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Nós vimos O Último Samurai
Por Tiago Cordeiro — Terça, 20 de janeiro de 2004
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Katana de muitos gumes
O Último Samurai é um filme que fala sobre ter uma segunda chance. Não apenas isso, mas também sobre ajudarmos certas pessoas a alcançarem seu próprio destino, haja o que houver.
Com uma fotografia de tirar o fôlego, que guarda em si todo o clima da história e batalhas épicas, porém extremamente realistas, a película estrelada pelo ator Tom Cruise é excepcional. Vale falar que o figurino também é muito bem concretizado.
O ex-herói de guerra Nathan Algren (Cruise) vive agora de garoto-propaganda para uma fábrica de armas, até que é contratado para treinar soldados japoneses para lutar contra samurais que atrasariam o progresso durante a era Meiji. Algren acaba sendo capturado e levado para a aldeia de Katsumoto, o líder dos Samurais que, ao invés de tratá-lo como um prisioneiro, permite que o soldado aprenda o modo de vida dos tradicionais guerreiros.
Não pensem que o filme é algo arrebatador e original, pois não é. O Último Samurai tem muitos clichês típicos de Holywood, mas a competência do diretor Edward Zwick está em não se limitar às obviedades. Apesar de Cruise continuar um ator apenas mediano, contribui para compor um filme americano que não deixa de retratar o lado negro dos Estados Unidos. Aqui, os norte-americanos também estão do lado dos bandidos - a prova dessa postura é o fato de haver um número acima do razoável de diálogos em japonês, apesar de os atores serem pagos em dólares.
Pequeno comentário: um amigo meu comentou ter ouvido que o filme poderia ser uma alegoria da invasão do Iraque.
Para mim, não confere. Katsumoto (Ken Watanabe), o líder dos samurais e aquele que é atacado, não lembra em nada Saddam Hussein, e tampouco os soldados iraquianos eram guerreiros lutando por sua honra, mas sim militares obedecendo ordens.
Dentre os atores principais não há muito destaque. Nem Cruise e nem Watanabe chegam a se destacar como atores, mas sim como lutadores, quando realmente dão o tom verossímil às batalhas. E Zwick, por sua vez, consegue dar espaço às cenas de ação sem banalizá-las. No geral, os atores levam seus personagens de forma regular, deixando que a qualidade da própria história se encarregue de impressionar o espectador.
O Último Samurai é também uma história triste. Afinal, narra a derrocada da tradição para a modernidade. O fim de uma era em que os inimigos eram muito mais fáceis de serem percebidos e os bons, muito menos injustiçados. Acima de tudo, é um filme que fala sobre seguir em frente, mas lembrando que não podemos chegar à conclusão de quem somos antes de conhecer quem fomos.
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