Um passo além na investigação do tema

A questão do contato entre vivos e mortos tem sido um dos temas mais pertinentes da década, dentro e fora do Cinema, e não são poucos os filmes realizados atualmente que se dedicam - com seriedade, por brincadeira ou até por oportunismo - ao tema. E, como o Cinema está, ainda, em uma primeira fase dos filmes abordando contatos espirituais, é até compreensível que hajam erros no enfoque da maioria dessas realizações.
Silk - O Primeiro Espírito Capturado dá um passo adiante na questão abordada e, embora também não passe, como vários outros congêneres, de uma brincadeira que utiliza uma questão profunda para entreter de forma descompromissada, ao menos é um filme em que, ao contrário dos demais, oferece para seu tema explicações bem convincentes, e fielmente relacionadas às conclusões de estudiosos sobre a questão dos contatos espirituais.
O filme, uma produção taiwanesa, conta a estória de um grupo de cientistas que, como o subtítulo brasileiro já revela, conseguiu capturar um espírito, no caso o de uma criança, que tivera morte trágica e que se torna alvo de estudos do grupo. Esses estudos não seriam condenáveis, muito pelo contrário, se o espírito não estivesse aprisionado contra sua própria vontade e se o líder do grupo, um homem portador de uma deficiência na perna, não tivesse interesses no espírito que, se a princípio podem parecer justificáveis pelo bem da ciência, logo se revelassem dotados de mesquinhez e ambição.
Silk - O Primeiro Espírito Capturado não é e não se propõe a ser um tratado sobre a questão do Espiritismo, mas sim um filme de mistério. Contudo, a produção é uma das poucas realizações que não utiliza tal opção como desculpa para erros em seu roteiro, preferindo, ao contrário, evitar tais erros e calcar sua trama através de argumentos críveis para justificar o que apresenta na tela. Evidentemente, considerando-se o objetivo real do filme (agradar o espectador e oferecer a este um bom passatempo) seu êxito nesse aspecto de pouco adiantaria se o filme não fosse tão bem estruturado enquanto obra de entretenimento. Mas não há riscos nesse sentido: a boa direção do também roteirista
Chao-Bin Su oferece um espetáculo leve e agradável, garante a diversão e
captura, também, o interesse do espectador.