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Retrospectiva 2006 (Parte II)
Por Pedro Alencastro — Segunda, 29 de janeiro de 2007
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Caros leitores que agüentaram este rabugento colunista durante tanto tempo. Por meio deste, gostaria de me despedir de vocês, pois o SoBReCarGa está para encerrar sua jornada nos próximos dias. O fator financeiro, como sempre, impede que alguns projetos avancem. E nesse caso, fomos ainda mais longe do que muitos poderiam imaginar. Da minha parte, só posso agradecer a todos aqueles que visitaram o site para prestigiar o nosso trabalho. E como não sou muito bom de despedidas, deixo aqui a última parte da retrospectiva conforme prometido. Um grande abraço e até uma próxima oportunidade.
Carros (classificação livre)
Essa deveria ter sido a última parceira entre a Disney e a Pixar. Responsável por sucessos que vão de Toy Story (1995) a Os Incríveis (2004) , a Pixar já vinha carregando o parceiro nas costas há alguns anos. Quando o estúdio resolveu que havia chegado o momento de andar com as próprias pernas, o pessoal da Disney tremeu nas bases. Para evitar o estrago, ofereceram ao chefão da Pixar, John Lasseter, o cargo de diretor criativo da empresa. Ao invés de decretar o fim de uma era, Carros marcou o início de outra. Depois de anos no topo, a Disney resolveu se adaptar aos novos tempos. E fez bem.
Pequena Miss Sunshine (independence year)

Não é novidade para ninguém que o cinema independente vêm ganhando um espaço cada vez maior entre as mega produções. O ano de 2006, no entanto, foi “o ano do cinema independente”. Com tantos filmes ruins sendo lançados pelos grandes estúdios (não citarei exemplos para não cansar o leitor, pois a lista é extensa), títulos de orçamento modesto e qualidade inegável ganharam seu lugar ao sol. O destaque ficou por conta de Pequena Miss Sunshine, comédia familiar protagonizada por atores que Hollywood costuma desprezar, entre os quais, Toni Collette, Greg Kinnear e Alan Arkin (indicado ao oscar de melhor ator coadjuvante). Vale lembrar, aliás, que em 2006 tivemos várias produções independentes entre os concorrentes ao Oscar, inclusive na categoria de melhor filme, como Capote e Boa Noite e Boa Sorte.
Vôo 93 (a ferida aberta)

Torres Gêmeas e, principalmente, Vôo 93, fizeram algo que há algum tempo seria impossível: trazer o 11/09 para o circuito dos grandes lançamentos.O primeiro decepcionou um pouco por ser apolítico (ainda mais em se tratando do anarquista Oliver Stone), já o segundo foi um sucesso absoluto de crítica e está concorrendo a vários prêmios importantes. Até ganhar estes dois nomes de peso, a fatídica data era um assunto praticamente proibido em Hollywood. A tensão era tanta, que nos primeiros anos depois do atentado, produções sobre catástrofes, que eram febre na época, foram engavetadas. Houve, inclusive, quem evitasse qualquer relação com o episódio, como na vez em que cortaram uma cena em que o Homem Aranha construía uma teia entre as duas torres. Enquanto a mídia evitava mostrar os corpos das vítimas e os soldados mortos no Iraque, o cinema americano fingia que nada havia acontecido. Porém, cinco anos se passaram desde então, e Hollywood parece ter absorvido o impacto da tragédia. Resta agora aguardar se os dois títulos lançados em 2006 foram um fato isolado.
Serpentes a Bordo (a internet toma conta)

Em 1999, uma tal de Bruxa de Blair provou que filmes de orçamentos modestos podiam ter divulgação em massa através da Internet. Em 2006, Serpentes a Bordo foi ainda mais longe. Usando a web como uma espécie de consultoria externa, os produtores decidiram trocar idéias com uma comunidade de internautas durante a realização da fita. Com isso, o povo passou a meter o bedelho em tudo, desde o título do filme, até pequenos detalhes do roteiro, como uma frase proferida por Samuel L Jackson, que foi incluída a pedido do público. Jackson, inclusive, ameaçou deixar a produção caso não fossem atendidas as reivindicações, no mínimo, curiosas dos futuros fãs da empreitada. Se por um lado, a novidade é garantia de satisfação junto ao público-alvo, que afinal, não vai ter muito do que reclamar, por outro, o fenômeno assusta. Já imaginaram se o publico pudesse barrar um ator de fazer determinado filme por causa da cor do cabelo?
007 – Cassino Royale (novas caras)

Sim. Se dependesse dos fãs mais exaltados, Daniel Craig jamais teria vestido o smoking do agente mais famoso do cinema. Fosse ele apenas loiro, não seria problema. Nada que um Wellaton não resolvesse. Mas não era apenas a cor do cabelo que incomodava. Aos olhos do público, Craig representava o anti-007 em pessoa. De um lado, ele, o mito: James Bond, um gentleman com sorriso de aristocrata que não perde a pose nem para quebrar o pescoço de quem ousa atravessar seu caminho. Do outro, Daniel Craig. Sujeito truculento, tosco e com cara de poucos amigos. Com uma coisa, porém, os fãs não contavam. O cara é bom ator. E para os bons atores, não existem papéis inviáveis. No fim das contas, Craig se saiu bem e a franquia do 007 ganhou novo fôlego, pois os próprios produtores admitiam que as aventuras do agente já estavam caindo no ridículo. E nada melhor que um novo intérprete para o novo começo de um velho personagem. Christian Bale que o diga...
Os Infiltrados (velhas caras)

Foi um ano de velhas caras. Umas em tom de despedida, como o falecido Robert Altman, com o sugestivo A Última Noite. Outras, depois de anos desaparecidas, resolveram dar o ar da graça, com destaque para Oliver Stone e Brian de Palma, este, retornando ao gênero que o consagrou em Dália Negra. Mas 2006 foi, sobretudo, um ano em que dois velhotes mostraram que tão cedo não penduraram o boné. Um deles é Martin Scorsese, que com Os Infiltrados, retomou o foco naquilo que sempre foi sua especialidade, ou seja, gangsters, pancadaria e palavrões. E justamente quando parecia desistir da idéia de filmar para Academia e fazer o que sabe fazer melhor, Marty (para os íntimos) é o grande favorito ao Oscar. Para isso, entretanto, terá que superar outro velho conhecido do público. Com quase 80 anos na cacunda, Clint Eastwood não se contentou em fazer apenas um filme. Fez logo dois: A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima. Ao lado de Scorsese, ele divide o favoritismo ao Oscar de melhor diretor, reeditando uma disputa antiga, como aquela entre Menina de Ouro e O Aviador. É briga das boas....
OS: Pra quem ainda tiver paciência de me ler, estou criando um blog provisório. Fiquem a vontade.
http://naultimafila.blogspot.com/
Fui!!!
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