus samurais contam com o comando do não tão famoso Edward Zieck, que tem no currículo o suspirante Lendas da Paixão e produziu sucessos como Shakespeare Apaixonado.
Os dois filmes têm ainda outras qualidades em comum. Ambos possuem trilhas sonoras primorosas, perfeitamente adequadas aos altos e baixos das narrativas. Enquanto o veterano Hans Zimmer cuida da trilha de Samurai, o cancioneiro popular norte-americano abastece a de Cold Mountain, cujo ponto alto é a bela You Will Be My Ain True Love, composta por Sting e interpretada por Alison Krauss.
Ambas as produções também têm como ponto alto a fotografia – um amigo meu comentou que qualquer um dos dois filmes poderia ser usado como material promocional pelas secretarias de turismo do Japão e da Carolina do Norte, respectivamente!
Enfim, são dois grandes filmes em um ano repleto de produções altamente premiáveis. Resta esperar um pouco para ver o que os jornalistas (no caso do Globo de Ouro) e a Academia pensam sobre 2003.
Links:
Site oficial de O Último Samurai em português.
Site oficial de Cold Mountain em inglês.
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