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A luta do século
Por Priscila Queiroz — Segunda, 5 de janeiro de 2004
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Uma discussão movimentou uma das listas de que faço parte no último mês. O Senhor dos Anéis será ou não uma trilogia que ficará para a história do cinema? Será algo tão pop quanto Star Wars? O que é melhor, a saga de Frodo ou as aventuras de Luke Skywalker?
Não há dúvidas de que O Senhor dos Anéis marcou o cinema. Por serem filmes de fantasia que se levam a sério, se tornarão referências para o gênero na telona, assim como os livros já são referências literárias há muito tempo. Apesar de não trazer grandes inovações técnicas, a trilogia de Peter Jackson foi um alento em uma época de filmes de fantasia recheados com cenários completamente feitos como CGI e personagens gerados por computador que não convencem. Um filme não precisa inovar tecnicamente para ser um marco, uma história cativante e personagens com que possamos nos identificar também colaboram. É pelos últimos que O Senhor dos Anéis se destaca, por passar uma sensação de verossimilhança, mesmo ao contar uma história fantástica, por ter levado as obras de fantasia medieval a um outro nível no cinema. Depois da Saga do Anel, será difícil que alguém tenha a coragem de fazer um outro Dungeons & Dragons.
A empreitada de Peter Jackson para filmar a trilogia também ficará marcada, pelo menos para aqueles que se interessam por cinema a ponto de louvar um diretor que passou 18 meses filmando três filmes ao mesmo tempo, sem ter certeza de que o primeiro daria certo. O neozelandês apostou sua carreira nesses filmes e ganhou reconhecimento mundial.
Se a obra do Professor Tolkien já era popular em alguns países antes, agora está mais pop do que nunca. No Brasil, apesar de ter vários leitores e estudiosos há anos, Tolkien nunca foi tão famoso e mainstream quanto agora. A mesma coisa em outros países em que os livros não chegaram às salas de aula, como nos Estados Unidos e na Inglaterra. A tendência é de que O Senhor dos Anéis fique cada vez mais popular, mas se será tão pop quanto Star Wars só o tempo e os milhões investidos em merchandising vão dizer. O fato é que Tolkien já era um fenômeno antes de Star Wars nascer, mas talvez o hype em torno de Frodo e cia. seja menor do que em Star Wars justamente porque o merchandising dos livros era muito menor. Os filmes devem mudar isso: já estão nas lojas as coleções de brinquedos, os jogos eletrônicos, o card game... Além disso, a trilogia agora é parte do fenômeno Tolkien, uma parte fundamental para a popularização da obra nos países que não têm uma cultura literária de ficção científica e fantasia tão forte (algum brasileiro se identificou?).
Star Wars e O Senhor dos Anéis são obras diferentes desde a sua concepção: uma nasceu como filme, com o desenvolvimento limitado pelo tempo de projeção; outra nasceu como livro e foi desenvolvida em páginas e mais páginas de história, com espaço para o aprofundamento de personagens e criação de histórias que se interligam, dando profundidade à mitologia criada por seu autor. Só o fato de terem sido criadas para mídias diferentes torna difícil comparar as duas obras, pela grande diferença entre as linguagens. A adaptação de O Senhor dos Anéis para o cinema até permite a comparação, mas os filmes, como são adaptações, mostram só uma parte do que é a obra de Tolkien. No fim, o que define mesmo que obra é melhor acaba sendo o gosto pessoal de cada um.
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