
Sabe quando lhe perguntam qual o herói mais estranho que você curte? Muitos gaguejam, titubeiam e até mesmo temem em responder. Quando me fazem essa pergunta, eu tenho a resposta na ponta da língua:
o Retalho.
Na revista
Batman #3 (1ª série), da
Editora Abril, de setembro de 1984, foi publicada uma aventura curta do Retalho, e, no final dela, a promessa de que conheceríamos o personagem em breve. Essa promessa nunca foi cumprida. Felizmente, a
Ebal – Editora Brasil-América lançou duas edições extras de
Invictus, a primeira em 1977 e a segunda em 1978, onde eu já havia podido acompanhar as histórias do Retalho.

A história de cinco páginas publicada pela Abril foi originalmente apresentada em
Ragman #5, de junho/julho de 1977, a última edição da série original que apresentou o personagem. O Retalho foi criado pelos lendários
Joe Kubert e
Robert Kanigher (1915-2002). Kubert é muito conhecido pelo seu trabalho em
Sargento Rock e Kanigher foi um dos principais escritores da DC Comics nos anos 1930/40.
Depois dessa série, Ragman fez somente duas aparições, uma em
Batman Family #20, em 1978, e outra em
The Brave and the Bold #196, em 1983. Somente em 1991 é que o personagem foi lembrado novamente, ao estrelar uma mini-série em 8 partes escrita por
Keith Giffen (
Liga da Justiça, Lobo) e ilustrada por
Pat Broderick (
Capitão Átomo) e, em 1993, o Retalho ganhou mais uma série limitada em 6 partes, escrita por
Elaine Lee (
Vamps) e ilustrada por
Gabriel Morrissette.
Mas afinal, quem é o Retalho?

Retalho é
Rory Regan, um ex-combatente do Vietnã, que retorna para casa e vai trabalhar com o pai, Gerry Regan, num tipo de um brechó onde se compra e vende de tudo, a
Rags’n’Tatters (batizada pela Ebal de
Trapos & Trastes). O pai, que sempre prometera ao filho quando criança que eles enriqueceriam, compra um colchão e, junto com três amigos (um ex-Sansão do circo, um campeão de boxe e um acrobata), descobre que em seu interior há uma fortuna, algo em torno de dois milhões de dólares. Escondem o colchão no meio de muitos outros, mas, antes que possam contar para Rory, são atacados por uma gangue que está atrás do dinheiro. Os bandidos, para torturá-los, atiram em fios elétricos que caem sobre eles, e é nesse momento que Rory chega e tenta salvá-los. Sem sucesso, desmaia e, ao acordar, descobre que seu pai e seus amigos estão mortos. Na casa, encontra uma estranha roupa que seu pai lhe deixa com um bilhete para que ele a use em uma festa a fantasia que iria com sua amiga Bette. (Que fique subentendido que Rory ganhou as habilidades dos amigos de seu pai.)
As histórias da primeira série usam o cotidiano como
Will Eisner fez em
The Spirit. Ragman é uma “desculpa” para mostrar a pobreza, a vida comum dos moradores que precisam vender coisas para viver. Rory comprando bugigangas e até mesmo emprestando dinheiro às pessoas. Nessa primeira série, acaba acolhendo
Teddy, um menino negro que é cego e mudo, que corre risco de vida por ter sido testemunha de um duplo assassinato. O menino tem um gato de estimação que se torna o único ser a conhecer a dupla identidade de Rory. O final do primeiro arco de histórias do Retalho é tragicômico. Se você não quiser saber não leia o parágrafo a seguir.
Teddy procurando por papel no depósito encontra as notas de dólares e as usa para aumentar e manter aceso o fogo que um velho mendigo acendeu para se aquecer.
E você? Qual é o herói mais estranho que você curte?
Até a semana que vem!