O melhor filme de Tony Scott

Desde os anos 80, em filmes como
Fome de Viver e
Ases Indomáveis - nos quais buscava nitidamente uma estética
clean, bem ao estilo daquela década - até seus trabalhos mais recentes, como
Chamas da Vingança e
Domino - a caçadora de recompensas, com suas cenas iniciais revestidas de uma desnecessária grandeza,
Tony Scott sempre demonstrou ser um cineasta que buscava um certo padrão estético para seus filmes. Contudo, apesar disso, nunca havia feito um filme que fosse bom - talvez pelo hábito de sempre incursionar pelo cinema de ação, gênero que pede um dinamismo maior que a violência travestida de beleza visual que Scott comumente elabora para suas realizações.
Contudo, dessa vez, o cineasta se encontrou: o policial
Deja Vu não é apenas um bom filme. É, provavelmente, o melhor filme de sua carreira. E chega a saltar aos olhos como o estilo que Scott vem tentando imprimir em seus últimos filmes, tão artificiais para o cinema de ação, funciona perfeitamente bem nesse filme policial. Com o perdão do trocadilho, se há uma sensação de
deja vu no estilo de Scott (porque é o mesmo), há também um frescor de inédita novidade ao vermos esse estilo interagindo bem com a estória contada na tela e com o estilo cinematográfico ao qual esta se insere.

No filme,
Denzel Washington - que já trabalhara com Scott em
Maré Vermelha e
Chamas da Vingança - é o policial Doug Carlin, convocado pela polícia de New Orleans para investigar um atentado terrorista a uma barca na cidade. A investigação transcorria dentro da normalidade possível até Carlin descobrir que um aparelho empregado pelos investigadores pode intervir levemente no passado, fazendo com que a luz emitida no tempo presente chegue até uma cena gravada três dias atrás - antes da explosão, portanto. É o bastante para Carlin querer voltar no tempo e salvar Claire (
Paula Patton), uma das vítimas do atentado e por quem ele começava nitidamente a cultivar um discreto amor platônico.
Com rompantes de ficção-científica,
Deja Vu prende facilmente a atenção do espectador e o conquista com a mesma discreta sedução que Claire exerce em Doug. Sem recorrer à ação violenta de seus últimos filmes, Scott finalmente encontra um filme onde consegue encaixar sem artificialismos seu estilo formal - como na cena de abertura, que geralmente são boas nos filmes do diretor, embora soem pedantes ao se observar o resultado final. Não é o que acontece aqui:
Deja Vu é um policial de boa qualidade, e um dos motivos dessa qualidade é o perfeito ajuste entre a trama contada e a forma como seu diretor a conduz. Não por acaso, é provavelmente o melhor filme de Tony
Scott.