Escrita por Warren Ellis (Transmetropolitan, The Authority) e ilustrada por John Cassaday (Capitão América). Porém, não são somente a estas ótimas referências que estou chamando atenção. Vou explicar melhor:
No primeiro semestre de 2002, comprei a minissérie The Authority – Círculo do Medo. No final da última edição, anunciava-se que a Pandora Books (que publicou a dita minissérie) publicaria uma nova revista em quadrinhos contendo The Authority e um tal Planetary – Os Arqueólogos do Impossível. Não fui com a cara. Três pessoas – uma mulher em pé, de cinza, um homem mais atrás, todo de branco e cabelos brancos e um cara com um jeito de coitado, sentado. Não parecia nada promissor. Mas eu queria comprar The Authority (que é outra história, que se ninguém contar primeiro, talvez um dia eu fale desta HQ), e teria de levar essa outra, quisesse ou não.
Chegou, então, às bancas a revista esperada. Comprei e devorei o primeiro título. Era em formato americano e flip flop, ou seja, de um lado The Authority, do outro, Planetary. Depois de ler o título que me interessava, fui sem muitas expectativas para o segundo. Me surpreendi. Mas me surprendi por pouco tempo. Não, a revista não caiu de qualidade, simplesmente a Pandora Books cancelou a revista de título duplo no terceiro número (lançando apenas um quarto número de The Authority para fechar um arco que ficaria incompleto). Planetary, no entanto, se foi.
Para que os que não tiveram a curiosidade, oportunidade ou mesmo não se interessaram em ler Planetary, aqui vai um pequeno resumo dos três únicos números publicados aqui no Brasil.
Ao Redor do Mundo: os personagens são apresentados. Passamos a conhecer o misterioso Elijah Snow, que possui poderes congelantes e falhas de memória. Ele é recrutado por Jakita Wagner, que possui uma força sobre-humana, para integrar o Planetary, juntamente com o Baterista, que consegue se comunicar, de certa forma, com as máquinas. O objetivo do Planetary é desvendar “a história secreta do século XX”. Financiado por um desconhecido chamado "O Quarto Homem", que nunca aparece, o Planetary tem sua primeira missão com Snow nas Adirondacks (montanhas situadas nos EUA, na fronteira com o Canadá), local onde se sabe, foi o último destino do Dr. Axel Brass ou apenas, Doc Brass.
É aqui que começa a grande aventura de Planetary, o que a torna uma HQ diferente das outras. Doc Brass é uma de muitas referências pelos seus 18 números publicados até agora (contando pelas edições americanas e sem contar um preview que foi publicado por lá). Doc Brass é uma referência a Doc Savage, o "Homem de Bronze" (Brass=bronze; sutil, não?). Savage é um herói da década de 30, uma época em que se publicavam as chamadas revistas pulp. Revistas de baixo custo de 100 a 160 páginas que popularizaram vários heróis. E, nesse número, aparecem outros personagens que lembram de imediato outras figuras criadas naquela época: um homem bem vestido que nos remete a Lorde Greystoke (o Tarzan); outro que parece ser uma homenagem ao Sombra, mas que na verdade é a um personagem não tão conhecido aqui, o Spider; temos também Hark, que é um homenagem a Fu Manchu (que, regenerado, está ao lado dos heróis) e há ainda um inventor chamado Edison e um aviador que na verdade é um agente secreto, referências mais obscuras para um mero mortal como eu.
Ao ser encontrado nos Adirondacks, Brass está guardando algo numa caverna há mais de cinqüenta anos: um supercomputador capaz de acessar o multiverso, por conta da teoria do floco de neve. Eles podem ver mundos sendo criados e deixando de existir em segundos.
Numa jogada de gênio, Warren Ellis mostra pessoas de um dos mundos que está para morrer conseguindo sair desse multiverso através do computador criado por essa espécie de "sociedade" de heróis antigos. Mas o que há demais nessas pessoas? Bom, elas são uma versão dos super-heróis que conhecemos (parece ser até mesmo uma versão da Liga da Justiça), e que tomaram de assalto o mundo, deixando os heróis dos pulps no esquecimento. Como diz Brass, “eles nos atacaram”.
O mundo desses super-seres está para morrer, e eles querem tomar a Terra. Os heróis dos pulps vencem uma sangrenta batalha, mesmo ao custo de suas vidas, sobrando apenas Brass, que passa a tomar conta do supercomputador, para que este não dê passagem a outros seres. Como ele passou esses 50 anos sem comida ou água e outras necessidades, é explicado melhor na revista.
Até mesmo essa vitória que lhes custou a vida é uma referência ao fato de que os super-heróis de hoje foram criados em cima de muitos conceitos desses heróis antigos. Doc Savage, por exemplo, foi criado em 1933, e era mais forte que um homem normal, graças a um treinamento rigoroso e não a super-poderes. Doc Savage se isolava numa Fortaleza da Solidão, numa ilha do Ártico, assim como o Super-Homem, criado em 1938. Sem contar outros exemplos.
Levando Brass para um hospital e salvaguardando todo o conhecimento acumulado por aquelas pessoas naquela caverna, o Planetary completa sua primeira missão (para o leitor, já que o Planetary existe há bastante tempo, como grupo).
Semana que vem, falo sobre os outros dois números publicados por aqui e suas referências. Até lá.