O mundo é uma bola
A Grande Final , primeiro longa do diretor
Geraldo Olivares, conta a história de três grupos distintos: Uma tribo de índios, um grupo de muçulmanos e uma família nômade. Quase todos os personagens, com exceção das mulheres do filme, adoram futebol e consideram o jogo final de uma Copa do Mundo o maior evento esportivo da Terra. Durante o filme, eles terão de superar diversos obstáculos para assistir à final da Copa de 2002, disputada por Brasil e Alemanha.
A primeira grande dificuldade a ser batida é a ausência de tecnologia. Os personagens habitam paises que muitas vezes são esquecidos por quem vive em grandes metrópoles mundiais. A tribo de índios está na Amazônia, lugar considerado pulmão do mundo e, por isso, bem popular. Não se pode dizer o mesmo para os mulçumanos que vivem no deserto de Ténéré, no Níger, ou para a família nômade que vive nas Montanhas Altai, na Mongólia. Grupos de costumes diferentes, com obstáculos semelhantes e objetivo idêntico.
Uma das virtudes de
A Grande Final é retratar as dificuldades dos personagens de forma sutil e bem humorada: As mulheres da tribo indígena acabam fazendo colares com o cabo que serviria para captar o sinal por satélite do jogo, e um dos mulçumanos é abandonado no deserto pelos amigos porque alguém precisava cuidar dos camelos durante a final. Com situações deste tipo – e há muitas mais - o longa se desenvolve. Ninguém reclama por viver na Mongólia, e não em Moscou. Os personagens vivem sua rotina, querem ver a final da Copa e farão tudo o que for possível para isso.

O diretor Geraldo Olivares acerta ao mostrar o poder de união do esporte. Para ver Brasil e Alemanha, os Índios esquecem as diferenças com “os homens brancos” da serralheria e acabam comemorando a vitória brasileira juntos. Na Mongólia, a família de nômades acaba jogando uma partida de futebol com militares que, inicialmente, iriam multa-los por usar eletricidade ilegalmente. Por fim, os Muçulmanos, divididos entre torcer para o time de Ronaldo ou Oliver Khan, goleiro da Alemanha em 2002, acabam assistindo o jogo pacificamente.
A trilha feita por
Martin Meissonnier merece destaque. Ela acompanha os acontecimentos do filme, completa e oferece maior vida ao longa. Também é interessante a mistura entre as cenas do filme e da final da Copa em 2002: Em alguns momentos, os índios correndo na floresta se misturam com imagens de Lúcio, zagueiro da seleção brasileira, correndo em campo.
A Grande Final tem o futebol como tema, mas não atinge somente os fanáticos por tal esporte. O longa é , na verdade, um belo relato de três grupos tentando se inserir na sociedade que, de quatro em quatro anos, para diante da TV para ver 22 homens correndo atrás de uma bola. Como bônus, o telespectador ainda verá lindas paisagens da Mongólia, Níger e Amazônia, compondo um belo retrato destes lugares.